O Pacto da Lua de Sangue

Capítulo 12 — O Sótão das Memórias Sombrias

por Luna Teixeira

Capítulo 12 — O Sótão das Memórias Sombrias

A madeira rangia sob seus pés, cada passo no assoalho do sótão parecendo um tropeço na própria história. O ar ali era mofado, carregado com o cheiro de papel velho, poeira e algo mais, algo adocicado e levemente metálico, um aroma que Elena associava aos seus pesadelos mais vívidos. A luz da lamparina de Daniel, que ele segurava com firmeza, lançava sombras dançantes sobre pilhas de caixas empoeiradas, móveis cobertos por lençóis brancos como fantasmas silenciosos e teias de aranha que brilhavam como fios de prata na penumbra. A lua de sangue, espreitando por uma claraboia empoeirada, tingia tudo com um tom sinistro, tornando o ambiente ainda mais opressor.

Elena respirava fundo, tentando controlar a ansiedade que apertava seu peito. Cada objeto naquele lugar parecia conter um fragmento do passado de seu avô, um passado que ela agora precisava desenterrar para entender o seu próprio presente. Daniel a seguia de perto, seus olhos varrendo o ambiente com uma cautela que espelhava a dela. Ele sabia que ali residiam não apenas respostas, mas também perigos.

"Ele guardava tudo aqui", murmurou Daniel, sua voz abafada pela atmosfera pesada. "Desde que eu era criança, ele sempre me dizia para não subir aqui. Dizia que era um lugar perigoso." Ele parou ao lado de um grande baú de madeira escura, adornado com entalhes intrincados de lobos e luas. "Acho que ele estava falando de nós, Elena. Ou melhor, do que ele esperava que nós nos tornaríamos."

Elena se aproximou do baú, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. Ela passou os dedos sobre os entalhes, sentindo a aspereza da madeira sob a camada de poeira. Parecia um portal para um tempo esquecido, um tempo onde a magia e a besta coexistiam. "Os diários", disse ela, a voz quase inaudível. "Onde ele os escondeu?"

Daniel assentiu, apontando para um canto escuro onde uma pilha de malas antigas e cobertas se empilhavam. "Eu acho que estão ali. Ele me mostrava uma vez, quando eu era bem jovem, disse que eram os 'segredos da família'. Eu nunca entendi o que ele queria dizer, até agora." Ele se ajoelhou, começando a remover as malas com cuidado, revelando um pequeno compartimento secreto na parede, oculto atrás de um painel solto.

Com um clique suave, o painel se abriu, revelando uma cavidade escura. Dentro, empilhados cuidadosamente, estavam vários cadernos encadernados em couro escuro. Alguns pareciam antigos, com as páginas amareladas e as capas desgastadas. Outros, mais recentes, pareciam ter sido escritos com mais urgência.

Elena pegou o caderno mais antigo, com as pontas das páginas lascadas. A capa estava em branco, sem título. Ao abri-lo, as letras cursivas e elegantes de seu avô preencheram a página. Era uma escrita que ela reconhecia de cartas antigas, mas agora, parecia carregada de um peso diferente.

"Minha querida Elena", começou a leitura, sua voz embargada pela emoção. "Se você está lendo isto, é porque a maldição despertou. E se ela despertou, é porque o ciclo não pôde ser quebrado. Eu lamento não ter encontrado uma maneira de livrar nossa linhagem desse fardo, mas espero que você, minha neta, tenha a força que eu não tive."

Daniel se aproximou, observando Elena ler, o silêncio do sótão pontuado apenas pelo som das páginas sendo viradas. Ele sabia que a leitura seria dolorosa, mas também crucial.

"A maldição", continuou Elena, seus olhos fixos nas palavras antigas, "não é apenas uma fera que nos assombra. É uma parte de nós. Uma força primordial que, se não for controlada, nos consome. Meu pai, seu bisavô, foi o primeiro a sucumbir. Ele tentou resistir, mas a bestia era forte demais. Ele se tornou um recluso, temido e odiado. Eu jurei que isso não aconteceria comigo."

