Noiva por Acaso, Amor de Verdade

Capítulo 2 — A Proposta Desesperada

por Letícia Moreira

Capítulo 2 — A Proposta Desesperada

O eco da música alta, o brilho opressivo dos lustres e a presença constante de sua mãe eram o cenário perfeito para a angústia de Livia. A conversa com Isabella tinha sido o último prego no caixão de qualquer esperança de uma noite tranquila. A ideia de um casamento, antes vista como uma prisão, agora pairava em sua mente como uma fuga desesperada. Uma fuga que, curiosamente, envolvia a figura de Gabriel Montenegro, o homem que a intrigara momentos antes, e agora parecia ser a única peça que poderia encaixar em seu plano maluco.

Ela se aproximou de sua mãe, que ainda tentava disfarçar o desgosto com Isabella, trocando um olhar discreto com outras mães influentes na sociedade. Dona Clara era uma mestre em manter as aparências, um talento que Livia herdara, para o bem ou para o mal.

“Mãe”, Livia começou, a voz cuidadosamente calibrada para soar distante e pensativa, “eu preciso te contar uma coisa.”

Dona Clara, sempre atenta aos movimentos da filha, virou-se para ela, um leve temor nos olhos. Ela sabia que a filha era independente, mas a pressão social para que Livia se casasse era um fardo que sua mãe carregava com a mesma seriedade com que administrava suas finניות.

“Diga, minha filha. O que a aflige tanto?” Dona Clara perguntou, a mão pousando suavemente no braço de Livia.

“Eu não quero mais essa pressão”, Livia disse, a voz adquirindo firmeza. “Não quero mais ser vista como uma peça a ser negociada. Eu me dediquei à minha carreira, construí algo sólido. E agora, sinto que preciso tomar uma decisão sobre a minha vida pessoal, antes que ela seja tomada por mim.”

Dona Clara suspirou, uma mistura de orgulho e apreensão. “Livia, eu sei que você é capaz, mas… você é jovem ainda. E um bom casamento… não é apenas sobre amor, é sobre segurança, estabilidade, status. Coisas que uma mulher precisa.”

“Eu sei, mãe. E é por isso que pensei muito. Pensei em você, em tudo que você quer para mim. E cheguei a uma conclusão.” Livia respirou fundo, o coração disparado. Era agora ou nunca. “Eu vou me casar.”

Os olhos de Dona Clara se arregalaram, um misto de choque e euforia. Ela quase deu um grito, mas se conteve, lembrando-se do ambiente. “Oh, Livia! Minha filha! Que notícia maravilhosa! E quem é o sortudo? Aquele rapaz da construtora?”

Livia balançou a cabeça. “Não, mãe. Na verdade… é alguém que você conhece. Alguém que você admira.” Ela hesitou por um instante, o nervosismo tomando conta. “É o Gabriel Montenegro.”

Dona Clara ficou muda por um instante, processando a informação. Seus olhos percorreram o salão, procurando por Gabriel. Ela o viu, ainda perto da pista de dança, tentando manter uma distância educada de Isabella, que insistia em sua companhia.

“Gabriel Montenegro? O Gabriel Montenegro? Mas… como? Quando?” Dona Clara perguntou, a voz embargada pela emoção. “Ele é um partido dos sonhos, Livia! Inteligente, bonito, rico… Ah, minha filha, você me deu a maior alegria da minha vida!”

Livia sorriu, mas era um sorriso triste. “Mãe, não é exatamente como você imagina. Não é um romance tradicional. É… um acordo.”

Dona Clara franziu a testa. “Um acordo? Do que você está falando?”

“Eu o vi hoje. Ele parecia… um homem bom. E eu sei que ele também está em uma situação complicada com Isabella. Eu… eu propus a ele um casamento de conveniência. Um casamento para nos livrarmos de certas pressões. Por um tempo. Até que possamos seguir nossos caminhos, se for o caso.”

Dona Clara a olhou com uma mistura de incredulidade e preocupação. “Um casamento de conveniência? Livia, você está falando sério? Isso… isso é loucura!”

“É a única saída que vejo, mãe. Pelo menos por agora. Me daria a liberdade que preciso, e a você, a tranquilidade de saber que estou ‘bem encaminhada’.” Livia tentou soar convincente, mas a própria ideia a assustava.

“Mas Livia… um casamento sem amor… isso não é o que eu sonhava para você. Eu sonhava com paixão, com um amor verdadeiro que durasse para sempre.” Dona Clara olhou para a filha com uma tristeza genuína.

“Eu também sonhava, mãe. Mas a vida é complicada. E às vezes, precisamos fazer escolhas difíceis para encontrar a felicidade.” Livia sabia que estava usando a própria mãe contra si mesma, mas a urgência a impulsionava.

Dona Clara ponderou por alguns minutos, observando Gabriel com um novo olhar. Ela sempre o admirara. Ele era o tipo de homem que ela desejava para a filha. Talvez, apenas talvez, essa loucura pudesse dar certo. Talvez o amor pudesse florescer desse acordo inicial.

