De Repente, Um Beijo na Praia

De Repente, Um Beijo na Praia

por Letícia Moreira

De Repente, Um Beijo na Praia

Autor: Letícia Moreira

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Capítulo 11 — A Tempestade que se Avizinha no Paraíso

O sol da manhã, ainda tímido, beijava as águas calmas da baía, pintando o céu com tons de laranja e rosa. O cheiro salgado do mar misturava-se ao aroma adocicado das flores tropicais que despontavam nos jardins impecáveis da pousada. Em meio a essa serenidade, Clara e Rafael sentiam que haviam encontrado seu refúgio particular. A proposta de casamento, dita sob o manto estrelado de uma noite anterior, ainda ecoava em seus corações como uma melodia doce e promissora. As mãos entrelaçadas, os olhares cúmplices, tudo parecia apontar para um futuro de felicidade inabalável.

Rafael, com o sorriso que sempre derretia Clara, acariciava os cabelos dela enquanto tomavam café da manhã na varanda privativa. O tilintar das xícaras de café e o burburinho distante de alguns hóspedes compunham a trilha sonora daquele momento.

“Não consigo parar de pensar em tudo, Rafa”, Clara sussurrou, a voz embargada de emoção. “Parece um sonho. Mal posso acreditar que estamos aqui, prestes a… a construir uma vida juntos.”

Rafael apertou a mão dela. “Não é sonho, meu amor. É a nossa realidade. E vai ser ainda mais linda do que imaginamos.” Ele a puxou para mais perto, um beijo terno selando a promessa. “A carta que você escreveu… foi a coisa mais linda que já recebi. Fez todo o meu esforço valer a pena. Ver você feliz assim, aqui, é tudo que eu sempre quis.”

Clara suspirou, sentindo o calor do peito dele. “Eu também estou feliz. Mais feliz do que nunca. Sinto que finalmente encontrei meu lugar no mundo, e esse lugar é ao seu lado.” Ela se afastou um pouco para olhá-lo nos olhos. “Mas… e o trabalho? A sua empresa em São Paulo? As viagens?”

Rafael fez uma careta leve, mas logo a suavizou. “Vamos dar um jeito. Já tenho pensado nisso. Podemos ter um escritório aqui, eu posso viajar para resolver as coisas mais urgentes. A tecnologia hoje em dia permite muita coisa. E você, como está o projeto da sua livraria? Já pensou em como vai ser?”

Os olhos de Clara brilharam. “Ah, Rafa! Tenho tantas ideias! Quero que seja um lugar acolhedor, com um cantinho para crianças, eventos literários… Sinto que vai ser um sucesso. E com você ao meu lado, tenho certeza de que tudo vai dar certo.”

Eles passaram o resto da manhã explorando as praias mais isoladas da ilha, caminhando de mãos dadas na areia branca, sentindo a brisa do mar em seus rostos. O universo parecia conspirar a favor deles. Cada pôr do sol, cada mergulho nas águas cristalinas, cada sorriso trocado parecia reforçar a força do amor que os unia.

Contudo, a vida, com sua imprevisibilidade, já tramava uma reviravolta. Na tarde daquele mesmo dia, enquanto desfrutavam de um almoço leve em um quiosque charmoso à beira-mar, o celular de Rafael tocou. Era um número desconhecido. Ele atendeu com um leve franzir de testa.

“Alô?” A voz de Rafael mudou de tom gradualmente. Seus olhos, antes radiantes, agora carregavam uma sombra de preocupação. Ele se levantou, afastando-se alguns passos da mesa, tentando falar em voz baixa. Clara o observava, a inquietação crescendo dentro dela. O sorriso sumiu do seu rosto.

“O quê? Impossível! Isso não pode estar acontecendo.” A voz dele estava tensa. Ele passou a mão pelos cabelos, o olhar fixo em um ponto distante do mar. “Entendo. E qual é o plano? Precisamos resolver isso urgentemente.”

Ele desligou, o semblante sério. Voltou para a mesa, o peso do mundo parecendo repousar em seus ombros.

“Rafa? O que aconteceu? Quem era?” Clara perguntou, a voz trêmula.

Rafael sentou-se, a expressão sombria. Ele pegou a mão dela, que estava fria. “Era um sócio meu de São Paulo. Parece que… que a empresa está passando por um momento delicado. Uma crise financeira inesperada. Algumas dívidas que não foram previstas, problemas com fornecedores. Eles precisam da minha presença lá o mais rápido possível para tentar reverter a situação.”

O coração de Clara deu um salto no peito. A palavra “crise” parecia um trovão distante, mas que ameaçava engolir a paz que eles tanto haviam conquistado. “Crise? Mas você disse que estava tudo bem… que a empresa estava crescendo.”

“Estava”, Rafael corrigiu, a voz rouca. “E está. Mas algo surgiu do nada. Algo sério. Eu… eu preciso voltar para São Paulo. Agora.”

O silêncio que se seguiu foi preenchido pelo som das ondas quebrando na areia, um som que antes trazia paz e agora parecia anunciar a tempestade. Os planos de casamento, as viagens futuras, a livraria… tudo parecia subitamente suspenso no ar.

“Agora? Mas… e nós? E o nosso noivado? A proposta?” Clara sentiu um nó na garganta. As lágrimas ameaçavam cair, mas ela as segurou com todas as forças.

Rafael olhou-a com desespero nos olhos. “Eu sinto muito, meu amor. Eu sei que é o pior momento possível. Mas eu não posso abandonar meu negócio, não agora. E eu não posso deixar meus sócios na mão. Isso afeta o futuro de muitas pessoas, não só o meu.” Ele fez uma pausa, buscando as palavras certas. “Eu te amo, Clara. E eu prometo que isso não vai mudar nada entre nós. Eu vou resolver isso o mais rápido que puder e volto para você.”

Ele a abraçou forte, mas o abraço, que antes era um refúgio seguro, agora parecia carregado de incerteza. Clara se permitiu um momento de fraqueza, enterrando o rosto no peito dele, sentindo o cheiro familiar que a acalmava, mas a apreensão a dominava. Aquele paraíso idílico, construído com tanto amor e esperança, de repente parecia abalado por ventos traiçoeiros. A tempestade não estava mais no horizonte, mas batia à porta, ameaçando levar embora tudo o que eles haviam sonhado.

“Eu vou com você”, Clara disse, a voz embargada.

Rafael a afastou um pouco para olhá-la. “Não, meu amor. Isso é um assunto de negócios. Eu preciso resolver isso sozinho. Fique aqui, aproveite o resto do tempo. Eu voltarei o mais rápido que puder.”

“Mas eu não quero ficar sozinha”, ela implorou, os olhos marejados. “Eu quero estar com você.”

“Eu sei, e eu também quero. Mas por favor, confie em mim. Fique aqui. Quando eu resolver isso, nós teremos todo o tempo do mundo. E quem sabe, depois dessa crise, a gente não decide que é melhor construir nosso futuro em um lugar mais tranquilo, longe de São Paulo, não é mesmo?” Ele tentou sorrir, mas era um sorriso forçado.

Clara assentiu lentamente, sem ter certeza se conseguiria. A promessa de um futuro brilhante parecia agora envolta em uma névoa de incertezas. A tempestade estava chegando, e ela teria que enfrentá-la, pelo menos por enquanto, sozinha.

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