Entre Vampiros e Sereias de Lenda

Capítulo 7 — As Ruínas Antigas e a Canção do Desespero

por Nathalia Campos

Capítulo 7 — As Ruínas Antigas e a Canção do Desespero

O dia amanheceu com uma promessa de sol, mas o ar ainda trazia a umidade salgada e o aroma das flores exóticas que desabrochavam na Costa das Neblinas. Lira sentia-se diferente, um misto de euforia e apreensão. O beijo de Kael, a conexão que sentiram, havia despertado nela algo profundo, algo que ela não sabia que existia. As escamas em suas mãos pareciam menos um fardo e mais uma parte integral de quem ela era.

Mara a encontrou perto das falésias, observando o mar revolto. Seus olhos, que já haviam visto muitas luas, pareciam carregar uma preocupação velada.

“Sua aurora é diferente hoje, Lira”, disse Mara, sua voz suave como a maré baixa. “Ainda sente os ecos da noite passada?”

Lira corou, um leve tom rosado surgindo em suas maçãs do rosto. “Sim, Mara. E… e Kael. Ele é… ele é algo que eu nunca imaginei.”

Mara sorriu, um sorriso que não alcançou seus olhos. “O amor, minha querida, é a mais poderosa e a mais perigosa das magias. Ele pode curar, mas também pode destruir. E quando ele cruza a linha entre o vivo e o imortal, entre a água e a terra, a tempestade se torna inevitável.”

“Ele disse que está sendo perseguido”, Lira confessou, os olhos fixos nas ondas que quebravam nas rochas. “Por algo chamado Ordem da Sombra. Ele teme por sua vida.”

“A Ordem da Sombra é uma lenda antiga, Lira. Uma irmandade de caçadores de seres sobrenaturais, que buscam erradicar tudo que foge à sua compreensão. Eles temem o poder, e os vampiros, com sua imortalidade e força, são um alvo principal. Se Kael é um deles, ele está em perigo constante.” Mara aproximou-se de Lira, colocando uma mão em seu ombro. “Mas a sua conexão com ele… isso pode ser uma arma para ele, ou uma fraqueza. Uma fraqueza que a Ordem pode explorar.”

O pensamento fez Lira estremecer. Ela era uma sereia com sangue de vampiro correndo em suas veias, uma combinação que desafiava as leis do universo. Se a Ordem descobrisse sua existência, ela seria caçada da mesma forma.

“O que podemos fazer, Mara?”, Lira perguntou, a voz tingida de urgência.

“Precisamos entender mais sobre Kael e sobre o que ele está procurando aqui. Há ruínas antigas nas proximidades, escondidas pela vegetação densa. Diz a lenda que ali residem segredos ancestrais, relíquias de tempos esquecidos. Talvez encontremos respostas lá.” Mara olhou para o céu, onde algumas nuvens começavam a se formar. “Mas o tempo é um inimigo traiçoeiro. E as sombras que Kael teme… elas se movem rapidamente.”

Juntas, Lira e Mara adentraram a floresta densa que margeava a Costa das Neblinas. O ar ali era mais fresco, perfumado com o cheiro de terra úmida e folhas em decomposição. A vegetação era exuberante, com árvores centenárias cujos galhos retorcidos pareciam abraçar o céu. Lira sentia a energia pulsante da floresta ao seu redor, um contraste com a salgada vitalidade do mar.

Após horas de caminhada, guiadas por Mara com uma precisão surpreendente, chegaram a uma clareira escondida. Ali, entre trepadeiras e samambaias gigantes, erguiam-se as ruínas de uma construção antiga. Pedras desgastadas pelo tempo, cobertas de musgo, formavam arcos quebrados e paredes em ruínas. Era um lugar de beleza melancólica, onde o passado parecia sussurrar em cada pedra.

“Este lugar pertenceu a uma antiga civilização, talvez até anterior à chegada dos primeiros humanos a estas terras”, Mara explicou, sua voz ecoando na quietude. “Conta a lenda que aqui existia um templo dedicado aos espíritos do mar e da terra, um lugar de poder e conhecimento. Mas algo aconteceu… uma catástrofe, um abandono. E as ruínas foram esquecidas pelo tempo.”

