O Beijo do Lobisomem

Capítulo 20 — O Segredo do Altar e a Escolha Crucial

por Nathalia Campos

Capítulo 20 — O Segredo do Altar e a Escolha Crucial

O sol da manhã banhava a pequena casa abandonada com uma luz dourada, mas não conseguia dissipar completamente a sombra que pairava sobre Lúcia e Rafael. As cicatrizes da noite anterior eram visíveis em ambos: os cortes e hematomas de Rafael, e a palidez e os olhos fundos de Lúcia, marcados pela exaustão e pelo medo. No entanto, o que mais pesava era a revelação sobre o altar e a nova perspectiva que ele trazia.

"O altar...", Lúcia murmurou, enquanto arrumava os cacos de um vaso quebrado. "Você acha que pode ser a resposta, Rafael?"

Rafael, sentado em um dos poucos móveis inteiros, um banquinho rústico, observava-a com um olhar profundo. "Dona Aurora escreveu sobre ele em termos vagos, mas sempre com uma aura de poder. Ela o chamava de 'o coração da lua', um lugar onde os lobos antigos se conectavam com a sua essência. Talvez, em vez de lutar contra a fera, eu precise aprender a coexistir com ela. O altar pode ser o caminho para isso."

A ideia de "coexistir" com a fera era aterrorizante para Lúcia. Ela amava o homem, o Rafael gentil e protetor, não a criatura selvagem que aterrorizava e a protegia em igual medida. Mas ela também via o desespero nos olhos dele, a exaustão de uma luta que parecia interminável.

"Mas e se for perigoso demais?", Lúcia perguntou, a preocupação em sua voz. "O que se a força do altar te consumir em vez de te controlar?"

Rafael suspirou, passando a mão pelas suas feridas. "É um risco. Um grande risco. Mas a alternativa é viver para sempre como um prisioneiro da minha própria natureza, lutando uma batalha que eu nunca posso vencer. Dona Aurora acreditava que o altar era um lugar de equilíbrio. Talvez eu possa encontrar esse equilíbrio lá."

A verdade era que o diário de Dona Aurora continha mais segredos do que Lúcia imaginava. As anotações sobre o altar eram enigmáticas, cheias de simbolismo lunar e referências a sacrifícios antigos. Ela havia se concentrado na busca por uma cura, ignorando, talvez, a possibilidade de uma aceitação controlada.

"Precisamos ir até lá", Lúcia decidiu, a voz firme. Ela não o deixaria enfrentar isso sozinho. "Se há uma chance, por menor que seja, de você encontrar paz, eu vou com você."

Rafael olhou para ela, uma mistura de gratidão e apreensão em seus olhos. "Você tem certeza, Lúcia? O altar fica em um lugar ainda mais remoto. E a energia... pode ser avassaladora."

Lúcia pegou a mão dele, sentindo a força que ainda emanava dele, apesar das feridas. "Eu não vou a lugar nenhum sem você. O que quer que aconteça, nós enfrentamos juntos."

O caminho para o altar era tortuoso, através de trilhas esquecidas pela floresta, onde a luz do sol mal penetrava. A vegetação era densa, quase selvagem, e o ar parecia carregado de uma energia antiga e palpável. Lúcia sentia um arrepio constante, uma sensação de estar sendo observada por algo primordial.

Finalmente, eles chegaram a uma clareira circular, cercada por pedras ancestrais cobertas de musgo e líquen. No centro, um círculo de pedras mais altas formava o que parecia ser um altar natural, esculpido pela própria natureza ao longo de séculos. A luz da lua, mesmo durante o dia, parecia concentrar-se ali, criando uma aura etérea.

Rafael parou na beira da clareira, seu corpo tenso. "É aqui", ele sussurrou, a voz carregada de reverência. "Posso sentir a força. É... avassaladora."

Lúcia observou a expressão dele, o conflito interno evidente em seus olhos. A fera parecia lutar contra a sua vontade de buscar equilíbrio.

"Você disse que era um lugar de sacrifício", Lúcia observou, lembrando-se das anotações de Dona Aurora. "O que exatamente você teria que sacrificar?"