“Bem”, Dona Clara disse finalmente, um brilho de esperança em seus olhos. “Se você tem certeza disso, filha… eu te apoio. Mas você precisa ter certeza. Um casamento é uma coisa séria.”

“Eu tenho, mãe”, Livia mentiu, o coração apertado. Ela tinha que ter.

A noite avançava, e a oportunidade de falar com Gabriel em particular se aproximava. Isabella, para o desespero de Livia, parecia não dar trégua. No entanto, com uma manobra de última hora, Livia conseguiu atrair a atenção de Gabriel. Ela se aproximou dele, enquanto Isabella estava distraída cumprimentando alguém.

“Gabriel”, Livia disse, a voz um pouco mais alta do que o necessário, para que Isabella pudesse ouvir. “Precisamos conversar. Em particular. É urgente.”

Gabriel olhou para ela, surpreso. Ele viu a determinação em seus olhos, e a tensão em seu corpo. Algo estava errado. “Claro, Livia. O que houve?”

“Eu preciso de uma saída. E acho que você também.” Livia olhou de relance para Isabella, que agora se virava em sua direção, o olhar desconfiado. “Pode ser agora? Lá fora, perto do jardim?”

Gabriel, confuso, mas sentindo a urgência em suas palavras, assentiu. “Sim. Espere um momento.”

Ele se desvencilhou de Isabella com uma desculpa rápida e se dirigiu para a saída, Livia logo atrás. Assim que estavam fora do burburinho do salão, no ar fresco da noite, Livia o encarou.

“Gabriel, eu sei que isso vai parecer loucura, mas eu preciso ser honesta com você. Minha mãe… ela está me pressionando para casar. E aquela mulher, Isabella… ela é um pesadelo. Eu preciso de uma saída. E eu pensei em você.”

Gabriel a olhou, a confusão em seu rosto se dissipando, substituída por uma compreensão lenta. Ele sabia que Isabella era possessiva e manipuladora. E ele também sabia que Livia era uma mulher forte e independente, que não se deixaria ser controlada por ninguém.

“Você está sugerindo… um casamento?” Gabriel perguntou, a voz mais baixa.

Livia assentiu, o rosto corado. “Um casamento de conveniência. Por um tempo. Apenas para nos livrarmos dessas pessoas. Podemos fazer um acordo. Sem sentimentos, sem obrigações. Apenas um pacto.”

Gabriel a olhou por um longo instante, absorvendo suas palavras. Ele era um homem pragmático, e a ideia, por mais absurda que fosse, fazia algum sentido. Isabella estava se tornando insuportável, e a pressão de sua família para que ele se “assentasse” com alguém adequado também o incomodava. Livia era inteligente, bonita e parecia ter a mesma necessidade de liberdade que ele.

“Um casamento de conveniência”, Gabriel repetiu, como se saboreasse a palavra. “Por quanto tempo?”

“Eu não sei. Talvez seis meses? Um ano? O tempo que for necessário para que as coisas se acalmem. E então, podemos nos divorciar. Sem escândalos, sem brigas.” Livia sentiu um leve alívio ao ver que ele não a rejeitou de imediato.

Gabriel sorriu, um sorriso genuíno que fez Livia prender a respiração. Era um sorriso que prometia diversão, talvez até um pouco de perigo. “Livia, você é audaciosa. Eu gosto disso. E confesso que a ideia de tirar Isabella do sério me agrada bastante.”

Ele a olhou intensamente. “Mas um casamento, mesmo de conveniência, é um compromisso. Você tem certeza que pode lidar com isso? Com as aparências, com as expectativas?”

“Mais do que você imagina”, Livia respondeu, a determinação voltando com força total. “Eu estou disposta a arriscar. E você?”

Gabriel deu um passo à frente, aproximando-se de Livia. O aroma do perfume dela, uma fragrância floral e sofisticada, o envolveu. “Livia, você me pegou de surpresa. Mas… eu aceito. Aceito o seu acordo. Vamos nos casar.”

Um arrepio percorreu o corpo de Livia. Ela havia acabado de propor um casamento a um estranho, e ele havia aceitado. O que ela havia feito? Mas, ao mesmo tempo, uma sensação de empoderamento a invadiu. Ela havia tomado as rédeas de sua própria vida.

“Temos muito o que planejar”, Livia disse, um sorriso malicioso surgindo em seus lábios.

“E eu mal posso esperar para começar”, Gabriel respondeu, seus olhos azuis fixos nos dela.

Enquanto isso, Isabella, do lado de dentro, observava a porta pela qual Livia e Gabriel haviam saído. Um pressentimento sombrio a atingiu. Ela sabia que algo estava acontecendo, e não gostava disso. O que ela não sabia era que o futuro que ela temia já estava se desenrolando, e seria muito mais complicado do que ela jamais imaginara.

---

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%