Alma Gêmea do Devorador

Capítulo 14 — A Trama Celestial e o Juramento de Proteção

por Nathalia Campos

Capítulo 14 — A Trama Celestial e o Juramento de Proteção

A voz ancestral, carregada com o peso de eras imemoriais, pairou no ar etéreo do refúgio de Elias, ecoando como um trovão distante em suas almas recém-unidas. Clara sentiu um arrepio percorrer sua espinha, não mais de medo, mas de uma compreensão avassaladora do destino que agora compartilhava com Elias. A trama celestial, os desígnios dos Deuses Antigos, eram um labirinto complexo de poder e profecia, e ela, Clara Mendes, estava agora no centro de sua teia.

"O que significa isso?", Clara perguntou, sua voz um sussurro rouco, buscando nos olhos de Elias a resposta que a voz ancestral não ofereceu completamente.

Elias apertou-a mais forte contra si, sua armadura de sombras cintilando com uma intensidade nova. "Significa que a nossa união, Clara, não é apenas um ato de amor. É um evento cósmico. Uma ameaça para aqueles que tentaram nos separar."

Ele a guiou para uma área do refúgio onde a escuridão parecia convergir, formando uma espécie de portal cintilante. Através dele, Clara pôde vislumbrar cenas de eras passadas, batalhas épicas entre entidades divinas e sombrias. Ela viu os Deuses Antigos, seres de poder imensurável, que governavam o universo com punhos de ferro, mas que temiam a união de almas predestinadas, pois essa união possuía o poder de desestabilizar seu domínio.

"Os Deuses Antigos temiam a força que a nossa conexão representava", Elias explicou, sua voz carregada de uma melancolia profunda. "Eles temiam que a nossa união pudesse restaurar um equilíbrio que eles haviam desfeito, um equilíbrio onde o poder não fosse concentrado em suas mãos. Por isso, eles nos separaram, me aprisionando nas sombras, apagando suas memórias de mim."

Clara sentiu uma onda de raiva contra aqueles seres que haviam roubado sua história, que haviam tentado destruir sua alma gêmea. "Eles não podem nos deter. Nós nos encontramos de novo."

"Eles não serão os únicos a nos procurar", Elias disse, seu olhar se tornando sombrio. "O despertar da nossa ligação enviará ondas por todo o cosmos. Outras forças, antigas e esquecidas, que foram suprimidas pelos Deuses Antigos, sentirão a nossa presença. E elas buscarão nos usar, ou nos destruir."

A responsabilidade era esmagadora. Ela, Clara Mendes, uma bibliotecária com uma vida comum, era agora uma peça central em uma guerra cósmica. Mas, olhando para Elias, sentindo a força inabalável de seu amor e a determinação em seus olhos, ela não sentiu medo. Sentiu propósito.

"Eles vão nos caçar?", ela perguntou, a voz firme.

"Sim. Mas eles não sabem com o que estão lidando. Eles não sabem o poder que a nossa união confere. Eu sou o Devorador, a força que consome. E você, Clara, é a luz que me ancora, a centelha de esperança que pode dissipar qualquer escuridão." Elias segurou o rosto de Clara entre as mãos, seus olhos de fogo fixos nos dela. "Eu jurarei protegê-la, Clara. Com cada fibra do meu ser, com cada grama do meu poder. Ninguém a tocará enquanto eu viver."

Elias pronunciou um juramento, palavras em uma língua esquecida, que ressoaram com o poder de um pacto sagrado. O refúgio das sombras tremeu, e uma aura dourada emanou de Elias, envolvendo Clara em um abraço protetor. Ela sentiu a força do juramento, a solidez da promessa. Era mais do que palavras; era uma extensão de sua própria alma.

"E eu...", Clara começou, sentindo uma força nova ascender dentro de si. "Eu estarei ao seu lado. Eu não o deixarei sozinho. Juntos, enfrentaremos o que vier."

O portal cintilante se intensificou, mostrando uma visão da cidade, mas sob uma nova perspectiva. Clara viu fluxos de energia que antes lhe eram invisíveis, sombras que se moviam nas periferias da realidade, entidades disfarçadas nas formas humanas.

"Eles já estão aqui", Elias declarou, a voz tensa. "Os agentes dos Deuses Antigos, disfarçados entre os mortais. Eles sentiram a nossa conexão."

Clara sentiu um aperto no estômago. A normalidade que ela tanto almejava estava mais distante do que nunca. "O que faremos?"

"Voltaremos. Precisamos estar preparados. Sofia precisa saber. Ela é sua aliada, sua âncora na realidade humana." Elias estendeu a mão, e a névoa que os trouxera de volta ao café começou a se formar novamente. "Mas cuidado, Clara. Nem todos que você confia são quem parecem ser. A trama celestial é complexa, e os laços de lealdade podem ser facilmente quebrados."

Ele a beijou novamente, um beijo intenso e cheio de promessa. "O amor entre nós é a nossa maior arma. Não deixe que o medo apague essa chama."

Quando a névoa os envolveu, Clara sentiu um puxão familiar, e de repente, ela estava de volta ao café, sentada à mesa com Sofia. A luz fraca do ambiente parecia ofuscante após a escuridão vibrante do refúgio de Elias. Sofia estava pálida, com os olhos arregalados de espanto.

"Clara! Onde você foi? Parecia que você tinha... sumido!" Sofia exclamou, sua voz ainda trêmula. "Eu vi... eu vi uma névoa escura te engolindo!"

Clara olhou para Sofia, a intensidade do que havia vivenciado ainda fresca em sua mente. Ela sabia que não poderia esconder a verdade. Elias estava certo. Sofia precisava saber.

"Sofia", Clara disse, sua voz mais firme e confiante do que jamais fora. "Eu preciso te contar tudo. E você precisa acreditar em mim."

Ela começou a falar, narrando sua jornada ao refúgio de Elias, a verdade sobre sua natureza, sobre o destino deles como almas gêmeas. Ela descreveu o juramento de Elias, a ameaça dos Deuses Antigos e a necessidade de estarem preparados. Sofia a ouviu atentamente, seus olhos alternando entre incredulidade e uma crescente aceitação. A determinação de Clara, a convicção em sua voz, desarmaram o ceticismo de Sofia.

"Eu... eu não sei o que dizer, Clara", Sofia finalmente disse, após um longo silêncio. "Isso é... é algo saído de um livro de fantasia. Mas eu vi você sumir. E eu sinto essa... essa aura diferente em você. Uma força que não estava lá antes."

"É real, Sofia. E Elias me disse que nem todos que confiamos são quem parecem ser. Precisamos ser cuidadosas." Clara sentiu a necessidade de alertar Sofia sobre qualquer possível traição.

Sofia assentiu, sua expressão séria. "Eu entendi. Se você diz que ele é seu, e que ele vai te proteger, eu acredito em você. E eu vou te ajudar. De qualquer forma que eu puder."

Naquele momento, sob o olhar atento de Sofia, Clara sentiu um fio de esperança. Ela não estava sozinha. Sua ligação com Elias era um farol em meio à escuridão iminente, e a amizade de Sofia era um escudo precioso. A trama celestial estava se desenrolando, e eles, juntos, estavam prontos para enfrentá-la. O juramento de proteção de Elias era o seu escudo, e o amor deles, a sua arma mais poderosa.

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