Entre Vampiros e Sereias de Lenda

Capítulo 13 — O Labirinto Subterrâneo e o Preço da Liberdade

por Nathalia Campos

Capítulo 13 — O Labirinto Subterrâneo e o Preço da Liberdade

A escuridão parecia engolir Miguel e Isabela assim que eles deixaram a segurança do casarão. A floresta de Vila das Brumas, que durante o dia podia ser traiçoeira, à noite se transformava em um reino de sombras e sussurros. Cada galho que estalava sob seus pés, cada coruja que piava no alto das árvores, parecia um prenúncio de perigo. O medalhão de concha nas mãos de Miguel emitia um brilho fraco, pulsando em direção a um ponto específico na escuridão, um guia para o covil de Vladislav.

"Ele a levou para o subterrâneo", murmurou Miguel, o olhar fixo no medalhão. "Deve ser um dos antigos túneis que ligam Vila das Brumas a outras regiões. Lugares que os ancestrais usavam para se esconder."

Isabela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A ideia de se aventurar em túneis escuros e claustrofóbicos, provavelmente infestados por criaturas da noite, não era nada reconfortante. Mas o pensamento de Aurora, indefesa nas mãos de Vladislav, a impulsionava. Ela se aproximou de Miguel, tocando seu braço em um gesto de apoio. A preocupação em seus olhos era palpável, mas a determinação em seu semblante era ainda maior.

"Não se preocupe, Miguel. Nós vamos encontrá-la", disse ela, a voz firme. "E vamos tirá-la de lá."

O caminho os levou a uma clareira escondida, onde uma antiga entrada de pedra, parcialmente coberta por musgo e heras, se revelou. Era a boca de um túnel, um abismo escuro que parecia engolir qualquer esperança. O medalhão pulsou com mais intensidade, indicando que a passagem estava ali.

Miguel desativou uma armadilha antiga, um fio disfarçado que, ao ser tocado, dispararia dardos envenenados. A inteligência e os instintos de caçador que ele herdara de seus ancestrais eram inestimáveis. Eles desceram para o túnel, a escuridão os envolvendo como um manto úmido e frio. O ar estava rarefeito, com cheiro de terra molhada e de algo mais… metálico, como o cheiro de sangue antigo.

As paredes do túnel eram irregulares, esculpidas na rocha viva. Em alguns pontos, hieróglifos antigos brilhavam fracamente sob a luz tênue que emanava do medalhão. Elias havia lhes dado um pequeno cristal que, quando ativado, emitia uma luz azulada, suficiente para iluminar o caminho sem atrair atenção indesejada.

"Esses são os símbolos dos antigos guardiões de Vila das Brumas", explicou Miguel, passando os dedos pelas gravuras. "Eles protegiam a passagem contra intrusos. Parece que Vladislav encontrou uma forma de burlar as proteções."

A medida que avançavam, o som de gotas d'água ecoava nas profundezas, misturando-se a ruídos estranhos e distantes que os deixavam tensos. Isabela sentia a própria natureza vampírica se agitar, uma mistura de instinto de sobrevivência e de repulsa pela escuridão que parecia habitada por criaturas menos… nobres.

O túnel se bifurcou, e o medalhão começou a pulsar em duas direções.

"O quê? Ele está tentando nos confundir?", perguntou Isabela, apreensiva.

"Não", respondeu Miguel, concentrando-se no brilho do medalhão. "Um é o caminho principal, o outro é um desvio, talvez uma armadilha. Mas sinto que Aurora está em ambos os caminhos, de alguma forma. Como se sua essência estivesse espalhada."

Eles escolheram o caminho que parecia mais direto, guiados pelo brilho mais forte do medalhão. A medida que avançavam, o túnel se alargou, revelando uma caverna subterrânea colossal, iluminada por cristais bioluminescentes que brotavam das paredes e do teto. No centro da caverna, em um altar de pedra negra, estava Aurora, inconsciente, com os cabelos prateados espalhados como uma auréola macabra.

Ao redor dela, Vladislav, com seus olhos vermelhos brilhando na penumbra, e alguns de seus seguidores, vampiros de aparência selvagem e brutal. O velho vampiro segurava uma adaga de obsidiana, cujas pontas pareciam sugar a própria luz.

"Chegaram tarde demais", sibilou Vladislav, um sorriso cruel se espalhando em seus lábios pálidos. "A Sereia de Ouro cantará para mim, e a aurora vermelha finalmente amanhecerá."

O ar na caverna ficou pesado, carregado de uma energia sinistra. Isabela sentiu o poder de Vladislav emanar dele, uma força antiga e corrompida que a fez estremecer.

