Dança Macabra sob o Céu de Olinda

Capítulo 18 — O Encontro na Casa dos Fantasmas e o Sussurro do Passado

por Nathalia Campos

Capítulo 18 — O Encontro na Casa dos Fantasmas e o Sussurro do Passado

A tarde em Olinda descia com uma preguiça morosa, pintando as casinhas coloridas de tons alaranjados e rosados. O ar, ainda úmido do calor tropical, parecia sussurrar histórias antigas pelas ladeiras. Sofia, imersa em seus pensamentos e no diário de Dona Aurora, sentia a energia da cidade pulsar sob seus pés.

Ela havia passado a manhã revisando as anotações sobre os rituais e os locais mencionados pela antiga guardiã. Havia um lugar em particular que parecia ser o epicentro de muitas das assombrações e que Dona Aurora descrevia como um ponto de convergência de energias: a antiga Casa dos Fantasmas, um casarão abandonado no alto de uma das ladeiras mais antigas, com fama de ser mal-assombrado.

“É ali que o véu é mais fino”, Sofia leu em voz baixa, o dedo percorrendo a caligrafia elegante de Dona Aurora. “Ali que as almas perdidas se manifestam com mais força. E ali que a entidade se fortalece.”

Sofia sentiu um arrepio. A ideia de ir até lá a aterrorizava, mas a necessidade de ajudar Clara era maior. Se o Homem da Máscara usava aquele local para se fortalecer, talvez fosse lá que ela pudesse encontrar uma forma de enfraquecê-lo. E, quem sabe, encontrar alguma pista sobre como quebrar o laço que prendia sua amiga.

Ela decidiu ir no final da tarde, quando as sombras começavam a se alongar, aumentando a atmosfera de mistério. Vestiu roupas escuras, práticas, e colocou o diário, as ervas e os cristais em uma mochila. O medalhão, ela usava no pescoço, sentindo seu calor contra a pele.

Ao chegar à ladeira da Casa dos Fantasmas, Sofia sentiu a temperatura cair drasticamente. A casa, imponente e decadente, parecia sugar a luz ao seu redor. As janelas estavam quebradas, as paredes descascadas e a vegetação selvagem tomava conta do jardim. Um silêncio opressivo pairava no ar, um silêncio que gritava mais alto do que qualquer barulho.

Ela hesitou por um momento, a respiração presa na garganta. Mas então, em sua mente, surgiu a imagem de Clara, o olhar perdido e a voz sussurrando por ajuda. Com um suspiro profundo, Sofia atravessou o portão enferrujado e caminhou em direção à porta principal, que rangia assustadoramente ao ser empurrada.

O interior da casa era um labirinto de poeira e teias de aranha. Móveis antigos cobertos por panos brancos pareciam fantasmas congelados no tempo. O cheiro de mofo e de abandono era sufocante. Sofia sentia presenças por todos os lados, sussurros inaudíveis roçando seus ouvidos. Era como se cada objeto, cada canto, guardasse uma memória, um eco de vidas passadas.

Ela se guiou pelas anotações de Dona Aurora, procurando o que ela chamava de “o coração da casa”, um cômodo específico onde a energia era mais intensa. Encontrou um antigo salão de baile, com um lustre de cristal quebrado pendurado precariamente, e uma pista de dança empoeirada. Era ali. A energia ali era palpável, um frio que penetrava os ossos.

Sofia tirou o diário da mochila e começou a ler as instruções para um ritual de percepção, descrito como “a abertura dos sentidos para a verdade das sombras”. Ela precisava entender o que habitava ali, o que estava conectado a Clara e ao Homem da Máscara.

Ela acendeu algumas das ervas que trouxe, a fumaça aromática se espalhando pelo salão, quebrando um pouco da atmosfera pesada. Colocou os cristais em círculo no centro do salão e pegou o medalhão, segurando-o com firmeza.

“Clara”, ela sussurrou, a voz embargada. “Se você estiver aqui, me ouça. Eu vim te ajudar. Eu estou aprendendo a te libertar.”

De repente, o ar no salão começou a se agitar. As sombras se aprofundaram, contorcendo-se como se ganhassem vida própria. Um frio intenso tomou conta do ambiente, e Sofia sentiu uma força invisível empurrando-a.

E então, ela a viu. Uma figura translúcida, menor que Clara, com longos cabelos escuros e um vestido de época esvoaçante. Era um fantasma, um espírito atormentado, que parecia dançar em agonia no centro do salão. Seu rosto estava escondido pelas mãos, e ela emitia um lamento silencioso.

Sofia sentiu uma pontada de tristeza. Aquele era um espírito preso, como Clara. Mas não era Clara.

“Quem é você?”, Sofia perguntou, a voz trêmula.

O espírito levantou a cabeça, revelando um rosto pálido e marcado pela dor. Seus olhos eram poços de desespero. “Eu… eu fui aprisionada aqui”, ela sussurrou, a voz ecoando como um lamento distante. “Ele me tirou tudo. Minha vida… meu amor…”

Sofia reconheceu a descrição. Era a história de muitas almas perdidas, aprisionadas pela entidade que Dona Aurora chamava de Homem da Máscara. “Você está falando do Homem da Máscara?”, Sofia perguntou.

