O Beijo do Lobisomem

Capítulo 22 — O Sussurro da Floresta e os Encantos Proibidos

por Nathalia Campos

Capítulo 22 — O Sussurro da Floresta e os Encantos Proibidos

A clareira sob o luar parecia um palco de batalha ancestral. Os uivos da matilha reverberavam entre as árvores, misturando-se ao rosnar baixo de Arthur. Helena observava a cena, o coração martelando no peito, uma mistura de medo e uma estranha, perturbadora, sensação de pertencimento. A verdade sobre sua linhagem, sobre o pacto ancestral que envolvia sua família e os lobisomens de Vila do Sol, ainda ecoava em sua mente, pesada como uma sentença.

Arthur, em sua forma lupina, era uma visão de força e beleza selvagem. Seus olhos âmbar brilhavam com uma intensidade que espelhava a lua cheia. Ele se movia com uma agilidade impressionante, defendendo a área ao seu redor, protegendo-a, Helena, da ameaça que pairava no ar. Mas qual era exatamente essa ameaça? E por que sua presença ali, sob a luz da lua, parecia intensificar a energia do lugar?

Enquanto os outros lobisomens pareciam agitados, em alerta, Arthur se aproximou de Helena com uma cautela que contrastava com sua forma lupina. Ele abaixou a cabeça, farejando o ar ao redor dela, e um murmúrio baixo, gutural, escapou de sua garganta. Era um som que parecia carregar uma advertência.

"Arthur… o que está acontecendo?", Helena sussurrou, a voz trêmula. Ela estendeu a mão hesitante, sentindo um calor emanar dele, mesmo através do seu pelo grosso.

Arthur moveu a cabeça, indicando a floresta. Seus olhos transmitiam uma urgência que ela não podia ignorar. Havia algo mais ali, nas sombras, algo que a matilha temia.

De repente, um movimento rápido e silencioso chamou sua atenção na orla da floresta. Uma figura esguia, envolta em um manto escuro, emergiu das árvores. Era uma mulher, seus cabelos negros como a noite emoldurando um rosto de beleza etérea, mas carregado de uma aura de mistério e poder. Seus olhos, de um violeta profundo, pareciam penetrar na alma de Helena, e um sorriso enigmático brincou em seus lábios.

"Ora, ora, o que temos aqui?", a voz da mulher era suave como seda, mas carregava um tom de ironia que gelou a espinha de Helena. "A herdeira perdida retorna ao seu berço. E traz consigo um lobo impuro."

"Lobo impuro?", a voz de Arthur saiu rouca, um rosnado baixo em resposta à provocação.

A mulher riu, um som melodioso que, no entanto, era desprovido de calor. "Um lobo que ousa amar uma humana. Que ousa se desviar do seu destino. Um erro a ser corrigido."

Helena sentiu um arrepio. Ela sabia que Arthur era um lobisomem, mas o termo "impuro" soava como uma ofensa, uma marca de desonra.

"Quem é você?", Helena perguntou, dando um passo à frente, instintivamente se colocando mais perto de Arthur.

"Eu sou Lyra", respondeu a mulher, seus olhos violetas fixos em Helena. "E sou a guardiã dos antigos caminhos. O caminho que sua linhagem escolheu se desvia perigosamente do equilíbrio que mantemos." Lyra gesticulou para Helena. "Você é a chave, a oferenda que garante a paz entre nós e a proteção de seus ancestrais. Mas esse amor… esse amor profano… ameaça tudo."

"Amor profano? Você fala de amor como se fosse uma doença!", Helena retrucou, a raiva começando a tomar o lugar do medo. "Arthur é o homem que eu amo, e ele não é uma ameaça para ninguém."

"Ah, mas é sim", Lyra disse, inclinando a cabeça. "Um lobisomem que se liga a uma humana não é mais um lobisomem completo. Ele se enfraquece, se corrompe. E a sua linhagem, Helena, é especial. Ela tem um poder único, um poder que foi prometido em troca de proteção. Você é a garantia dessa proteção."