"Você não vai conseguir, Vladislav!", gritou Miguel, desembainhando sua espada, que parecia brilhar com uma luz própria, alimentada pela coragem de seu portador. "Liberte-a!"

A batalha começou. Miguel, com a agilidade e a força de um guerreiro treinado, enfrentou Vladislav, enquanto Isabela se lançou contra os seguidores do vampiro. A caverna se tornou um palco de sombras e luz, de rugidos e gritos. A espada de Miguel cruzava-se com a adaga de obsidiana de Vladislav, faíscas de energia negra e dourada explodindo a cada impacto.

Isabela, com a velocidade e a precisão de sua natureza vampírica, desarmava e neutralizava os seguidores de Vladislav. Ela sentia o sangue pulsar em suas veias, a adrenalina a impulsionando a lutar com uma ferocidade que a surpreendia. Mas, em meio à luta, ela via Aurora, imóvel no altar, e um medo profundo a consumia.

"O canto dela é a chave!", gritava Vladislav, desferindo um golpe poderoso que fez Miguel cambalear. "Um canto de pura essência, capaz de abrir os portais entre os mundos! Com ele, eu controlarei ambos!"

Enquanto lutavam, um dos seguidores de Vladislav, um vampiro com olhos vazios e uma força descomunal, agarrou Isabela pelas costas, tentando imobilizá-la. Ela lutou para se soltar, mas ele a segurava com força surpreendente.

"Você não pode me deter, humana!", rosnou o vampiro.

De repente, um som fraco e etéreo ecoou pela caverna. Era Aurora, que, mesmo inconsciente, emitia um murmúrio melódico, um reflexo de seu poder adormecido. O som parecia enfraquecer momentaneamente os seguidores de Vladislav, que vacilaram.

Miguel aproveitou a distração. Com um movimento rápido, ele desarmou Vladislav e o empurrou contra a parede de cristais.

"Seu tempo acabou, Vladislav!", gritou Miguel, a voz ressoando na caverna. "A luz sempre prevalece sobre a escuridão!"

Vladislav riu, um som seco e desprovido de alegria. "Você é tolo se pensa que pode me derrotar tão facilmente. Eu sou a própria escuridão."

Enquanto isso, Isabela, com um esforço supremo, conseguiu se livrar do seguidor de Vladislav e correu em direção a Aurora. Ela se ajoelhou ao lado da sereia, tocando seu rosto pálido.

"Aurora, acorde! Precisamos sair daqui!", implorou Isabela.

E então, algo aconteceu. O medalhão de concha, que Miguel havia deixado cair durante a luta, rolou para perto de Aurora. Ao tocar a pele fria da sereia, o medalhão emitiu um brilho intenso, e uma onda de energia percorreu seu corpo.

Aurora abriu os olhos, um brilho azulado e poderoso neles. Ela se sentou, olhando para Miguel e Isabela com uma clareza renovada.

"Eu senti… senti o medo de vocês. E o amor", disse ela, a voz ainda fraca, mas com uma força que não existia antes. "E eu não posso deixá-los lutarem sozinhos."

Com um gesto, Aurora estendeu as mãos. O canto que emanava dela agora era mais forte, mais vibrante. A caverna tremeu, e uma onda de água pura e cristalina jorrou do chão, envolvendo os seguidores de Vladislav e os arrastando para longe.

Vladislav, furioso, avançou novamente contra Miguel. Mas, desta vez, Aurora direcionou seu canto para ele. A melodia, carregada com a força primordial do oceano, atingiu o vampiro em cheio. Ele gritou, sua pele parecendo se desintegrar sob o poder da canção.

"Impossível! Essa força…", sibilou ele, antes de ser engolido por uma onda de água que o arrastou para as profundezas escuras do túnel.

A caverna se acalmou. Os seguidores de Vladislav haviam sido dispersos, e o velho vampiro havia desaparecido, aparentemente derrotado. Miguel e Isabela correram para Aurora, abraçando-a em um misto de alívio e gratidão.

"Vocês me salvaram", sussurrou Aurora, os olhos marejados.

"Nós fizemos isso juntos", respondeu Miguel, o alívio tomando conta dele. "Mas precisamos sair daqui. O preço da liberdade foi alto, e não sabemos se ele voltará."

Eles emergiram do túnel subterrâneo, encontrando o sol da manhã pintando o céu de Vila das Brumas. A jornada havia sido árdua, mas eles haviam enfrentado a escuridão e saído vitoriosos. O laço entre eles, e com Aurora, havia se fortalecido em meio ao perigo. Mas a sensação de que a luta ainda não havia acabado pairava no ar, um presságio sombrio do que o futuro reservava.

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