O espírito tremeu. “Ele… ele se alimenta de nossa dor. Ele nos mantém aqui. Ele me roubou meu noivo… me fez dançar até a morte em seu baile macabro.”

O noivo. O baile. Sofia se lembrou de uma passagem no diário de Dona Aurora que falava sobre um antigo baile de máscaras que terminara em tragédia, onde várias jovens desapareceram misteriosamente. Era tudo conectado.

“Eu sou Sofia”, ela disse, tentando transmitir calma. “Eu estou aqui para ajudar. Eu estou aprendendo a libertar as almas presas.”

O espírito olhou para Sofia com uma centelha de curiosidade, mas também de medo. “Libertar? Ninguém pode nos libertar. Ele é poderoso.”

“Dona Aurora me ensinou”, Sofia explicou, mostrando o diário. “Ela era uma guardiã. E ela sabia sobre você. Ela sentia sua dor.”

Os olhos do espírito se arregalaram. “Dona Aurora? Ela… ela se lembrava de mim?”

“Sim”, Sofia confirmou. “E ela me pediu para te ajudar, se eu pudesse.”

De repente, a temperatura caiu ainda mais. Uma sombra densa começou a se formar no canto do salão, se expandindo e se contorcendo, como uma manta escura que cobria tudo. Era uma presença opressora, maligna, que fez o espírito gritar de terror.

Sofia sentiu seu sangue gelar. Era ele. O Homem da Máscara. Ele estava ali, atraído pela energia do ritual e pela presença do espírito aprisionado.

A sombra tomou forma, uma figura alta e esguia, vestida com um manto negro que parecia feito de trevas. Em seu rosto, uma máscara sinistra e sem expressão, que transmitia um vazio aterrador.

“Quem ousa perturbar meu descanso?”, a voz da entidade era um rosnado grave, que parecia vir de todos os lugares ao mesmo tempo. “Quem ousa tentar roubar o que me pertence?”

O espírito encolheu-se, tremendo de medo. Sofia, apesar do pânico que a consumia, sentiu uma raiva crescente. Ela não permitiria que ele machucasse mais ninguém.

“Eu não vou deixar você machucar mais ninguém!”, Sofia gritou, erguendo o medalhão em sua mão. “Você não tem o direito de prender almas inocentes!”

A entidade soltou uma risada fria e sem humor. “Direito? Eu sou o direito! Eu sou a escuridão que consome a luz! E você, garota tola, é apenas mais uma alma a ser adicionada à minha coleção.”

Ele avançou em direção ao espírito, estendendo uma mão translúcida e sombria. Sofia reagiu instintivamente. Ela pegou um dos cristais de proteção, o ônix, e o arremessou na direção da entidade.

O cristal atingiu a sombra, e um grito de dor e surpresa emanou dela. A sombra recuou, contorcendo-se, como se o ônix a tivesse queimado.

“O quê?!”, rosnou a entidade, a máscara parecendo tremer de raiva. “Um amuleto de proteção? Você acha que isso pode me deter?”

“Não é apenas um amuleto”, Sofia disse, recuperando o fôlego. “É proteção, é história, é o legado de Dona Aurora. E eu não estou sozinha.”

Ela olhou para o espírito, que a observava com uma mistura de espanto e esperança. “Você não está sozinha. Sua alma não é sua prisão. Você é mais forte do que ele pensa.”

Sofia pegou o medalhão e o colocou no centro do círculo de cristais. Ela começou a recitar as palavras do ritual de libertação, a voz ganhando força a cada sílaba. As ervas queimavam, liberando uma fumaça protetora, e os cristais brilhavam com uma luz fraca.

A entidade rugiu de fúria, atacando Sofia com uma onda de frio e escuridão. Mas o círculo de proteção a manteve à distância. O espírito, vendo a coragem de Sofia, começou a se firmar.

“Eu não tenho medo de você!”, o espírito gritou, a voz agora mais clara, sem o lamento de antes. “Você tirou tudo de mim, mas não pode tirar minha essência!”

Com essa declaração, algo mudou. Uma luz tênue começou a emanar do espírito, e um fio de energia, escuro e pegajoso, que ligava a entidade ao espírito, começou a se romper.

A entidade vociferou de raiva, tentando se reerguer, mas a luz que emanava do espírito e a energia do ritual de Sofia o impediam. O fio de energia finalmente se rompeu com um estalo agudo.

O espírito, agora mais leve, olhou para Sofia com gratidão. “Obrigada… Sofia. Obrigada por me libertar.”

Uma luz branca e suave envolveu o espírito, e ela começou a se desvanecer, não em agonia, mas em paz. Sofia a observou ir, um misto de alívio e tristeza em seu coração.

A entidade, enfraquecida pela perda de sua presa e pela ação do ritual, soltou um grito de ódio. “Isso não acabou, garota! Você brincou com forças que não entende! Eu voltarei!” E, com um último sopro gélido, a sombra se dissipou, deixando o salão em um silêncio ensurdecedor.

Sofia ficou ali, ofegante, o corpo tremendo. Ela havia conseguido. Havia libertado um espírito. Mas sabia que a luta ainda estava longe de terminar. A entidade voltaria. E ela precisava estar pronta. A verdade sobre Clara, sobre o Homem da Máscara e sobre os segredos de Olinda estava cada vez mais clara, e cada vez mais perigosa.

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