Noiva por Acaso, Amor de Verdade

Capítulo 17 — O Jogo de Sombras e Confianças Quebradas

por Letícia Moreira

Capítulo 17 — O Jogo de Sombras e Confianças Quebradas

Os dias que se seguiram à oficialização da "farsa" do noivado foram um turbilhão de aparências e emoções contidas. Clara se viu imersa em um jogo de sombras, onde cada sorriso, cada gesto, era cuidadosamente calculado para manter a ilusão para o mundo exterior. Ricardo, com sua eficiência fria, orquestrava cada aparição pública, tornando-se o noivo perfeito em cada evento social, em cada foto para as revistas. Ele era charmoso, atencioso, e os paparazzi pareciam adorar o casal "ressurgido".

Daniel, por sua vez, era a rocha em meio à tempestade. Ele sabia da verdade, e essa consciência o machucava, mas ele lutava com todas as suas forças para não demonstrar. Em momentos a sós, ele era o mesmo Daniel de sempre, gentil, atencioso, o homem por quem Clara havia se apaixonado. Mas os olhares que ele trocava com Ricardo, carregados de uma tensão silenciosa, não passavam despercebidos por Clara. Ela sabia que, por trás da fachada de cavalheirismo, Daniel nutria um ressentimento profundo pelo homem que se aproximava tanto dela.

"Ele não te ama, Daniel", Clara disse a ele uma noite, enquanto eles assistiam a um filme, fingindo uma normalidade que não existia mais. As imagens na tela eram um borrão, seus pensamentos estavam longe. "Ele te usou. Manipulou essa situação."

Daniel suspirou, passando a mão pelos cabelos. "Eu sei, Clara. Mas ele é esperto. E a gente precisa ter cuidado. Não podemos dar a ele a chance de nos prejudicar."

"Mas a que custo?", Clara perguntou, a voz embargada. "Eu me sinto cada vez mais distante de mim mesma. De você."

Daniel se virou para ela, seus olhos transmitindo uma dor que ele tentava esconder. "Não diga isso, meu amor. A gente não vai se afastar. O que o Ricardo está fazendo é temporário. A nossa história é real."

Apesar de suas palavras reconfortantes, Clara sentia o peso daquela mentira se acumulando. Cada evento social, cada jantar com amigos, era uma encenação. Ela precisava sorrir para Ricardo, aceitar seus braços em volta de sua cintura, fingir que tudo era genuíno. E Daniel, o homem que ela amava, precisava assistir a tudo isso, com um sorriso no rosto, para manter a farsa.

Um dia, a editora anunciou um grande evento de lançamento para o novo livro de Clara. Seria uma festa luxuosa, com a presença de celebridades, críticos e a imprensa. A notícia trouxe um misto de pânico e ansiedade para Clara. Era a vitrine perfeita para a sua nova fase como a "noiva de Ricardo", e ela sabia que ele estaria presente, com toda a sua pompa e circunstância.

"Você vai ter que se comportar, Clara", Ricardo a alertou, em uma ligação telefônica. Sua voz era fria, calculista. "Não quero nenhum deslize. O Daniel vai estar lá, certo? Ele precisa ver que você está feliz."

Clara apertou o telefone com força. "Eu sei o que tenho que fazer, Ricardo."

"Espero que sim", ele respondeu, com um tom de ameaça velada. "Porque se algo sair do controle, as consequências serão para todos nós."

Noite do evento. O salão estava repleto de luzes, música e o burburinho de conversas animadas. Clara, vestida com um elegante vestido azul, sentia-se como uma rainha em um castelo de cartas. Ricardo estava ao seu lado, impecável em seu terno escuro, exibindo um sorriso polido para todos que os parabenizavam.

Daniel, discretamente, estava em um canto, observando. Clara sentia seu olhar em si, uma mistura de amor, orgulho e uma tristeza latente. Ela tentava sorrir para ele, mas cada sorriso parecia uma traição à confiança dele.

De repente, Ricardo a puxou para o centro do salão. "Meus amigos", ele anunciou, com a voz alta e clara. "Quero celebrar este momento com a minha futura esposa. Clara é uma mulher incrível, e eu sou o homem mais sortudo do mundo por tê-la ao meu lado."