Helena sentiu seu estômago revirar. A promessa, o pacto, o altar… tudo se encaixava em um quadro sombrio e cruel. Ela não era apenas uma herdeira, era um item de troca, uma moeda de barganha.

Arthur rosnou, os pelos de sua nuca se eriçando. Ele sabia que Lyra era perigosa. Havia algo antigo e sombrio em sua presença, um poder que ele sentia em seus ossos.

"Você não entende, Lyra", Arthur disse, sua voz carregada de uma firmeza que surpreendeu Helena. "O amor não corrompe. Ele transforma. E Helena não é uma oferenda. Ela é a minha escolha."

Lyra riu novamente, o som ecoando na noite. "Uma escolha que pode custar a todos nós. Os antigos pactos devem ser honrados. A sua linhagem feminina tem um papel vital. E você, Helena, é a próxima a cumprir o seu destino."

Um silêncio pairou no ar, quebrado apenas pelo farfalhar das folhas. Helena sentia o peso das palavras de Lyra em cada fibra do seu ser. Ela era a próxima. A promessa, o sacrifício.

"O que você quer de mim?", Helena perguntou, a voz agora firme, apesar do tremor interno.

"Você deve vir comigo", Lyra disse, seus olhos violetas fixos em Helena. "Para que o seu destino seja cumprido e o equilíbrio restaurado. O seu amor por este lobo impuro é uma aberração que não podemos tolerar."

Arthur deu um passo à frente, protegendo Helena. "Ela não vai a lugar nenhum com você."

"Ah, mas ela vai", Lyra disse, um brilho perigoso em seus olhos. Ela levantou uma mão, e uma energia sutil começou a emanar dela. Helena sentiu uma força estranha puxando-a em direção a Lyra, uma sensação de desorientação.

"Não!", Helena gritou, lutando contra a força invisível. Ela sentiu Arthur se mover, um rosnado profundo vibrando em seu peito. Ele estava tentando quebrar a influência de Lyra sobre ela.

"A floresta tem seus próprios encantos, Helena", Lyra sussurrou, um sorriso triunfante em seus lábios. "E você é sensível a eles. O sangue que corre em suas veias responde aos sussurros antigos."

Helena sentiu suas pernas fraquejarem. A floresta parecia se fechar ao redor dela, as árvores sussurrando segredos que ela não conseguia decifrar completamente, mas que a atraíam de forma irresistível. Ela podia sentir a força de Lyra se intensificando, e a força de Arthur lutando contra ela. Era uma batalha de vontades, de poderes ancestrais.

Arthur avançou com ferocidade, tentando alcançar Helena. Mas Lyra era rápida. Com um movimento gracioso, ela desapareceu de volta nas sombras da floresta, levando Helena consigo.

"Helena!", Arthur gritou, correndo em direção ao local onde ela estava. Mas não havia mais nada ali, apenas a escuridão e o eco da voz de Lyra.

Helena sentia a floresta envolvê-la, um abraço frio e sedutor. Ela via flashes de imagens em sua mente: rostos ancestrais, o altar, a lua cheia, e um lobo solitário uivando para o céu. Lyra, em sua forma sombria, parecia zombar de sua luta.

"Você não pode escapar do seu destino, Helena", Lyra sussurrou em seu ouvido, a voz agora ecoando em sua própria mente. "O Beijo do Lobisomem é apenas o começo. E o seu sangue é o preço da paz."

Arthur, furioso e impotente, uivou para a noite escura, seu grito de desespero ecoando pela floresta. Ele havia perdido Helena, levada pelos encantos proibidos de Lyra, e a batalha pela alma e pelo destino dela estava apenas começando. A floresta, antes um refúgio, agora se tornava um labirinto de perigos, e o amor que unia Helena e Arthur seria posto à prova como nunca antes.

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