Dança Macabra sob o Céu de Olinda

Claro, aqui estão os primeiros cinco capítulos de "Dança Macabra sob o Céu de Olinda", escritos no estilo de um romancista brasileiro de best-sellers.

por Nathalia Campos

Claro, aqui estão os primeiros cinco capítulos de "Dança Macabra sob o Céu de Olinda", escritos no estilo de um romancista brasileiro de best-sellers.

Dança Macabra sob o Céu de Olinda Por Nathalia Campos

Capítulo 1 — O Sussurro da Maré e a Sombra da Virgem

O sol de Olinda, implacável e dourado, beijava as ladeiras centenárias, pintando de um laranja vibrante as fachadas coloniais descascadas pelo tempo e pela maresia. Era um espetáculo que se repetia há séculos, um convite silencioso às almas sensíveis para se perderem na tapeçaria de cores e cheiros que só aquela cidade, um dos berços do Brasil, sabia tecer. Para Aurora, cada raio de sol parecia carregar consigo um peso, um eco do passado que se recusava a ser silenciado.

Ela desceu a ladeira de São Bento, sentindo o suor escorrer pela testa e misturar-se com o sal que a brisa marítima depositava em sua pele. O cheiro de jasmim e de terra molhada pairava no ar, um perfume agridoce que, para ela, tinha um quê de melancolia. Aurora não era mais a jovem sonhadora que havia deixado a agitação de São Paulo em busca de paz. A paz, em Olinda, parecia ser uma miragem, um segredo guardado pelos casarões antigos e pelas igrejas em ruínas.

Seus passos ressoavam nas pedras irregulares, um som solitário em meio à quietude daquela tarde de terça-feira. A pousada, um casarão colonial restaurado com um cuidado que beirava o reverente, ficava no alto, de onde se podia avistar o azul infinito do oceano Atlântico e a linha sinuosa da costa pernambucana. A casa pertencia a Dona Ernestina, uma senhora de cabelos brancos como algodão e um olhar penetrante que parecia ver além das aparências. Aurora alugara um dos quartos nos fundos, com uma pequena varanda voltada para um jardim de mangueiras e pitangueiras, um refúgio de sombra e frescor.

Ao chegar à porta de sua pequena morada, um arrepio gelado percorreu sua espinha, algo que não tinha nada a ver com a brisa. A porta estava entreaberta, e uma luz fraca, bruxuleante, emanava de seu interior. Aurora franziu a testa. Tinha certeza de ter fechado a porta ao sair.

“Dona Ernestina?”, chamou, a voz um pouco trêmula.

Nenhuma resposta.

Com o coração batendo acelerado contra as costelas, ela empurrou a porta suavemente. O quarto estava imerso em uma penumbra convidativa, mas estranha. A luz vinha de uma única vela que ardia sobre o criado-mudo, a chama dançando como se tivesse vida própria, projetando sombras longas e sinuosas nas paredes. No centro do quarto, onde antes havia apenas um tapete oriental desbotado, estava agora um círculo desenhado com giz, e dentro dele, símbolos que Aurora não reconhecia, mas que lhe causavam uma profunda sensação de desconforto.

O ar ficou mais denso, carregado de um cheiro adocicado e mofado, como de flores secas e terra antiga. Um nó se formou em sua garganta. Aquilo não era obra de Dona Ernestina. A velha senhora era prática, cética, embora respeitosa das tradições locais. Aquilo era algo mais.

Ela deu um passo para dentro do quarto, hesitante. A vela continuava a queimar, o círculo de giz no chão pulsava com uma energia latente. A sensação de ser observada se intensificou, como se os olhos invisíveis estivessem ocultos nas próprias sombras projetadas pela vela.

“Tem alguém aí?”, perguntou de novo, a voz quase um sussurro.

