O Encanto Sombrio do Boitatá

Capítulo 19 — O Despertar na Clareira Sombria e o Sussurro da Serpente Antiga

por Luna Teixeira

Capítulo 19 — O Despertar na Clareira Sombria e o Sussurro da Serpente Antiga

O silêncio que se seguiu ao ataque da Sombra era ensurdecedor, uma quietude que prenunciava algo terrível. Aiyra sentiu uma dor lancinante em seu peito, e a escuridão em sua visão não era mais uma ilusão, mas a realidade de um estado de quase inconsciência. Ela tentou mover um membro, mas sentiu uma fraqueza paralisante. A mão de Jaci ainda estava em sua, um ponto de contato tênue em um mar de desespero.

"Jaci..." ela sussurrou, a voz rouca e fraca.

A resposta veio, não em palavras, mas em um toque suave. "Aguente firme, Aiyra. A Sombra a atingiu, mas não a consumiu. A luz que você carrega ainda queima."

Aiyra sentiu o toque de Jaci se afastar, e um momento de pânico a dominou. Estava sendo deixada para trás? Mas então, ela ouviu passos se aproximando, passos fortes e urgentes. E uma voz que fez seu coração dar um salto, apesar da dor: "Aiyra! Aiyra, responda-me!"

Kauê. A voz dele era repleta de desespero, tingida de uma urgência que Aiyra nunca ouvira antes. Ele a encontrou, caída na clareira escura, com Jaci ajoelhada ao seu lado, tentando estancar um ferimento sutil em seu peito. A folha do Boitatá, antes brilhante, agora estava apagada, cinza.

"Ela a feriu!" Jaci disse, sua voz tensa. "A Sombra usou sua energia para desviar o golpe final, mas o preço foi alto."

Kauê se ajoelhou ao lado de Aiyra, seu olhar percorrendo seu rosto pálido e sem vida. Ele viu o ferimento, uma marca escura que parecia pulsar com uma energia maligna. Um rosnado baixo escapou de sua garganta. Ele sentiu uma fúria primitiva surgir, um desejo avassalador de proteger Aiyra de qualquer custo.

"O que aconteceu?" ele perguntou, sua voz áspera.

"Ela a atingiu," Jaci repetiu. "Mas a Sombra se retirou. As almas dos jovens foram libertadas. Aiyra foi corajosa, Kauê. Mais corajosa do que qualquer um de nós jamais poderia ser."

Os jovens Pankararu, agora sóbrios e assustados, emergiram da névoa, observando a cena com os olhos arregalados. Tupi, com o rosto ainda marcado pela ilusão, aproximou-se de Aiyra com cautela.

"Aiyra... por favor," ele implorou, suas mãos cerradas em punhos. "Nós... nós não sabemos o que fizemos."

"Você foi seduzido," Aiyra sussurrou, sua voz mal audível. "A Sombra se alimenta da fraqueza. Mas vocês encontraram o caminho de volta. Isso é o que importa."

Kauê gentilmente a pegou em seus braços, sentindo seu corpo leve e frágil. Ele a abraçou com força, mas com cuidado, como se ela pudesse se quebrar. Ele podia sentir o pulsar fraco de seu coração contra o seu.

"Nós vamos levá-la de volta," ele disse, sua voz firme, apesar da apreensão que sentia. "Os curandeiros da aldeia irão cuidá-la."

Enquanto eles se preparavam para retornar, um tremor profundo sacudiu a terra. Não era um tremor comum, mas uma vibração que parecia vir das entranhas do mundo. Os jovens Pankararu gritaram de medo. As árvores retorcidas ao redor deles se curvaram como se estivessem em agonia.

E então, um som começou a ecoar. Um som baixo e gutural, que se transformou em um rugido ancestral. Era o som de algo imenso se movendo nas profundezas da terra.

"A Sombra não foi derrotada," Jaci alertou, seus olhos fixos no chão. "Ela foi ferida, e agora está furiosa. E com sua fúria, ela despertou algo ainda mais antigo."

Um arrepio percorreu Kauê, um pressentimento sombrio. Aiyra, apesar de sua fraqueza, ergueu a cabeça e olhou para Jaci com um misto de terror e compreensão.

"A Serpente..." ela sussurrou. "O espírito ancestral... a Sombra a despertou em sua raiva."

O rugido se intensificou, e um tremor ainda mais forte sacudiu a terra. Um som de algo pesado e escamoso se arrastando, rompendo as rochas. A terra começou a se abrir em alguns pontos, revelando um brilho escuro e ameaçador no subsolo.

Kauê apertou Aiyra contra si. Ele sentiu o medo dele, mas a determinação de protegê-la era maior. "Precisamos sair daqui! Agora!"

Ele se virou e começou a correr, levando Aiyra nos braços. Os jovens Pankararu o seguiram, seus rostos pálidos de terror. Jaci, com seu cajado em punho, manteve-se um passo atrás, seus olhos perscrutando a terra que se abria.

O rugido se transformou em um assobio profundo e hipnótico, um som que parecia penetrar na alma. Aiyra, nos braços de Kauê, sentiu uma estranha familiaridade com aquele som, um eco de antigas lendas. Era o chamado da Serpente, o guardião das profundezas, agora despertado pela Sombra.

"Ela... ela não quer nos machucar, Kauê," Aiyra murmurou, sua voz enfraquecida pela dor e pelo esforço. "A Sombra a está manipulando. Ela a fez acreditar que somos a ameaça."

Kauê não respondeu, concentrado em correr para a segurança da aldeia. Mas ele sentiu uma mudança no ar, uma tensão palpável que não era apenas medo, mas uma energia primordial sendo liberada.

Eles emergiram da clareira sombria, encontrando a névoa mais fina agora. A luz fraca do amanhecer começava a perfurar o horizonte, mas o tremor da terra continuava. Os guerreiros Pankararu, alertados pelo barulho, correram ao encontro deles, seus rostos marcados pela preocupação ao verem Aiyra ferida.

"O que aconteceu?" perguntou o chefe da aldeia, o rosto franzido.

Kauê apenas olhou para trás, para a clareira sombria, onde a terra ainda tremia. "A Sombra a despertou. Ela está com raiva. E agora... ela nos vê como inimigos."

O rugido da Serpente ecoou novamente, mais próximo desta vez, um som que parecia vir de todas as direções. Os anciãos se reuniram, seus rostos enrugados em preocupação. Eles sabiam o que aquele som significava. A floresta estava em perigo, e o equilíbrio entre o fogo e a sombra estava prestes a ser quebrado de uma forma terrível. Aiyra, ferida e exausta, sabia que a luta estava longe de terminar. O despertar da Serpente era um presságio de tempos ainda mais sombrios.

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