Segredos Negros da Vila Encantada

Capítulo 17 — A Revelação do Sótão e a Sombra do Passado

por Nathalia Campos

Capítulo 17 — A Revelação do Sótão e a Sombra do Passado

O sol mal havia despontado no horizonte, tingindo o céu com tons rosados e dourados, mas em Vila Encantada, a luz parecia insuficiente para dissipar a escuridão que pairava sobre a comunidade. A notícia do desaparecimento de Miguel se espalhara como um incêndio, alimentada pelos sussurros apreensivos e pelos olhares furtivos lançados em direção ao rio. A atmosfera era de apreensão, de um medo latente que se manifestava em cada canto da pequena vila.

Isabela, com os olhos inchados de tanto chorar e o corpo exausto pela noite insonia, estava sentada à mesa da cozinha de Dona Clarice. O aroma de café recém-passado e de pães assados pairava no ar, um contraste cruel com a angústia que a corroía. Dona Clarice, com sua serenidade incomum, preparava um chá de ervas, seus movimentos calmos e precisos.

“Você precisa se alimentar, minha filha”, disse Dona Clarice, colocando uma xícara fumegante à frente de Isabela. “A força virá de dentro, mas o corpo precisa de sustento.”

Isabela pegou a xícara com as mãos trêmulas, o calor reconfortante do líquido quente passando por seus dedos. “Eu não consigo pensar em mais nada, Dona Clarice. E se ele estiver… e se o rio o levou para sempre?”

“Não diga isso. Miguel é forte. E nós não vamos desistir dele”, respondeu a curandeira, sentando-se à sua frente. “O que vimos ontem à noite foi um aviso. A escuridão está ativa. Mas não está invencível.”

“Mas o que é essa escuridão? Que tesouro o rio quer? Eu não entendo nada disso”, Isabela desabafou, sentindo as lágrimas voltarem.

“É complicado, Isabela. É uma história que se perde no tempo, e que muitos em Vila Encantada preferiram esquecer. Há muito tempo, esta vila era um lugar de grande prosperidade, abençoado por uma magia antiga que emanava das águas e das montanhas. Mas a ganância de um homem… um homem que se dizia um grande benfeitor, mas que era um ladrão de almas… perturbou esse equilíbrio.” Dona Clarice fez uma pausa, seus olhos fixos em um ponto distante, como se revivesse um passado doloroso. “Ele roubou algo sagrado das profundezas do rio, algo que mantinha a harmonia. Em troca, o rio o amaldiçoou e o amaldiçoou o tesouro que ele escondeu.”

“E esse tesouro… onde ele está?”, Isabela perguntou, a curiosidade misturada à esperança de encontrar uma pista.

“Ninguém sabe ao certo. Dizem que está escondido em um lugar secreto, protegido por encantamentos e guardado pela própria escuridão que ele despertou. E agora, parece que o rio decidiu cobrar a sua dívida. E Miguel, por algum motivo que ainda não compreendemos, se tornou o alvo.”

“Mas por que Miguel?”, Isabela insistiu, a dor em sua voz misturada com uma ponta de raiva. “Ele é apenas um garoto. Ele não fez nada de errado.”

“O destino, Isabela, às vezes tem caminhos tortuosos. O que você sabe sobre a família de Miguel? Algum segredo antigo que eles guardavam?”

Isabela franziu a testa, pensando. A família de Miguel sempre foi reservada. Seus pais haviam falecido quando ele era muito jovem, e ele fora criado por sua tia, Dona Aurora, uma mulher gentil, mas sempre um pouco distante. “Não que eu saiba. Eles sempre foram muito… discretos. Dona Aurora nunca falou muito sobre o passado da família.”

De repente, uma ideia surgiu na mente de Isabela. Dona Aurora. Ela morava em uma casa antiga, cheia de relíquias e objetos que pareciam ter séculos. Talvez houvesse algo ali.

“Dona Aurora!”, exclamou Isabela. “Ela deve saber de alguma coisa! A casa dela é cheia de coisas antigas, ela é a parente mais próxima de Miguel.”

Dona Clarice concordou com a cabeça. “É uma boa pista. Talvez a resposta esteja mais perto do que pensamos. Mas não se iluda, Isabela. A escuridão não é algo que se desvenda facilmente. Ela tem seus próprios protetores.”

Impulsionada pela urgência, Isabela se despediu de Dona Clarice e correu em direção à casa de Dona Aurora. A pequena moradia, situada em uma rua mais afastada, exalava um ar de reclusão e de história. As paredes de pedra, o telhado de musgo, as janelas com vitrais antigos, tudo parecia conter as memórias de gerações.

Ao bater na porta, ela foi recebida pela própria Dona Aurora, uma mulher de semblante gentil, mas com os olhos carregados de uma tristeza que parecia ter se instalado permanentemente. Havia também uma aura de fragilidade nela, como se estivesse prestes a se desfazer.