Elena virou outra página, seu rosto pálido. "Eu passei anos estudando os segredos da nossa família, buscando uma maneira de dominar essa força. Eu aprendi sobre os rituais, sobre os símbolos, sobre o pacto que nossos ancestrais fizeram com as criaturas da noite, buscando poder, mas pagando um preço alto demais."

Ela parou, respirando fundo, antes de continuar a ler a escrita de seu avô. "O pacto foi selado sob uma lua de sangue. Uma lua de poder imenso, capaz de despertar o que está adormecido. Eu fui o guardião, mantendo a besta sob controle através de rituais e sacrifícios. Sacrifícios que nunca foram fáceis. Sacrifícios que me deixaram marcado."

A voz de Elena tremia agora. Daniel estendeu a mão, pousando-a gentilmente em seu ombro. O toque era reconfortante, um ponto de ancoragem em meio à tempestade de emoções.

"Eu tentei isolar a maldição", prosseguiu Elena, lendo as palavras de seu avô com mais dificuldade. "Eu a contive em mim, acreditando que poderia controlá-la. Mas o meu tempo está acabando. Sinto que a besta está se fortalecendo, esperando o momento certo para emergir. E o momento certo... é agora."

Um silêncio pesado caiu sobre eles. Elena fechou o diário com um suspiro, seus olhos marejados. "Ele estava fugindo de si mesmo", disse ela, a voz embargada. "Ele se tornou o carcereiro da própria alma. Ele viveu com medo, lutando contra a besta que ele mesmo alimentava."

Daniel apertou seu ombro. "Mas ele também tentou te proteger, Elena. Ele te preparou. Ele te deixou essas informações para que você tivesse uma chance." Ele pegou outro diário, este com uma capa mais escura e um fecho de metal. "Parece que há mais."

Enquanto Daniel folheava outro caderno, Elena sentiu um arrepio percorrer seu corpo, mais forte do que antes. A energia que pulsava nela parecia responder àquelas palavras antigas, à proximidade da maldição que seu avô lutara tanto para conter. Ela podia sentir os ecos da luta dele em seu próprio corpo.

"Aqui", disse Daniel, sua voz subitamente tensa. "Ele fala sobre a Lua de Sangue. Não é apenas um evento celestial. É um portal. Um amplificador. Ele diz que a cada Lua de Sangue, a besta se torna mais forte, e o vínculo com o hospedeiro se aprofunda." Ele ergueu os olhos, encontrando os de Elena. "Isso significa que a força que você está sentindo agora... é apenas o começo."

Elena balançou a cabeça, um nó se formando em sua garganta. A ideia de que a força que a consumia poderia aumentar ainda mais era aterrorizante. "Mas ele também fala sobre controle. Sobre rituais de contenção. Ele não encontrou uma maneira de se livrar dela, mas ele a mantinha sob rédea. Deve haver algo aqui que possa nos ajudar."

Eles passaram o resto da noite no sótão, mergulhados nos escritos de seu avô. Cada página revelava um pouco mais da complexa e sombria história de sua família. Descobriram sobre os ancestrais que fizeram o pacto original, sobre as criaturas que os ajudaram e sobre o preço terrível que pagaram. Aprenderam sobre os rituais de purificação, sobre os amuletos de proteção e sobre a importância da força de vontade para manter a besta sob controle.

À medida que o sol começava a pintar o céu com tons de cinza e rosa, Elena sentiu uma nova determinação em seu coração. A maldição era um fardo, sim, mas também era uma força. Uma força que, com o conhecimento certo, poderia ser direcionada. O sótão, antes um lugar de medo e incertezas, agora parecia um santuário de sabedoria ancestral. Ela não estava sozinha em sua luta. Ela tinha o legado de seu avô, a força de sua própria linhagem e a presença inabalável de Daniel ao seu lado. O eco da maldição ainda ressoava, mas agora, Elena sabia que ela tinha a voz para responder.

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