Rafael hesitou, o olhar fixo nas pedras do altar. "Minha conexão com a matilha", ele disse, a voz baixa. "A parte de mim que ainda anseia pela selvageria. Talvez... a própria fera. Não para destruí-la, mas para subjugá-la. Para aceitá-la como parte de mim, sem que ela me controle."

Era uma escolha cruel, uma renúncia de uma parte de si mesmo. Mas para Lúcia, era um sacrifício necessário para que ele pudesse ter uma chance de redenção.

"Eu estou com você", Lúcia disse, dando um passo à frente, até o lado dele. "Seja qual for a sua escolha."

Rafael olhou para ela, a gratidão transbordando em seus olhos. Ele deu um passo em direção ao altar, e Lúcia o seguiu. À medida que se aproximavam do centro da clareira, a energia se intensificava, fazendo o ar vibrar. Lúcia sentiu um formigamento nas pontas dos dedos, e uma sensação de paz estranha a envolveu.

Rafael parou no centro do altar, erguendo os braços como se estivesse abraçando a força que emanava das pedras. Ele fechou os olhos, e Lúcia pôde ver a luta em seu rosto, a batalha contra a fera interior.

"Eu renuncio à fúria", Rafael declarou, a voz ecoando na clareira. "Eu aceito a natureza que me foi dada. Mas eu não serei escravo dela."

Um brilho intenso emanou das pedras, envolvendo Rafael em uma luz prateada. Lúcia sentiu o poder pulsando ao seu redor, uma força antiga e incontrolável. Ela observou, com o coração na mão, enquanto a forma de Rafael tremia, seus músculos se retesando. Parecia que ele estava se contorcendo em agonia, e o medo a atingiu com força total.

"Rafael!", ela gritou, dando um passo à frente.

Ele abriu os olhos, e Lúcia viu uma mudança sutil. O brilho vermelho havia desaparecido, substituído por um olhar mais calmo, mas ainda intenso. Havia uma força renovada em sua postura, uma aceitação da sua dualidade.

"Eu estou bem, Lúcia", ele disse, a voz mais clara, com menos da rouquidão bestial. Ele estendeu a mão para ela, e quando ela a pegou, sentiu a força nele, mas uma força contida, controlada.

"Você conseguiu?", Lúcia perguntou, a voz cheia de esperança.

Rafael sorriu, um sorriso genuíno que alcançou seus olhos. "Eu acho que sim. A fera ainda está aqui. Mas eu a aceitei. Ela é parte de mim, não o meu mestre." Ele apertou a mão dela. "Obrigado, Lúcia. Por me ajudar a encontrar o caminho."

A escolha crucial havia sido feita. Rafael havia escolhido a aceitação em vez da guerra, o equilíbrio em vez da negação. O altar, com sua energia lunar poderosa, havia sido o catalisador. Lúcia sentiu uma onda de alívio percorrer seu corpo, um alívio tão intenso que quase a derrubou.

Enquanto se preparavam para deixar a clareira, Lúcia sentiu a presença de algo mais. Não era a ameaça da matilha, nem a energia avassaladora do altar. Era algo sutil, mas poderoso.

"Você sente isso?", Lúcia perguntou, olhando ao redor.

Rafael assentiu. "Sim. É... uma conexão. Mais forte do que antes. Como se a própria floresta estivesse me ouvindo."

A partir daquele momento, Lúcia soube que a vida deles nunca mais seria a mesma. O beijo do lobisomem havia sido apenas o começo de uma jornada inesperada, uma jornada que os levaria a desvendar segredos antigos e a encontrar força em lugares inesperados. O altar, com seu mistério e poder, havia se tornado o símbolo de sua nova realidade, um lugar onde o homem e a fera poderiam coexistir, sob a luz vigilante da lua. E Lúcia, a garota que se apaixonou por um lobisomem, estava pronta para abraçar esse destino, ao lado do homem que ela amava, com todas as suas cicatrizes e toda a sua força renovada.

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