Ele a beijou, um beijo prolongado e público, que fez o salão aplaudir. Clara se sentiu sufocada, presa naquele abraço falso. Ela buscou o olhar de Daniel, e viu nele uma mágoa profunda. Aquele era o momento em que a farsa parecia mais cruel, mais insuportável.

Mais tarde, enquanto ela se afastava da multidão, sentindo-se esgotada, alguém a tocou no braço. Era Sofia, sua melhor amiga, com um olhar preocupado.

"Clara, o que está acontecendo?", Sofia perguntou, a voz baixa. "Você não parece feliz. E o Daniel... ele não para de olhar para você com essa cara."

Clara hesitou, dividida entre a necessidade de desabafar e o medo de quebrar a promessa feita a Ricardo. Mas o olhar de Sofia era de pura preocupação, e ela sabia que não podia manter tudo para si para sempre.

"É complicado, Sofia", Clara sussurrou, puxando-a para um canto mais reservado. "Ricardo... ele está de volta. E ele me forçou a fingir esse noivado."

Os olhos de Sofia se arregalaram em choque. "O quê? Mas por quê?"

"Ele ameaçou arruinar minha reputação se eu não o fizesse", Clara explicou, a voz embargada. "Ele disse que tem coisas sobre o nosso passado que poderiam me destruir."

Sofia a abraçou com força. "Oh, Clara! Isso é terrível! E o Daniel? Ele sabe de tudo isso?"

Clara assentiu, as lágrimas começando a rolar. "Ele sabe. Ele está sendo tão forte, tão compreensivo. Mas eu vejo a dor nos olhos dele. E eu me sinto tão culpada."

"Você não tem culpa de nada, amiga", Sofia disse, com firmeza. "Você está protegendo a si mesma, e ao Daniel. Mas nós precisamos encontrar uma forma de acabar com isso."

Enquanto Clara conversava com Sofia, Daniel se aproximou. Ele tinha ouvido parte da conversa e seu rosto estava uma máscara de preocupação.

"Clara, você está bem?", ele perguntou, a voz rouca.

Ela se virou para ele, sentindo um alívio imenso por vê-lo ali. "Eu... eu estava contando tudo para a Sofia."

Daniel assentiu, um sorriso fraco surgindo em seus lábios. "Isso é bom. Você não precisa carregar tudo isso sozinha." Ele olhou para Ricardo, que estava do outro lado do salão, conversando com um grupo de pessoas, seu sorriso falso ainda presente. "Nós vamos dar um jeito nisso, Clara. Eu prometo."

No entanto, a noite ainda reservava um momento de grande constrangimento. Durante um brinde, Ricardo, em um gesto calculado, pegou a mão de Clara e a levou em direção a Daniel.

"E quero agradecer ao Daniel", Ricardo disse, com um sorriso forçado. "Por toda a sua ajuda e compreensão neste momento. Ele é um verdadeiro amigo."

Daniel apertou a mão de Ricardo, seu olhar fixo no dele. Havia uma guerra silenciosa acontecendo ali, uma batalha de vontades. Clara sentiu o coração acelerar. Era como se eles estivessem em um campo de batalha, com ela no centro.

Ao final da noite, quando Clara e Daniel voltavam para casa, o silêncio entre eles era carregado de palavras não ditas.

"Eu odeio isso", Daniel disse, finalmente, quebrando o silêncio. Sua voz estava tensa. "Odiar ter que agir como se estivesse tudo bem, quando eu vejo você nos braços dele."

Clara encostou a cabeça no ombro dele. "Eu também odeio, Daniel. Mas a gente precisa aguentar um pouco mais. Só mais um pouco."

Ele a abraçou com mais força. "Eu vou estar aqui, Clara. Sempre. E a gente vai superar isso."

Mas enquanto eles se aproximavam em busca de conforto, Clara sentia que a distância entre eles, alimentada pela mentira e pela presença constante de Ricardo, crescia a cada dia. O jogo de sombras estava apenas começando, e a confiança, tão preciosa, começava a se tornar um luxo cada vez mais difícil de manter.

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