O Pacto da Lua de Sangue

O Pacto da Lua de Sangue

por Luna Teixeira

O Pacto da Lua de Sangue

Por Luna Teixeira

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Capítulo 11 — O Eco da Maldição

O ar na cabana de madeira parecia ter se tornado denso, pesado com o peso de segredos não ditos e a melancolia da noite. A lua cheia, agora banhada num tom carmesim assustador, espremia-se entre as nuvens como um olho ferido, lançando reflexos fantasmagóricos sobre as folhas secas que cobriam o chão da floresta. Lá dentro, sob a luz trêmula de uma lamparina a querosene, Elena sentia o corpo vibrar com uma energia estranha, um arrepio que não vinha do frio. A maldição, latente por tantos anos, parecia estar despertando, agitada pelo ritual da noite anterior. Seus olhos, antes de um verde vibrante, agora pareciam mais escuros, refletindo as chamas da lamparina com uma intensidade que a assustava.

Ao seu lado, Daniel, com os cabelos escuros despenteados e o rosto marcado pela fadiga e pela preocupação, observava-a com uma mistura de admiração e temor. Ele havia presenciado a transformação sutil, a força bruta que emanava dela, o olhar de predador que por vezes surgia em seus olhos. A promessa de proteção que ele fizera a si mesmo, e a ela, agora parecia mais frágil do que nunca.

"Você está bem, Elena?", perguntou Daniel, a voz rouca, buscando um fio de normalidade em meio à crescente estranheza. Ele estendeu a mão, hesitando antes de tocá-la. O calor que irradiava de sua pele era incomum.

Elena piscou, as pálpebras pesadas como se estivessem cobertas de areia. O toque dele a trouxe de volta à realidade, mas a realidade dela estava mudando. "Eu... eu não sei, Daniel. Sinto... uma força diferente correndo em mim. É como se... algo estivesse faminto." Sua voz era um sussurro assustado. Ela olhou para as próprias mãos, observando os dedos longos e finos, as unhas que pareciam mais afiadas do que o normal. "A maldição... está mais forte, não está?"

Daniel assentiu, os ombros caindo ligeiramente. "O ritual, a lua... parece que tudo se uniu para intensificá-la. Sinto isso em mim também. Uma inquietação. Uma vontade de... de correr, de sentir o vento na pele." Ele deu um passo para trás, como se a força que emanava dela fosse física. "Não sei se consigo te controlar se... se a besta tomar o controle. Se eu puder te impedir, eu irei."

A determinação em sua voz era palpável, mas Elena percebeu a hesitação, o medo velado. Ele também era um homem preso a um destino sombrio. "Não fale assim, Daniel", disse ela, a voz ganhando um tom de urgência. "Nós estamos juntos nisso. Você me prometeu. E eu prometi a mim mesma que não deixaria essa maldição me consumir. Precisamos entender o que está acontecendo. O que o meu avô fez? Por que ele selou essa força em nossa linhagem?"

A cabana, antes um refúgio, agora parecia um palco para o drama que se desenrolava dentro deles. As sombras dançavam nas paredes, ecoando os conflitos internos. Elena caminhou até a janela, afastando as cortinas pesadas. A floresta lá fora, um mar escuro sob o luar carmesim, parecia chamá-la. Uma atração primitiva, um instinto ancestral. Ela sentiu um nó na garganta. A criatura dentro dela ansiava pela liberdade, pela escuridão da mata, pelo cheiro de presa.

"Ele fez isso para nos proteger, Elena", Daniel falou, aproximando-se novamente, mas mantendo uma distância respeitosa. "Para que ninguém mais fosse ferido. Ele acreditava que, ao conter a besta em nossa família, ele a estaria mantendo sob controle. Mas talvez ele tenha subestimado o poder do sangue. Ou talvez... talvez ele não estivesse contando com a lua de sangue."

Elena se virou, o rosto iluminado pela luz da lamparina, seus olhos fixos nos dele. "Subestimado? Ou talvez ele quisesse que eu passasse por isso. Que eu aprendesse a controlar essa força. Que eu me tornasse mais forte do que ele." Uma faísca de raiva, misturada com o medo, brilhou em seus olhos. "Onde estão os diários dele? O que mais ele deixou escrito? Precisamos encontrar as respostas, Daniel. Não podemos mais nos esconder."

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo crepitar da lamparina e pelo sussurro do vento lá fora. Daniel a observava, a admiração crescendo em seu peito. Ela não era apenas uma vítima da maldição; ela era uma guerreira, lutando contra seu próprio destino com uma coragem que o inspirava.

"Os diários estão no sótão", disse ele, sua voz baixa, mas firme. "Eu os escondi. Não achei que seria necessário... mas agora..." Ele fez uma pausa, reunindo coragem. "Acho que está na hora de desenterrar o passado. Juntos."

Elena assentiu, um fraco sorriso surgindo em seus lábios. "Juntos", repetiu ela, a palavra soando como um juramento. Ela sabia que o caminho à frente seria árduo, repleto de perigos e descobertas sombrias. Mas pela primeira vez desde que a maldição se manifestou com tanta força, ela sentiu um vislumbre de esperança. A esperança de que, ao desvendar os segredos de seu avô, ela poderia encontrar uma maneira de quebrar o ciclo de escuridão que pairava sobre sua família.

Enquanto Daniel se movia em direção a uma escada precária que levava ao sótão, Elena se permitiu um momento para sentir a força que pulsava em suas veias. Não era apenas uma maldição; era um poder latente. Um poder que, se dominado, poderia não apenas salvar a si mesma, mas também proteger aqueles que ela amava. A lua de sangue, agora em seu zênite, parecia iluminar não apenas a floresta, mas também o caminho tortuoso que ela estava prestes a trilhar. O eco da maldição estava se tornando mais alto, mas agora, Elena estava pronta para responder.

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