O Amor Está Dando um Jeitinho

Claro, aqui estão os capítulos iniciais de "O Amor Está Dando um Jeitinho", escritos com a paixão e o drama que o público brasileiro tanto ama.

por Amanda Nunes

Claro, aqui estão os capítulos iniciais de "O Amor Está Dando um Jeitinho", escritos com a paixão e o drama que o público brasileiro tanto ama.

O Amor Está Dando um Jeitinho Autor: Amanda Nunes

Capítulo 1 — A Tempestade Perfeita de Luísa

Luísa Desidério, aos seus trinta e dois anos, era uma artista de alma vibrante aprisionada em um corpo que parecia conspirar contra ela. Não era a beleza que lhe faltava – os cabelos castanhos revoltos, os olhos verdes curiosos e um sorriso que, quando aparecia, iluminava até os dias mais cinzentos, eram prova disso. O problema era a sina, a teimosa e incansável sina que parecia persegui-la em todas as frentes. Naquela manhã de terça-feira chuvosa, a sina decidiu dar um show particular.

O despertador, um aparelho antigo e barulhento, resolveu morrer com um estalo seco, ignorando completamente o apelo de Luísa para que cedesse mais cinco minutos de sono. Ela acordou sobressaltada, o coração batendo descompassado no peito, o déjà vu de uma explosão iminente. Correu para o banheiro, a água fria no rosto não servindo de nada para aplacar o pânico crescente. Na cozinha, o café estava aguado, o pão amanhecido, e o gato, o adorável e irresponsável Biscoito, tinha decidido transformar a planta que ela tanto amava em seu mais novo banquinho.

“Biscoito, seu monstro peludo! Você não tem respeito pela arte, não é?” sibilou Luísa, tentando resgatar o que restava da samambaia, agora com folhas pisoteadas e terra espalhada pelo chão da sala. O felino, com a placidez que só os gatos possuem, lambia uma pata, alheio à catástrofe que causara.

O celular vibrou freneticamente na bancada. Era Bianca, sua melhor amiga e sócia na pequena galeria de arte que mal conseguia se manter aberta.

“Luísa, você não vai acreditar no que aconteceu!” a voz de Bianca soou mais tensa do que o normal. “O Sr. Abravanel ligou. A exposição do Antônio… ele disse que não vai mais conseguir ceder o espaço principal. Alguma coisa sobre uma… uma exposição de um artista internacional. Em cima da hora!”

Luísa sentiu o estômago revirar. A exposição de Antônio, um amigo pintor que ela vinha promovendo com afinco, era a última esperança de saldar as contas da galeria. Era a sua esperança. “Não, Bianca, não pode ser. Ele não pode fazer isso! O Antônio está contando com isso, nós estamos contando com isso!”

“Eu sei, amiga. Eu sei. Ele foi bem vago, mas disse que o contrato de última hora era irrecusável. Precisamos de um plano B, e rápido.”

Plano B. A vida de Luísa parecia uma sucessão de planos B, C e D. O plano A, o sonho de ter sua própria galeria de arte, um refúgio para talentos emergentes, parecia cada vez mais distante, esmagado pela dura realidade financeira e pela falta de sorte crônica.

Com a chuva caindo lá fora, implacável, como uma metáfora para a sua vida, Luísa se vestiu às pressas. Um jeans manchado de tinta, uma blusa surrada e um par de tênis que já viram dias melhores. A maquiagem foi inexistente, uma tentativa vã de disfarçar o cansaço e a preocupação que se gravavam em seu rosto. Ao sair, a porta do elevador emperrou. Claro. Por que não emperrar? Depois de alguns empurrões e um grito de frustração, ela finalmente conseguiu descer, mas não sem ter a barra da calça presa e rasgada.

O trânsito parecia um inferno aquático. O ônibus em que Luísa se espremeu estava abarrotado, com cheiro de roupa molhada e desespero. Cada solavanco era um lembrete de que o tempo estava correndo, e o seu destino, incerto. A galeria de Bianca, um espaço charmoso, mas apertado, no bairro boêmio da cidade, parecia um oásis em meio à tempestade.