Nesse instante, um vento súbito varreu o quarto, apagando a vela com um puff suave. A escuridão se fechou sobre Aurora como um manto pesado e úmido. O cheiro doce se intensificou, quase sufocante. Ela sentiu uma presença fria, etérea, passar por ela, fazendo seus cabelos se arrepiarem e sua pele formigar. Era uma sensação de pura e arrepiante desolação, como se a própria tristeza do tempo estivesse se manifestando ali.

Aurora deu um grito abafado e tropeçou para trás, caindo desajeitadamente sobre o tapete. Suas mãos tatearam o chão em busca da porta, desesperada para escapar daquele ambiente sufocante. O som de algo arranhando as paredes a fez parar. Era um som sutil, quase imperceptível, mas inconfundível. E vinha de dentro do círculo.

“Socorro!”, gritou, a voz finalmente encontrando a força do pânico.

Ela conseguiu se levantar, cambaleante, e correu para fora do quarto, sem olhar para trás. A luz do corredor da pousada parecia um farol em meio à escuridão que a havia engolido. Encontrou Dona Ernestina na sala principal, bordando com sua habitual concentração. A senhora levantou os olhos, o olhar inquisidor.

“Aurora, minha filha? O que houve? Por que está tão pálida?”

Aurora tentou falar, mas as palavras não saíam. Respirou fundo, tentando controlar a respiração ofegante.

“A porta do meu quarto… estava aberta. E a vela… e o círculo no chão… Alguém esteve lá, Dona Ernestina. E… e eu senti… senti algo.”

Dona Ernestina largou o bordado, o semblante subitamente sério. Ela se levantou com uma agilidade surpreendente para sua idade e caminhou em direção ao corredor. Aurora a seguiu, ainda tremendo.

Ao chegarem à porta do quarto, Dona Ernestina parou por um instante, fechou os olhos e fez um leve sinal da cruz. Depois, empurrou a porta.

O quarto estava como Aurora o havia deixado antes de sair: a porta fechada, a luz do sol entrando pela janela, o tapete em seu lugar. O círculo de giz e os símbolos haviam desaparecido. A vela estava sobre o criado-mudo, apagada e fria, sem vestígio de avoir queimado.

“Não há nada aqui, minha filha”, disse Dona Ernestina, a voz calma, mas com um tom de quem conhece mais do que se permite dizer. “Talvez o calor tenha lhe pregado uma peça. Ou talvez… talvez Olinda tenha sussurrado algo a você que sua alma ainda não entende.”

Aurora olhou em volta, confusa. Tinha certeza do que havia visto e sentido. Era real. A presença, o cheiro, o som…

“Mas… a vela… e o círculo… eu vi, Dona Ernestina. Eu senti.”

Dona Ernestina aproximou-se de Aurora e colocou uma mão reconfortante em seu ombro. A pele da senhora era quente e firme.

“Olinda é uma cidade de muitas histórias, Aurora. Histórias que se misturam com o tempo, com o mar, com as almas que por aqui passaram. Algumas dessas histórias preferem se manifestar de formas sutis, para quem sabe ouvir. Você veio para cá buscando um recomeço, certo?”

Aurora assentiu, os olhos fixos no local onde o círculo estivera.

“Talvez o seu recomeço em Olinda não seja tão tranquilo quanto imaginava. Talvez você precise aprender a escutar os sussurros da maré, e a enxergar as sombras que dançam sob o céu desta cidade.”

A frase pairou no ar, carregada de um mistério que arrepiou Aurora mais do que qualquer sombra ou cheiro estranho. Ela olhou para Dona Ernestina, percebendo pela primeira vez a profundidade daquele olhar, a sabedoria antiga que emanava daquela mulher. A paz que ela buscava em Olinda parecia cada vez mais distante, substituída por uma curiosidade inquietante e um pressentimento sombrio. A dança macabra, percebeu Aurora, talvez já tivesse começado, e ela, sem saber, havia sido convidada para o baile. E o céu de Olinda, vasto e azul, parecia agora conter segredos que a faziam tremer, mas que, ao mesmo tempo, a atraíam com uma força irresistível.

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