“Isabela, minha querida. Que surpresa”, disse Dona Aurora, com um sorriso fraco. “Mas você parece aflita.”

“Dona Aurora, é sobre Miguel. Ele desapareceu ontem à noite. Nós estamos todos muito preocupados”, Isabela disse, sem rodeios.

O rosto de Dona Aurora empalideceu. As mãos que seguravam o pano de prato tremeram. “Desapareceu? Oh, meu Deus! Onde ele foi?”

“Nós não sabemos. Mas… eu vim falar com a senhora. A senhora é a única família dele. Talvez a senhora saiba de alguma coisa sobre o passado da família, algo que possa nos ajudar a encontrá-lo. Histórias, lendas…”

Dona Aurora hesitou, seus olhos marejados. Havia uma luta interna em seu olhar, uma indecisão entre o desejo de proteger e a necessidade de revelar. Finalmente, ela suspirou. “Entre, minha querida. Precisamos conversar.”

Isabela entrou na casa. O interior era ainda mais impressionante do que o exterior. Móveis antigos, objetos de decoração exóticos, quadros empoeirados de antepassados com olhares severos. O ar era denso, carregado de um perfume adocicado e levemente mofado. Havia uma sensação de que a casa em si guardava segredos.

Sentaram-se em uma sala de estar despojada, com uma lareira fria e um sofá de veludo desgastado. Dona Aurora serviu um copo d’água para Isabela, suas mãos ainda trêmulas.

“O que você sabe sobre a minha família, Isabela?”, perguntou Dona Aurora, a voz embargada.

“Muito pouco, Dona Aurora. Sei que vocês sempre foram muito reservados. Que seus pais faleceram cedo e que o Miguel foi criado pela senhora.”

Dona Aurora fechou os olhos por um instante, como se reunisse coragem. “Nossa família… tem um passado sombrio. Um segredo que foi passado de geração em geração, com a esperança de que nunca precisasse ser revelado. Mas parece que o destino tem outros planos.”

Ela fez uma pausa, respirou fundo e continuou. “Há muito, muito tempo, um de nossos ancestrais, um homem chamado Elias, se envolveu com magia antiga. Ele era um homem ambicioso, que buscava poder e riqueza. Ele se aliou a… a entidades das sombras, que habitavam as profundezas do rio. Em troca de poder, ele prometeu um grande tesouro, algo que ele havia roubado das profundezas, em um ritual que quebrou um antigo pacto de paz entre o mundo espiritual e o nosso.”

Isabela ouvia atentamente, o coração apertado. As palavras de Dona Clarice ressoavam em sua mente. Elias… era o nome que Dona Clarice mencionara.

“O rio, sentindo a profanação, lançou uma maldição sobre Elias e sua linhagem. Uma maldição que se manifestaria em tempos de grande desequilíbrio, quando a escuridão precisasse ser apaziguada. E o tesouro… ele nunca foi encontrado. Dizem que está guardado em um local secreto, um lugar onde a barreira entre os mundos é tênue. E que ele é a chave para acalmar a fúria do rio.”

“E Miguel?”, Isabela perguntou, a voz baixa. “Como ele se encaixa nisso?”

“Elias… era o meu tataravô. E Miguel… ele carrega em seu sangue a mesma marca. Ele tem uma sensibilidade latente, herdada de Elias, que o torna suscetível às energias que o rio emana. Algo nele, algum chamado interior, o levou para perto do rio. Talvez ele tenha sentido a presença do tesouro, ou a própria energia que está sendo agitada.”

Dona Aurora se levantou, a fragilidade dando lugar a uma determinação surpreendente. “Há um lugar na nossa antiga casa de campo, em um sótão escondido, onde Elias guardava seus pertences mais secretos. Pensei que fosse apenas um monte de velharias, mas talvez… talvez lá haja algo que possamos usar. Algo que possa nos dar uma pista de onde encontrar esse tesouro, ou de como acalmar o rio.”

Ela olhou para Isabela, os olhos cheios de uma súplica silenciosa. “Eu sou velha e fraca, Isabela. Mas você… você tem a força e a coragem que Miguel precisa. Eu não posso ir com você, mas posso te mostrar o caminho. O sótão… é mais do que apenas um lugar empoeirado. É um portal para o passado, para os segredos que nossa família tentou enterrar.”

Enquanto Dona Aurora a guiava para o que parecia ser um corredor esquecido nos fundos da casa, Isabela sentiu o peso da responsabilidade aumentar. O destino de Miguel parecia entrelaçado com uma história ancestral de ganância, maldição e um tesouro escondido. E a chave para desvendar tudo isso, ela suspeitava, estava em um sótão empoeirado, repleto de segredos sombrios que aguardavam para serem revelados. A escuridão não estava apenas no rio; ela se aninhava nas próprias raízes da Vila Encantada, e agora, Isabela se via no centro dessa tempestade de segredos ancestrais.

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