Noiva por Acaso, Amor de Verdade

Noiva por Acaso, Amor de Verdade

por Letícia Moreira

Noiva por Acaso, Amor de Verdade

Autor: Letícia Moreira

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Capítulo 16 — A Farsa Sob o Sol de Verão

O sol de verão banhava a cidade com uma luz dourada e preguiçosa, mas dentro do apartamento de Clara, a atmosfera era carregada de uma tensão palpável. O cheiro de café fresco pairava no ar, misturando-se ao perfume das flores recém-chegadas, um contraste agridoce com a tempestade que se formava no horizonte. Clara observava Daniel enquanto ele se movia pela cozinha, seus gestos habituais de preparar o café da manhã agora tingidos de uma nova seriedade. Desde a noite em que Ricardo ressurgira de seu passado, como um fantasma indesejado, tudo havia mudado. A aliança inesperada, o acordo selado com o ex-noivo para proteger sua reputação e, quem sabe, o futuro que ela sonhava com Daniel – tudo isso pesava sobre seus ombros.

"Você mal tocou no seu café", observou Daniel, a voz suave, mas com uma ponta de preocupação. Ele se aproximou, pousando uma mão gentil em seu ombro. O toque, antes tão reconfortante, agora trazia consigo o peso da mentira que estavam construindo.

Clara se virou, forçando um sorriso que não alcançava seus olhos. "Só estou pensando... Muitas coisas na cabeça hoje."

Ele a puxou para mais perto, envolvendo-a em um abraço. O cheiro familiar de Daniel, uma mistura de colônia suave e a própria essência dele, sempre a acalmou, mas agora era um lembrete constante do que estava em jogo. "Sei que a aparição do Ricardo te abalou. Mas nós vamos dar um jeito em tudo, Clara. Juntos."

As palavras dele eram um bálsamo, mas também um espinho. "Juntos", ele dizia. Mas como eles poderiam estar juntos de verdade, quando a fundação de seu relacionamento agora era construída sobre uma farsa elaborada? A ideia de fingir um noivado com Ricardo, de ter que sorrir e acenar enquanto ele se passava por seu futuro marido, era nauseante. Mas a alternativa – a exposição pública, a ruína de sua carreira, o escândalo que poderia destruir tudo o que ela havia construído – era ainda mais assustadora.

"Eu confio em você, Daniel", ela sussurrou, enterrando o rosto em seu peito. "Só... é muita coisa para processar."

Ele a segurou com firmeza. "Eu sei. Mas a nossa história não vai terminar aqui. O Ricardo não vai nos separar."

"Não é dele que tenho medo", Clara confessou, a voz embargada. "É de mim mesma. Tenho medo de não conseguir sustentar essa mentira. De estragar tudo."

Daniel a afastou levemente, olhando-a nos olhos. Seus olhos, sempre tão claros e cheios de admiração por ela, agora pareciam carregar um peso semelhante ao dela. "Você é a mulher mais forte que eu conheço, Clara. E eu estarei ao seu lado em cada passo. Não importa o quão difícil seja."

A verdade dessas palavras a confortou, mas a angústia persistiu. O acordo com Ricardo havia sido fechado em uma reunião tensa, horas após o reencontro inesperado. Ele, com sua frieza habitual, havia exposto as regras do jogo com uma clareza implacável. Ele se casaria com Clara, fingindo ser o noivo apaixonado, até que a poeira baixasse e a "crise" fosse esquecida. Em troca, ele não revelaria os detalhes embaraçosos de seu passado juntos, detalhes que poderiam manchar a imagem impecável de Clara.

"É um acordo simples, Clara", Ricardo dissera, com um sorriso que não chegava aos olhos. "Você se casa comigo, age como a noiva feliz e eu guardo meu silêncio. Simples assim."

Clara sentira o estômago revirar. Era uma armadilha, um pacto com o diabo. Mas, olhando para o rosto de Daniel, para o amor puro e desinteressado que ele lhe oferecia, ela sabia que não podia arriscar perdê-lo. A chance de estragar tudo, de ser exposta e ridicularizada, era grande demais.

Agora, a realidade do acordo pairava sobre eles. Daniel, com sua bondade inabalável, concordara em participar da farsa, em fingir que tudo estava bem, que Ricardo era apenas um amigo que os ajudava em um momento difícil. Mas Clara via a dor em seus olhos, a hesitação em seus gestos. Ele sabia, assim como ela, que estavam brincando com fogo.

O dia seguiu em um ritmo frenético. A notícia do "noivado" de Clara se espalhou como pólvora pelas redes sociais e pelos corredores da editora. As mensagens de parabéns inundavam seu celular, algumas sinceras, outras dissimuladas. Cada notificação era um lembrete da mentira que ela estava vivendo.

Mais tarde, naquela tarde, Ricardo apareceu em seu apartamento, como combinado. Ele trazia um sorriso polido e um buquê de rosas vermelhas, um presente para "celebrar" a nova fase. Clara sentiu um arrepio ao vê-lo, a familiar sensação de desconforto que ele sempre lhe causava.

Daniel, como parte do acordo, estava presente. Ele tentava manter a compostura, mas Clara via a tensão em seus ombros, a forma como ele apertava a mandíbula quando Ricardo passava o braço em volta de sua cintura.

"Clara, meu amor, você está linda", Ricardo disse, a voz rouca e cheia de uma falsidade que a fez tremer. Ele a puxou para um beijo, um beijo que Clara aceitou com a força de vontade que lhe restava, pensando em Daniel, em seu amor, em tudo o que ela precisava proteger.

Ao se afastar, ela viu o olhar de Daniel. Havia dor ali, mas também uma determinação silenciosa. Ele sabia que era um teste, um teste para ambos.

"É um absurdo", sussurrou Clara para Daniel, quando Ricardo se distraiu com uma ligação. "Não sei se consigo fazer isso."

"Você consegue", ele respondeu, sem tirar os olhos de Ricardo. "Pense no nosso futuro. Na nossa verdade."

A noite avançou, pontuada por sorrisos forçados e conversas superficiais. Ricardo era um mestre em manter as aparções, e Clara, relutantemente, seguia seus passos. Ela se sentia como uma atriz em um palco, interpretando um papel que não lhe pertencia, sob o olhar atento de um público que não sabia da farsa.

Ao final da noite, quando Ricardo finalmente se foi, deixando para trás o perfume das rosas e um rastro de incerteza, Clara desabou nos braços de Daniel.

"Não aguento mais", ela chorou, as lágrimas rolando livremente. "É sufocante."

Daniel a abraçou com força, acariciando seus cabelos. "Eu sei, meu amor. Mas estamos juntos nisso. Vamos encontrar uma saída. Sempre encontramos."

Ele a beijou, um beijo que era um refúgio, uma promessa. Naquela noite, sob a luz tênue do abajur, Clara se agarrou a ele, buscando nele a força para continuar. A farsa havia começado, mas o amor de verdade, o amor que sentia por Daniel, era o que a impulsionava. Era por ele que ela lutaria, mesmo que isso significasse dançar com o diabo.

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