Dança Macabra sob o Céu de Olinda

Capítulo 8 — O Enigma do Baile e o Perfume Fantasma

por Nathalia Campos

Capítulo 8 — O Enigma do Baile e o Perfume Fantasma

O sol da manhã banhava Olinda com uma luz dourada e generosa, dissipando as sombras da noite e trazendo de volta a atmosfera vibrante e alegre à cidade. Mas para Mariana, a luminosidade parecia não alcançar a escuridão que se instalara em sua alma. As ruínas do mosteiro, o diário de Elisa e os sussurros fantasmagóricos da noite anterior pairavam em sua mente como uma nuvem densa e opressora.

Ela estava em sua varanda, o café morno em suas mãos, a brisa marinha tentando afastar a melancolia. O pingente de prata, agora em seu pescoço, parecia pulsar com uma energia sutil, um lembrete constante do que havia enfrentado. A entidade ainda estava lá, ela podia sentir. Escondida nas sombras, esperando o momento certo para atacar novamente.

“O que Elisa quis dizer com ‘a dança apenas começou’?”, pensou Mariana, mordendo o lábio. Ela havia conseguido se livrar da entidade por enquanto, mas era uma vitória temporária. O enigma do sacrifício, do elo, do portador, ainda a assombrava.

Foi então que um perfume peculiar e inconfundível invadiu seus sentidos. Era um aroma floral, mas com uma nota cítrica e um toque de especiarias, algo que ela não sentia há anos. Um perfume que a transportou instantaneamente para sua infância, para os salões de baile antigos da casa de Dona Ernestina, para o toque suave das mãos de sua tia-avó em seu cabelo.

“O perfume dela…”, sussurrou Mariana, com a voz embargada. Era o perfume que Elisa usava. Um perfume que ela, Mariana, havia herdado e mantido como uma lembrança preciosa. Mas como era possível que ele estivesse flutuando no ar, como um fantasma olfativo?

Ela se levantou abruptamente, o café derramando em suas mãos sem que ela percebesse. O perfume parecia mais forte em direção à sala de estar, onde a mobília antiga ainda guardava o eco de tempos passados. Os móveis cobertos por lençóis brancos, os retratos antigos nas paredes, tudo parecia sussurrar histórias esquecidas.

Mariana seguiu o rastro invisível do perfume, que a levou até uma grande porta de madeira maciça, a porta que levava ao salão de festas, um salão que estava fechado há anos, desde o desaparecimento de Dona Ernestina. A porta estava adornada com entalhes intrincados de flores e figuras dançantes.

Hesitante, Mariana girou a maçaneta. Estava destrancada. Com um suspiro, ela abriu a porta, e o perfume a envolveu completamente, mais intenso do que nunca. O salão estava imerso em uma penumbra poeirenta, com a luz do sol filtrando-se pelas janelas altas e empoeiradas, criando feixes de luz que iluminavam partículas de poeira dançando no ar.

No centro do salão, um grande lustre de cristal, coberto de teias de aranha, pendia como uma joia esquecida. Ao redor, móveis antigos, poltronas de veludo desgastado, mesas com tampo de mármore, tudo permanecia como se o tempo tivesse parado. Mas o que mais chamou a atenção de Mariana foram os álbuns de fotografias espalhados pelas mesas e pelo chão.

Eram álbuns de festas. Bailes de carnaval, festas de aniversário, celebrações familiares. E nas fotografias, estava Elisa. Jovem, radiante, sempre no centro das atenções, dançando com convidados que Mariana não reconhecia.

Ela começou a folhear um dos álbuns, as imagens em preto e branco ganhando vida em sua mente. Em cada foto, Elisa parecia emanar uma alegria contagiante, uma paixão pela vida e pela dança. Mas em algumas das fotos mais recentes, Mariana notou uma sutil mudança em seu olhar. Um brilho de preocupação, uma sombra de algo que ela não conseguia identificar.

