Alma Gêmea do Devorador

Capítulo 4 — O Legado Sombrio e a Fúria da Natureza

por Nathalia Campos

Capítulo 4 — O Legado Sombrio e a Fúria da Natureza

A atmosfera no Grande Salão era pesada, carregada de uma energia ancestral que Clara sentia pulsar em suas veias. As figuras sombrias que a cercavam, os outros Devoradores, a observavam com uma intensidade que a fazia sentir-se simultaneamente exposta e protegida. Dante permanecia ao seu lado, sua presença uma âncora sólida em meio àquele mar de forças desconhecidas.

Uma das figuras, uma mulher de beleza etérea e olhos que brilhavam como estrelas distantes, deu um passo à frente. Sua voz era um sussurro melodioso, mas carregava o peso de séculos. “Você retornou, alma antiga. O ciclo se completa.”

Clara olhou para Dante, confusa. “Retornou? Eu não entendo.”

Dante pousou uma mão em seu ombro. “Você já esteve ligada ao nosso mundo antes, Clara. Em outras vidas. Em outros tempos. Você era uma de nós, em essência, embora em forma diferente. Um elo entre nossa existência e a mortalha que vocês chamam de vida.”

A mulher-estrela sorriu. “Sua alma carrega o legado dos Primeiros. Você tem a capacidade de ver o que os outros não veem, de sentir o que os outros ignoram. E agora, com Dante ao seu lado, você poderá despertar todo o seu potencial.”

Clara sentiu um calafrio percorrer sua espinha. A ideia de ter vivido outras vidas, de ter sido algo mais do que a mulher que conhecia, era avassaladora. Era como desvendar um livro antigo, cujas páginas revelavam a história de sua própria alma.

“Mas como?”, perguntou Clara. “Eu sou apenas uma curadora. Eu não tenho poderes.”

Dante a puxou gentilmente para perto. “Você tem poderes, Clara. Você apenas não os reconhece. Sua sensibilidade é o início. Sua capacidade de sentir as energias, de prever eventos, de se conectar com o invisível. Eu te ensinarei a canalizar tudo isso. A usá-lo para compreender o equilíbrio do mundo.”

Um dos Devoradores mais imponentes, com uma aura de força bruta e um olhar penetrante, deu um passo à frente. Sua voz era grave, como o trovão distante. “O equilíbrio está em perigo. A natureza clama por auxílio. Há forças desequilibradas que precisam ser contidas.”

Clara sentiu uma onda de inquietação percorrer o salão. Os outros Devoradores assentiram em concordância, seus olhos fixos em Dante e Clara.

“O que está acontecendo?”, perguntou Clara, sentindo a gravidade das palavras.

Dante suspirou, um tom de preocupação em sua voz. “Há um desequilíbrio crescente. A ganância humana, a destruição do planeta, tudo isso está enfurecendo a própria essência da Terra. A natureza está se voltando contra aqueles que a maltratam.”

“E nós, Devoradores, somos os guardiões desse equilíbrio”, disse a mulher-estrela. “Quando a vida se torna excessiva, quando a destruição ultrapassa os limites, nós intervimos. Absorvemos o excesso, restauramos a ordem.”

“Mas desta vez, o desequilíbrio é maior do que nunca”, acrescentou o Devorador imponente. “A fúria da natureza está se manifestando de formas perigosas. Cataclismos, pragas, desastres naturais que fogem do controle. E a humanidade, em sua cegueira, não consegue perceber.”

Clara sentiu um arrepio de medo e responsabilidade. Ela sempre sentiu a dor do planeta, a fragilidade da natureza, mas nunca imaginou que pudesse ser tão séria.

“Como eu posso ajudar?”, perguntou Clara, sua voz firme, apesar do medo que a consumia. “Eu não sou forte como vocês.”

Dante a olhou com ternura. “Sua força não está na violência, Clara, mas na compreensão. Você pode sentir as entranhas da Terra, sua dor, sua raiva. Você pode ser a voz que os outros não ouvem. Eu te ensinarei a traduzir os gritos da natureza em ações que podemos compreender e conter.”

Ele a guiou para o centro do círculo de pedras, onde um padrão intrincado estava gravado no chão. As pedras pulsavam com uma luz suave e esverdeada. “Este é um portal. Um ponto de conexão com as energias primordiais do planeta. Quando eu te der o sinal, você deve se concentrar e sentir a Terra. Deixe que ela fale com você.”

Clara assentiu, sentindo seu coração acelerar. Ela estava prestes a fazer algo que transcendia tudo o que ela jamais imaginou ser possível.

“Lembre-se, Clara”, disse Dante, seus olhos azuis fixos nos dela. “Você não está sozinha. Eu estarei com você. E juntos, faremos o que for necessário para restaurar o equilíbrio.”

No momento seguinte, Dante deu um leve toque em seu ombro. Clara fechou os olhos, respirou fundo e se concentrou. O ar ao seu redor começou a vibrar com uma energia intensa. Ela sentiu o chão sob seus pés pulsando, como um coração gigante. Sons estranhos começaram a ecoar em sua mente: o rugido furioso dos ventos, o lamento das águas inundando cidades, o grito silencioso das florestas em chamas.

Era a Terra. Ferida. Enfurecida. Sofrendo.

As imagens eram vívidas, a dor era palpável. Clara sentiu lágrimas escorrerem por seu rosto, lágrimas de empatia e de tristeza. Ela viu a ganância humana, a destruição sem limites, e sentiu a resposta implacável da natureza.

“É demais…”, sussurrou Clara, sentindo-se sobrecarregada.

“Concentre-se, Clara!”, a voz de Dante ecoou em sua mente, firme e encorajadora. “Sinta a força em você. A força dos Primeiros. Traduza essa dor em compreensão.”

Clara lutou para se concentrar. Ela pensou em Dante, em seu amor, em sua promessa de guiá-la. Ela pensou na beleza do mundo que estava sendo destruída. E, lentamente, a dor começou a se transformar em algo mais. Não era mais apenas sofrimento, mas uma compreensão profunda da necessidade de equilíbrio. Ela sentiu a Terra não como uma inimiga, mas como uma mãe ferida, reagindo à dor.

Quando Clara abriu os olhos, as figuras sombrias dos outros Devoradores a observavam com um respeito renovado. A luz no salão parecia mais intensa, e o ar vibrava com uma energia curativa.

“Ela sente. Ela compreende”, disse a mulher-estrela, um tom de admiração em sua voz.

“A fúria da natureza é um sinal de alerta”, disse o Devorador imponente. “Ela nos mostra o caminho. E agora, Clara, você pode nos ajudar a seguir esse caminho.”

Dante sorriu para Clara, um sorriso de orgulho e amor. “Você fez isso, alma gêmea. Você ouviu o chamado da Terra. E agora, faremos o que for preciso para proteger nosso lar.”

Clara sentiu uma força nova em si mesma, não a força bruta dos Devoradores, mas uma força de compreensão, de empatia, de conexão. Ela sabia que sua jornada estava apenas começando, e que o caminho seria perigoso e desafiador. Mas com Dante ao seu lado, ela estava pronta para enfrentar o legado sombrio que agora fazia parte de sua existência. A fúria da natureza era um chamado, e ela, Clara, estava pronta para responder.

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