A Maldição da Matinta Perera

Claro, vamos dar vida à "A Maldição da Matinta Perera"! Aqui estão os primeiros cinco capítulos, com a paixão e o drama que a história merece.

por Luna Teixeira

Claro, vamos dar vida à "A Maldição da Matinta Perera"! Aqui estão os primeiros cinco capítulos, com a paixão e o drama que a história merece.

A Maldição da Matinta Perera Romance Paranormal Sobrenatural Autor: Luna Teixeira

Capítulo 1 — O Sussurro na Floresta Amazônica

O ar da noite amazônica era um véu denso e úmido, carregado com o perfume inebriante de flores noturnas e o cheiro terroso da mata. Cada som era amplificado, transformando o zumbido de um inseto em um sussurro ameaçador, o farfalhar de folhas em passos furtivos. Para Elisa, no entanto, era a sinfonia familiar de sua terra, um abraço sonoro que a embalava desde a infância. Deitada em sua rede, no pequeno quarto de madeira que se abria para a vastidão verde, ela sentia o coração bater em compasso com o ritmo ancestral da floresta.

Mas naquela noite, havia algo diferente. Um arrepio percorreu sua espinha, não de frio, mas de um pressentimento que a cutucava como um galho pontiagudo. Era um sentimento sutil, quase imperceptível, como a sombra de uma nuvem passando pelo sol, mas que a deixava inquieta. Levou a mão trêmula aos lábios, o toque suave da pele como um convite para o silêncio. O que a assustava não era o escuro, nem os sons selvagens, mas a sensação de ser observada, de que algo antigo e poderoso pairava nas entranhas da mata, fitando-a com olhos que não pertenciam a este mundo.

Ela se virou na rede, o tecido rangendo suavemente. A luz fraca de um lampião a querosene, deixado aceso em um canto, projetava sombras dançantes nas paredes rudimentares. O quarto era simples, mas acolhedor. A cama de madeira maciça, a cômoda antiga herdada de sua avó, as imagens religiosas e os amuletos pendurados – tudo falava de uma vida dedicada à terra e às crenças que nela floresciam. Elisa era a guardiã de um legado, o último elo de uma linhagem que se entrelaçava com os mistérios da floresta.

Seus olhos, de um verde profundo como as folhas mais densas, pousaram na janela aberta, que oferecia um vislumbre da noite escura. Foi então que o ouviu. Um som que não se encaixava na cacofonia natural da mata. Um canto, baixo e etéreo, quase um lamento, que parecia vir de muito longe, mas que, ao mesmo tempo, ressoava dentro dela, despertando medos ancestrais. Era um canto feminino, melancólico, que parecia tecer um fio invisível entre o mundo dos vivos e o reino do desconhecido.

"Matinta Perera", o nome ecoou em sua mente, um sussurro gelado que lhe roubou o fôlego. A lenda, contada em segredo pelos mais velhos, era sobre uma velha bruxa que vagava pelas matas, transformando-se em pássaro para assombrar os vivos, cobrando dívidas de almas e semeando o desespero. Diziam que seu canto anunciava desgraça, que sua presença trazia a maldição. Elisa sempre considerou essas histórias como contos para assustar crianças, mas naquela noite, a voz etérea parecia real demais, palpável.

Ela se levantou, o corpo tenso, os músculos em alerta. Vestiu um robe de algodão simples e caminhou descalça até a janela, o chão de madeira fria sob seus pés. O canto se intensificou, agora acompanhado por um assobio agudo que parecia atravessar a barreira do som e penetrar em sua alma. Seus olhos vasculharam a escuridão, buscando a origem daquela melodia sinistra. O que ela viu, ou melhor, o que ela sentiu, a fez recuar um passo, o coração disparado.

Uma luz fraca e bruxuleante dançava entre as árvores mais altas, um brilho pálido que não era de vaga-lume nem de lua. Parecia se mover com uma inteligência própria, serpenteando pela mata fechada. E junto com a luz, ela sentiu uma presença. Uma energia fria e penetrante que se aproximava, um peso invisível que a pressionava.

"Quem está aí?", sua voz soou rouca, um fio de coragem lutando contra o medo crescente. Nenhuma resposta. Apenas o canto, que agora parecia se aproximar, mais claro, mais melancólico, arrastando consigo um rastro de desespero. Elisa sentiu um nó na garganta. Aquilo não era um sonho, não era imaginação. Era real. E estava ali, em sua floresta, em sua casa.

Ela voltou para o interior do quarto, os olhos fixos na janela. O lampião parecia tremer, sua luz vacilante, como se também sentisse a presença sinistra. Elisa buscou nos cantos do quarto, em meio aos objetos que sempre a tranquilizaram. Seus olhos pousaram em um pequeno amuleto de madeira entalhada, com símbolos antigos que sua avó insistia que a protegiam. Pegou-o com as mãos trêmulas, o toque áspero da madeira um conforto efêmero.

O canto parou abruptamente. O silêncio que se seguiu foi ainda mais aterrorizante. Um silêncio denso, expectante, como o prelúdio de uma tempestade. Elisa prendia a respiração, cada nervo do seu corpo em alerta máximo. De repente, um batido suave e insistente soou na porta de madeira do quarto. Um, dois, três toques. Não eram os batidos fortes e impacientes de um vizinho, mas um toque leve, delicado, quase um chamado.

Seu sangue gelou. Ninguém vinha a sua casa a essa hora da noite, a menos que fosse uma emergência. E aquele toque não soava como emergência, mas como algo… diferente. Uma curiosidade mórbida, misturada a um temor profundo, a impeliu a se aproximar da porta.

"Quem é?", ela perguntou novamente, a voz embargada pelo medo.

Um sussurro, fino e quase inaudível, respondeu do outro lado: "Sou eu, a Matinta Perera. Vim buscar o que me pertence."

As palavras atingiram Elisa como um raio. O amuleto escorregou de seus dedos e caiu no chão com um baque surdo. Ela recuou, o corpo tremendo incontrolavelmente. A lenda, que ela tanto tentara ignorar, ganhava forma e voz bem ali, diante de sua porta. A maldição, que se pensava adormecida por gerações, parecia ter despertado, e seu primeiro alvo era ela.

O batido na porta recomeçou, agora um pouco mais firme, acompanhado por um murmúrio que parecia se misturar ao vento que uivava lá fora. Elisa fechou os olhos com força, tentando reunir a coragem que parecia ter se esvaído de seu corpo. Ela era Elisa, a guardiã da floresta, e não seria aterrorizada por um conto de fadas sombrio. Mas a verdade era que o medo era real, tão real quanto o ar que ela respirava. E a voz que a chamava do outro lado da porta era a própria personificação desse medo. A noite em sua pacata casa na Amazônia acabara de se transformar em um pesadelo vivo.

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