O perfume fantasma continuava no ar, e Mariana sentiu uma presença sutil, como se alguém estivesse ali, observando-a, guiando-a. Ela parou em uma foto em particular. Era um baile de carnaval, realizado anos antes do desaparecimento de Elisa. Elisa estava usando um vestido deslumbrante, e ao seu lado, um homem misterioso, de feições sombrias e penetrantes, que parecia envolvê-la com um olhar possessivo.

Mariana sentiu um arrepio. Aquele homem… havia algo nele que a lembrava da sombra que vira nas ruínas. Aquele mesmo ar de poder antigo e sombrio.

“Quem é ele?”, sussurrou para a foto.

De repente, uma música suave e melancólica começou a ecoar pelo salão, como se viesse de lugar nenhum. Era um tango antigo, com notas que pareciam carregar a dor e a paixão de um amor perdido. Mariana se virou, procurando a fonte da música, mas não havia nenhum aparelho de som.

O perfume fantasma intensificou-se, e Mariana sentiu uma vontade irresistível de dançar. Era como se a música a estivesse chamando, a cada nota uma carícia em sua alma. Ela fechou os olhos, e em sua mente, viu Elisa dançando com aquele homem misterioso, seus corpos entrelaçados em um abraço apaixonado, mas tenso.

“O baile…”, pensou Mariana. “Era um baile especial. O último baile de Elisa.”

Ela pegou outro álbum de fotos, este mais grosso e com a capa de couro mais gasta. As páginas revelavam a preparação para um grande baile, com decorações exuberantes, convidados em trajes de gala. E no centro de tudo, Elisa, com um sorriso que escondia uma profunda tristeza.

Em uma das últimas páginas, havia uma única fotografia, descolada do álbum, caída no chão. Era uma foto de Elisa, sozinha, em frente a um espelho antigo. Seus olhos estavam marejados, e em sua mão, ela segurava o pingente de prata que Mariana agora usava. O mesmo símbolo gravado.

“O pingente… ele era dela. Ela o usava para proteção”, murmurou Mariana.

Mas a fotografia trazia outra informação perturbadora. Atrás de Elisa, refletido no espelho, havia uma figura sombria, quase indistinguível, mas que emanava a mesma aura de ameaça que ela sentira nas ruínas. A entidade.

Mariana percebeu então que o baile não era apenas uma celebração. Era um ponto de convergência. Um lugar onde Elisa havia tentado enfrentar algo, onde ela havia sido confrontada pela entidade.

O perfume fantasma, a música melancólica, as fotografias… tudo parecia uma encenação, um eco do passado tentando comunicar algo a ela. Elisa estava usando todas as ferramentas que tinha para guiá-la, para revelar a verdade por trás de seu desaparecimento.

“O baile… ele era para selar algo”, pensou Mariana. “Ou para quebrá-lo.”

Ela sentiu uma pontada de dor no peito, uma saudade profunda de sua tia-avó, de sua força e de sua coragem. Elisa havia lutado contra algo que ia além da compreensão humana, e ela havia deixado pistas para que sua herdeira pudesse continuar a luta.

A música parou tão abruptamente quanto começou. O perfume fantasma diminuiu, e o salão voltou a ser apenas um aposento empoeirado e silencioso. Mas a experiência havia deixado uma marca profunda em Mariana. Ela não era mais apenas a neta que redescobria seu passado. Ela era a herdeira de uma batalha antiga, a guardiã de um segredo que ameaçava Olinda.

Ela pegou a fotografia de Elisa, o pingente em seu pescoço parecendo aquecer. A entidade havia se alimentado de algo naquele baile, de uma conexão que Elisa havia criado. E agora, essa conexão parecia ter sido transferida para Mariana.

“Eu preciso entender o baile”, disse Mariana para o silêncio do salão. “Preciso entender o que aconteceu ali. O que Elisa tentou fazer.”

A tarefa parecia monumental, mas a determinação que ela herdara de Elisa, e a lembrança da força que sentira nas ruínas, a impulsionavam. A casa de Dona Ernestina não era apenas um lugar de memórias. Era um campo de batalha. E a dança macabra, que Elisa havia tentado parar, estava apenas começando a tomar forma ao seu redor.

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