O Amor Está Dando um Jeitinho

Claro, aqui estão os capítulos 16 a 20 de "O Amor Está Dando um Jeitinho":

por Amanda Nunes

Claro, aqui estão os capítulos 16 a 20 de "O Amor Está Dando um Jeitinho":

Capítulo 16 — A Tempestade Silenciosa e o Refúgio Inesperado

O silêncio na sala de estar de Helena era tão denso que parecia palpável, um véu pesado que abafava os sons da cidade lá fora e, mais dolorosamente, qualquer vestígio de alegria que um dia ali habitara. A revelação de Lucas, dita em sussurros carregados de culpa e desespero, ecoava em sua mente como um trovão distante, mas com a força devastadora de um raio que atingiu em cheio o seu peito. Helena sentia-se naufragada, à deriva em um mar de emoções turbulentas, com a imagem de Lucas e de sua confissão gravada a fogo em sua alma.

Ela olhava para o nada, os olhos fixos na tela apagada da televisão, mas sua visão ia muito além, perdida em um turbilhão de memórias: o primeiro beijo sob a chuva, as risadas compartilhadas em noites estreladas, os planos de um futuro que agora pareciam ter se desfeito em pó. A mão que antes acariciava o rosto dele agora treia, em um gesto involuntário de dor. A traição, ou a possibilidade dela, pesava sobre ela como uma âncora de chumbo. A proposta de Lucas, a tal "proposta irrecusável", soava em seus ouvidos como uma piada cruel, um eco distante de um tempo em que o amor parecia a única coisa que importava.

"Como você pôde, Lucas?", a pergunta não era proferida em voz alta, mas gritava em seu interior, em um clamor mudo que dilacerava sua alma. Ela se levantou, os pés descalços mal fazendo barulho no tapete persa, e caminhou em direção à varanda. O ar da noite, antes um convite à paz, agora parecia frio e cortante, espelhando a frieza que se instalara em seu coração. As luzes da cidade, que antes formavam um espetáculo cintilante, agora pareciam distantes e indiferentes à sua dor.

Ela se agarrou ao parapeito de metal, sentindo o frio penetrar em sua pele. Cada batida de seu coração parecia um golpe doloroso, um lembrete constante da fragilidade dos laços que ela acreditava serem inabaláveis. As palavras de Lucas sobre o "jogo de poder", sobre as "consequências" e sobre a "responsabilidade" giravam em sua cabeça, um labirinto de confusão e mágoa. O que ele quis dizer com tudo aquilo? Que jogo era aquele? E quem era a outra pessoa envolvida nesse drama que a consumia por dentro?

A mente de Helena, por mais que tentasse se apegar a uma lógica racional, estava em frangalhos. Ela revivia cada momento dos últimos meses, procurando por sinais, por indícios que ela pudesse ter deixado passar. O comportamento estranho de Lucas, as ligações misteriosas, as saídas inesperadas – tudo ganhava um novo e terrível significado. A dor da decepção era avassaladora, um vulcão adormecido que agora entrava em erupção, espalhando cinzas de desconfiança sobre tudo o que ela sentia.

De repente, o celular em seu bolso vibrou, tirando-a de seu devaneio sombrio. Era uma mensagem de texto. Com as mãos trêmulas, ela o pegou. O nome de Sofia surgiu na tela, seguido por um breve e enigmático "Preciso de você. Agora. Onde você estiver."

Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Sofia, sua melhor amiga, sua confidente, a pessoa que sempre esteve ao seu lado. O que teria acontecido? Algo grave devia ter ocorrido para Sofia procurá-la daquela maneira, em um momento tão delicado. A urgência na mensagem era palpável.

Hesitante, Helena respondeu: "Na minha casa. O que houve?"

A resposta veio quase instantaneamente: "Não posso explicar. Por favor, venha. É urgente."

Um lampejo de determinação surgiu em meio ao caos emocional. Helena não podia se dar ao luxo de sucumbir à sua dor agora. Sofia precisava dela. E, de alguma forma, talvez cuidar de outra pessoa fosse o antídoto para a sua própria aflição. Ela pegou as chaves do carro, deu uma última olhada para a sala sombria que parecia um reflexo de seu estado de espírito, e saiu para a noite.

A casa de Sofia, um sobrado charmoso em um bairro tranquilo, estava com a luz acesa. Helena estacionou o carro e correu para a porta, o coração batendo acelerado. Ao abrir a porta, encontrou Sofia na sala, pálida e com os olhos marejados, enrolada em um cobertor no sofá. Ao lado dela, havia uma mala semiaberta, com algumas roupas espalhadas.

"Sofia! O que aconteceu?", Helena correu até ela, ajoelhando-se em frente ao sofá.

Sofia a olhou, a voz embargada: "Eu... eu tive que sair de casa, Helena. Eu não posso mais ficar lá."

Helena a abraçou forte, sentindo a fragilidade da amiga. "Sair de casa? Por quê? O que aconteceu com o Marco?"

Sofia soluçou, escondendo o rosto no ombro de Helena. "Ele... ele me contou tudo. Tudo o que ele fez. Tudo o que ele é." As palavras saíam em soluços entrecortados, difíceis de entender. "Eu não sabia. Eu era cega, Helena. Cega por ele."

As palavras de Sofia, por mais que fossem um desabafo de dor, ressoaram em Helena de uma maneira estranha. A mentira, a traição, a quebra de confiança. Era como se o universo estivesse pregando uma peça cruel, colocando-as em situações tão semelhantes, mas com origens tão distintas.

"Me conta, Sofia. Devagar. Eu estou aqui", Helena disse, acariciando os cabelos da amiga.

Sofia respirou fundo, tentando se recompor. "Marco... ele tem dívidas. Dívidas enormes. E ele se envolveu com pessoas perigosas. Ele estava me usando, Helena. Usando a mim e ao meu nome para tentar se safar. Ele confessou que... que ele planejava algo. Algo que envolvia uma grande quantia de dinheiro e que eu... que eu seria a garantia. Ele ia me vender, Helena. Me vender como garantia." A confissão saiu em um grito abafado, a voz rompida pela dor e pelo medo.

Helena ficou chocada. O Marco, o homem que ela sempre vira como um tipo meio folgado, mas inofensivo, era capaz de algo tão monstruoso? A imagem de seu próprio dilema, de sua própria dor com Lucas, se misturou à de Sofia. Ambas envolvidas com homens que se revelaram muito diferentes do que pareciam.

"Meu Deus, Sofia! Que horror! E o que você fez?", Helena perguntou, a voz embargada pela indignação.

"Eu... eu não pensei. Eu só peguei o que pude e saí. Ele estava dormindo. Eu sei que foi impulsivo, mas eu não podia ficar lá. Eu não posso mais olhar para ele. Eu não posso mais acreditar em nada que ele diz." Sofia levantou o olhar, os olhos azuis inundados de lágrimas. "Eu não tenho para onde ir, Helena. Eu não tenho ninguém."

Helena a abraçou novamente, com mais força. "Você tem a mim, Sofia. Você sempre terá. Você vai ficar aqui comigo. Nós vamos resolver isso juntas. Eu não sei como, mas vamos." A promessa foi dita com a certeza de quem encontra um propósito em meio ao caos. A tempestade que a consumia, de repente, encontrou um porto seguro no refúgio de sua amiga. Pela primeira vez naquela noite, um pequeno raio de esperança atravessou as nuvens densas de sua tristeza. Elas estavam juntas, e isso, naquele momento, era o bastante.

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