Lira sentiu uma atração estranha por aquele lugar. As pedras antigas pareciam vibrar com uma energia adormecida, e a própria atmosfera era carregada de mistério. Ela caminhou entre os escombros, passando as mãos pelas superfícies frias e ásperas. Em um dos arcos parcialmente intactos, ela notou gravuras desgastadas, símbolos que ela não reconhecia, mas que pareciam carregar um significado profundo.

“Olhe, Mara”, Lira disse, apontando para as gravuras. “O que são esses símbolos?”

Mara se aproximou, seus olhos percorrendo os desenhos antigos. “Parecem ser… runas. Linguagem esquecida de seres que habitavam este continente antes mesmo dos elfos e dos anões. Uma linguagem de poder, ligada aos elementos primordiais.” Ela parou, seus olhos se fixando em um símbolo em particular, um círculo com três linhas onduladas no centro. “Este símbolo… ele representa a união dos opostos. A água e o fogo. A noite e o dia. A vida e a morte.”

Lira sentiu um arrepio. Era a sua essência, a sua dualidade, gravada na pedra há séculos. “A união dos opostos… Kael e eu?”

“Talvez”, Mara respondeu pensativa. “Ou talvez seja um aviso. Uma profecia sobre um evento de grande magnitude. A convergência de forças opostas pode trazer equilíbrio, ou pode gerar o caos.”

De repente, um som cortou o silêncio: um lamento longo e doloroso, que parecia vir das profundezas da terra. Era um som carregado de desespero, uma canção de angústia que fez Lira se encolher.

“O que é isso?”, ela perguntou, o medo apertando sua garganta.

Mara empalideceu. “É a Canção do Desespero. Diz a lenda que é o lamento de um espírito antigo, aprisionado nestas ruínas, que clama por liberdade. Um espírito que foi traído e abandonado.”

A canção se intensificou, um eco de dor que parecia perfurar a alma. Lira sentiu as escamas em suas mãos vibrarem, respondendo àquela energia negativa.

“Precisamos sair daqui, Mara!”, Lira exclamou.

Mas antes que pudessem se mover, uma sombra se materializou em um dos arcos quebrados. Uma figura alta e esguia, envolta em vestes escuras, com os olhos brilhando com uma luz vermelha sinistra. Era um vampiro, mas diferente de Kael. A aura que emanava dele era fria e predatória, carregada de uma malícia palpável.

“Ora, ora, o que temos aqui?”, a figura sibilou, sua voz rouca e ameaçadora. “Uma sereia e uma… antiga protetora. Viemos buscar o que nos pertence.”

Lira sentiu seu sangue gelar. Era um membro da Ordem da Sombra. E ele estava ali, em busca de algo, ou alguém.

“O que você quer?”, Mara perguntou, colocando-se à frente de Lira, sua postura defensiva.

“O sangue daquele que ousa se aliar à luz”, o vampiro respondeu, um sorriso cruel se espalhando por seus lábios pálidos. “O sangue de Kael. E de quem quer que o ajude a se esconder.”

Ele deu um passo à frente, e então, uma figura familiar emergiu das sombras atrás dele. Kael. Seus olhos estavam arregalados de surpresa e horror ao ver Lira e Mara ali, e ao reconhecer o vampiro à sua frente.

“Você!”, Kael rosnou, sua voz cheia de fúria.

“Ora, meu caro Kael”, o vampiro zombou. “Vejo que você tem estado… ocupado. Trazendo companhia para sua fuga? Que tolo você é.”

A Canção do Desespero parecia aumentar de volume, como se a própria terra estivesse gritando em agonia. Lira sentiu uma onda de poder percorrer seu corpo. As escamas em suas mãos brilhavam intensamente, e uma força ancestral, ligada ao mar e à terra, despertava dentro dela. Ela era uma sereia, e agora, também algo mais. Ela não era apenas uma vítima. Era uma guerreira.

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