Bianca a esperava com um semblante sombrio, mas decidido. “Eu já liguei para o Antônio. Ele está arrasado, claro. Mas ele é resiliente, você sabe. Ele disse que entende, que a arte tem dessas coisas. Ele não quer criar problemas.”

“Entende? Entende o quê? Que o sonho dele está sendo pisoteado por uma exposição de um artista que nem sabemos quem é? Isso é um absurdo!” Luísa sentiu a raiva subir, uma onda quente em meio ao frio da manhã. “E nós? O que vamos fazer?”

Bianca suspirou, sentando-se em um banquinho desgastado. “Eu pensei em alguns espaços menores, mas nada que tenha o impacto que o Abravanel oferecia. E os custos… Luísa, estamos no vermelho há meses. Se essa exposição não der certo…”

Ela não precisou terminar a frase. A galeria, a paixão de ambas, estava em risco. Luísa olhou ao redor, para as paredes repletas de telas coloridas, para as esculturas delicadas, para o pequeno balcão onde vendiam cafés e alguns livros de arte. Ali estava o seu coração, o seu suor, as suas lágrimas. E parecia que tudo ia desmoronar.

“Precisamos de algo… diferente”, disse Luísa, a voz embargada. “Algo que chame a atenção, que nos salve. Não podemos simplesmente desistir.”

“Mas o quê, Luísa? Estamos sem tempo, sem dinheiro, e agora sem o espaço principal. Parece que o universo decidiu que a nossa arte não é bem-vinda neste momento.”

Luísa caminhou até a janela, observando as gotas de chuva escorrendo pelo vidro. A cidade lá fora parecia um borrão de cores cinzentas. Ela pensou em Antônio, em seu talento, em todos os artistas que dependiam delas. E pensou em si mesma, na luta incansável contra a maré de má sorte.

“Talvez a gente precise criar a nossa própria maré, Bianca.” Uma ideia faiscou em sua mente, uma ideia audaciosa, talvez até um pouco louca. “E se a gente fizesse algo… fora da caixa? Algo que ninguém espera?”

Bianca a encarou, intrigada. “Fora da caixa como? Estamos falando de arte, Luísa, não de um circo.”

“E quem disse que arte não pode ser um circo às vezes? Um circo elegante, com um toque de genialidade. Precisamos de um evento. Algo que gere burburinho. Um evento que mostre que, mesmo com o Abravanel nos barrando, a gente tem força e criatividade para brilhar.” Luísa sentiu uma centelha de esperança acender dentro de si. “O que você acha de… um evento de arte surpresa? Em um lugar inusitado?”

Bianca inclinou a cabeça, pensativa. “Inusitado como? Um parque? Uma estação de metrô abandonada? Onde você quer enfiar quadros caríssimos e esculturas delicadas?”

“Não, não tão radical. Mas algo que fuja da norma. Pense em… um jardim secreto. Uma praça charmosa que ninguém usa. Uma feira gastronômica que abra espaço para arte. Algo que a gente possa organizar rapidamente, com poucos recursos, mas muito impacto visual.” Luísa sentia a adrenalina pulsando. “E o Antônio pode apresentar uma nova obra, algo que ele pintou às pressas, inspirado nessa nossa luta.”

“Arte inspirada na nossa luta… isso é dramático até para você, Luísa.” Bianca riu fracamente. “Mas a ideia… não é de todo ruim. Precisamos de um gancho. De algo que faça as pessoas falarem.”

“Exatamente! E o gancho é: a arte que insiste, a arte que resiste. A arte que dá um jeitinho, sabe? Como nós.” Luísa olhou para Bianca, seus olhos verdes brilhando com determinação. “O amor pela arte, o amor por nossos artistas… isso está dando um jeitinho, Bianca. E a gente vai dar um jeito.”

O dia, que começou como uma tempestade perfeita de desastres, agora se transformava em um campo de batalha onde a esperança, frágil, mas persistente, começava a traçar seu caminho. A chuva lá fora ainda caía, mas dentro da pequena galeria, um novo sol começava a nascer, alimentado pela força de duas amigas e pela resiliência da arte.

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