De Repente, Um Beijo na Praia

Capítulo 1

por Letícia Moreira

Com certeza! Prepare-se para mergulhar em um romance que vai te prender do início ao fim. Aqui estão os primeiros capítulos de "De Repente, Um Beijo na Praia", com toda a paixão e o drama que só o Brasil sabe oferecer.

Capítulo 1 — O Vento Levou Meu Coração para Longe

O sol da manhã beijava a orla de Copacabana com uma ternura que só o Rio de Janeiro tem o dom de exibir. As ondas preguiçosas lambiam a areia dourada, desenhando e apagando caminhos efêmeros, como tantas promessas esquecidas. Para Clara, essa beleza era um espelho de sua própria vida: linda por fora, mas cheia de correntes submersas e um turbilhão de incertezas por dentro. Ela alisou o tecido leve do seu vestido florido, sentindo o cheiro salgado do mar que invadia seus pulmões, um bálsamo para a alma que parecia ter perdido o rumo.

Aos vinte e oito anos, Clara se sentia presa em uma rede de expectativas. Era advogada de sucesso, com um escritório impecável no Leblon, um apartamento com vista para o mar que muitas invejavam e um noivado com o Dr. Ricardo Mendes, um colega de profissão tão brilhante quanto frio. Ricardo era o tipo de homem que planejava cada detalhe da vida, desde o investimento em ações até o menu do jantar de casamento. E, no fundo, Clara sabia que não era essa a vida que ela sonhava, mas o medo de decepcionar sua família, de desatar o nó que a prendia a um futuro "seguro", era maior.

"Bom dia, meu amor!"

A voz de Ricardo, melodiosa e controlada, a tirou de seus devaneios. Ele se aproximou com um sorriso impecável, os cabelos escuros penteados para trás, a camisa social branca impecável mesmo sob o calor matinal. Em suas mãos, um café gourmet de uma cafeteria badalada.

Clara forçou um sorriso. "Bom dia, Ricardo. Que surpresa te ver por aqui tão cedo."

"Estava pensando em você, como sempre", ele disse, estendendo a xícara. "Queria te trazer um mimo antes de ir para o escritório. Nossa reunião de hoje com os investidores é crucial, não é?"

Crucial. Essa palavra definia a vida de Ricardo e, por extensão, a dela. Tudo era crucial, planejado, executado com precisão cirúrgica. O casamento, então, seria o ápice de uma estratégia cuidadosamente arquitetada.

"Sim, é verdade. Espero que tudo corra bem", respondeu Clara, tomando um gole do café. Era bom, caro, mas não tinha o sabor autêntico do café que ela tomava na barraquinha da esquina, com pão na chapa e conversa fiada.

Ricardo a envolveu com um braço, o toque profissional, calculado. "Vai correr. Nada pode dar errado. Assim como o nosso casamento."

As palavras ecoaram no silêncio da praia, ganhando um peso indevido. Clara sentiu um arrepio. "Ricardo, nós já estamos quase no altar. Não acha que deveríamos… conversar mais sobre nós? Sobre o que realmente queremos?"

Ele franziu a testa levemente, como se ela tivesse dito algo incoerente. "Clara, querida, nós já conversamos tudo. Temos uma vida em comum fantástica pela frente. Uma família, viagens, sucesso… O que mais você poderia querer?"

O que ela queria? A simplicidade de um dia sem planos, a emoção de um encontro inesperado, a liberdade de ser quem ela era, sem máscaras. Mas como explicar isso para Ricardo, que via a vida como um plano de negócios a ser otimizado?

"Não sei, Ricardo. Às vezes, sinto que estamos seguindo um roteiro que não escrevemos juntas", disse ela, a voz um sussurro.

Ricardo a puxou para mais perto, seus olhos azuis frios fixos nos dela. "Clara, meu amor, não complique as coisas. Você está ansiosa com o casamento, é normal. Mas tudo ficará bem. Confie em mim."

Confiar. Era isso que ela deveria fazer. Mas a confiança de Clara se esvaía como a espuma das ondas.

Enquanto Ricardo falava sobre os detalhes da reunião, Clara olhava para a imensidão azul do mar, para os surfistas que deslizam nas ondas com uma leveza que ela invejava. E de repente, um pensamento a atingiu com a força de um raio: e se ela apenas… corresse? Corresse para longe de tudo aquilo, para um lugar onde pudesse se reencontrar.

Um grupo de turistas tirava fotos, crianças corriam com balões coloridos, e um vendedor ambulante oferecia biscoitos com sua voz animada. A vida pulsava ao redor, cheia de espontaneidade, de momentos que não precisavam de um plano para serem vividos.

"Preciso ir, Clara. Me mande uma mensagem quando sair do seu treino. Nos vemos no almoço." Ricardo lhe deu um beijo rápido na testa e partiu, deixando um rastro de perfume caro e uma sensação de vazio.

Clara ficou ali, sentindo o sol esquentar sua pele, o vento bagunçar seus cabelos. Ela olhou para a bolsa que estava ao seu lado. Dentro, sua roupa de ginástica, um livro e sua carteira. Tudo que ela precisava para sumir por um tempo.

Uma decisão repentina, impulsiva, tomou conta dela. Era loucura. Era insensato. Mas era a única coisa que parecia fazer sentido naquele momento. Ela pegou a bolsa, sentindo o peso dos seus pertences como um convite à liberdade.

Olhou uma última vez para o apartamento luxuoso onde morava, para o caminho que a levava de volta à sua vida planejada. E então, sem hesitar, virou-se para o outro lado.

"Com licença", disse ela a um homem que passava, indicando a direção da rodoviária. "Onde fica a rodoviária mais próxima?"

O homem, um senhor sorridente, apontou. "Ali adiante, minha filha. Siga reto e vire à direita na segunda rua."

Clara agradeceu com um sorriso que não alcançava os olhos, mas que era genuíno na sua determinação. Ela começou a andar, cada passo a afastando de Ricardo, do casamento, da vida que não era sua. O coração batia acelerado, uma mistura de pânico e euforia.

Ela não sabia para onde estava indo, nem o que faria quando chegasse lá. Mas sabia que estava finalmente fazendo algo por si mesma. O vento batia em seu rosto, trazendo consigo o cheiro do mar e a promessa de um novo começo. E naquele momento, sob o sol generoso do Rio de Janeiro, Clara sentiu uma leveza que não sentia há anos. Ela estava correndo, sim, mas não fugindo. Estava correndo em direção a si mesma. A orla de Copacabana foi ficando para trás, um cenário de beleza estonteante que ela deixava para trás, levando consigo apenas a brisa do mar e a esperança de um destino incerto. O que ela não sabia era que essa fuga a levaria para um encontro que mudaria o curso de sua vida, um encontro tão inesperado quanto o próprio destino. E tudo começou com um simples desejo de respirar o ar puro, longe das amarras de um futuro pré-determinado.

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