Noiva por Acaso, Amor de Verdade

Noiva por Acaso, Amor de Verdade

por Letícia Moreira

Noiva por Acaso, Amor de Verdade

Autor: Letícia Moreira

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Capítulo 6 — A Invasão dos Parentes Curiosos

O sol da manhã acariciava as cortinas de seda branca do quarto de Isabella, um convite suave para despertar. No entanto, um pressentimento incômodo pairava no ar, como a névoeira que teimava em não se dissipar sobre o mar. Ontem, o jantar com os pais de Rafael tinha sido… tenso. A mãe dele, Dona Clotilde, uma senhora de modos impecáveis e olhar penetrante, parecia ter a habilidade de desvendar segredos com um simples gesto de mão. O pai, Seu Armando, um homem de poucas palavras, mas de presença marcante, observava tudo com uma serenidade que, por vezes, assustava mais que a desconfiança explícita.

Isabella se remexeu na cama, o corpo ainda pesado de sono, mas a mente já em turbilhão. A farsa estava se tornando cada vez mais real, e as linhas entre o que era encenação e o que começava a brotar em seu peito, indefinidas. Rafael, com sua ironia cortante e sorrisos que a desarmavam, estava se tornando uma presença constante, um mistério que ela ansiava desvendar. E o pior, ou talvez o melhor, era que ela se pegava pensando nele mais do que deveria. Pensava na forma como ele a olhava, como se a visse de verdade, e não apenas a noiva de fachada. Pensava no jeito que ele ria, um riso genuíno que raramente aparecia em público.

Um toque insistente na porta a arrancou de seus devaneios. "Isabella? Você está aí? O café está pronto!" Era Helena, sua fiel escudeira, a única que sabia de toda a verdade e que, com sua praticidade habitual, tentava trazê-la de volta à realidade.

Levantou-se, vestiu um roupão de seda e abriu a porta. Helena a encarou com um sorriso compreensivo. "Pesado ontem à noite, né?"

Isabella soltou um suspiro. "Pesado é pouco, Helena. Sinto que Dona Clotilde já sabe tudo sobre a minha vida, desde quando eu era criança até o meu medo de altura."

Helena riu. "Ela é assim, querida. Uma interrogadora nata. Mas você se saiu bem. Rafael até que se mostrou… protetor." A última palavra foi dita com um tom que sugeria mais do que dizia.

"Protetor? Ou apenas preocupado em manter a fachada?", Isabella retrucou, tentando convencer a si mesma.

"Talvez um pouco dos dois", Helena respondeu, abrindo a porta do closet. "E agora, o que vamos vestir para enfrentar o interrogatório de hoje? Porque, pelo que eu soube, a família toda vai vir almoçar aqui. Sua avó, tias, primos… um verdadeiro desfile de curiosidade."

O estômago de Isabella se contraiu. A ideia de ter que sustentar a mentira para um público maior a deixava apreensiva. Ela não era uma atriz nata, e a cada dia sentia que o peso daquela farsa se tornava mais insuportável.

O almoço foi um espetáculo de simpatia forçada e olhares disfarçados. Dona Aurora, a avó de Isabella, uma senhora elegante e cheia de vida, a abraçou com um fervor que quase a sufocou. "Minha netinha! Tão linda noiva! Rafael é um bom rapaz, não é mesmo? Vi o rapaz ontem, parece ser trabalhador." As palavras saíram apressadas, pontuadas por um sorriso largo.

As tias, Dona Carmem e Dona Beatriz, cada uma com sua personalidade distinta, se revezavam em perguntas e elogios. Dona Carmem, a mais maternal, se preocupava com os preparativos do casamento, com a escolha do vestido, com os detalhes da cerimônia. "Já pensou em quantas daminhas você vai querer, meu amor? E a lua de mel? Para onde vocês vão? Já decidiram?"

Dona Beatriz, por outro lado, com seu jeito mais direto, parecia mais interessada em saber como Isabella e Rafael se conheceram. "Conte-me tudo, querida! Foi um encontro romântico? Em uma festa? Um esbarrão na rua? Quero detalhes!"

Isabella, sentada à cabeceira da mesa, ao lado de Rafael, sentia o suor escorrer pela testa. Tentava responder com o máximo de naturalidade possível, improvisando histórias que, por vezes, soavam mais absurdas que plausíveis. Rafael, com sua habitual calma, a ajudava, completando suas frases, adicionando detalhes que, milagrosamente, soavam convincentes. Ele a olhava com uma cumplicidade que a deixava ainda mais confusa. Era como se ele estivesse se divertindo com a situação, mas ao mesmo tempo, parecia estar genuinamente envolvido na farsa.

Um primo distante, um rapaz loiro e de olhos azuis chamado Frederico, com um sorriso de quem se acha o centro do universo, lançou um olhar mais demorado a Isabella. "Então, você é a sortuda que conquistou o Rafael? Ele não costuma se entregar fácil." A provocação, dita em tom de brincadeira, atingiu Isabella em cheio. Ela sentiu o rosto corvar, e Rafael, do seu lado, apertou de leve a mão dela por baixo da mesa. Um gesto rápido, quase imperceptível, mas que a fez sentir um arrepio.

Durante o almoço, Rafael contou a história de como eles se conheceram, uma versão adaptada da verdade, onde o encontro casual em uma livraria se transformou em um romance improvável. Ele falava com tanta convicção que, por um instante, Isabella quase acreditou na própria história. Ele descreveu os olhares trocados, as conversas profundas, a atração imediata. E, em algum momento, enquanto ele falava, Isabella se pegou sorrindo, como se realmente se lembrasse daquele momento.

"E foi aí que eu soube", Rafael disse, olhando diretamente para Isabella, com um brilho nos olhos que ela não soube decifrar, "que ela era a mulher da minha vida. Uma mulher que me desafiava, me inspirava e me fazia querer ser um homem melhor."

A sala ficou em silêncio por um instante. Dona Aurora tossiu, um sinal para quebrar a tensão. "Que lindo, meus queridos! Que coisa mais romântica!"

Isabella sentiu o rosto queimar. A intensidade do olhar de Rafael a desarmou completamente. Era como se, por um breve momento, a farsa tivesse se dissipado, e ele estivesse falando com o coração.

O restante do almoço transcorreu em meio a mais conversas e risadas, mas Isabella sentia-se diferente. O olhar de Rafael, a forma como ele a defendia, o toque discreto da sua mão… tudo isso a deixava em um estado de alerta constante, de confusão e de uma crescente afeição.

Ao final do dia, quando a família se despediu, Isabella sentiu um alívio imenso. Ela estava exausta de fingir, mas, ao mesmo tempo, sentia um estranho vazio. Rafael, ao se despedir, a olhou com um sorriso enigmático. "Você se saiu bem, noiva."

"Graças à sua ajuda", ela respondeu, com um tom que misturava gratidão e um certo receio.

"É… quem sabe eu não seja um bom noivo de mentira", ele disse, com um piscar de olhos.

Isabella o observou ir embora, sentindo uma mistura de alívio e um desejo inexplicável de que ele ficasse. A farsa estava se tornando mais real a cada dia, e o amor, por mais improvável que fosse, parecia estar espreitando nas entrelinhas daquele acordo. A invasão dos parentes curiosos, que ela tanto temia, acabou sendo um catalisador inesperado, expondo não apenas a farsa, mas também os sentimentos que começavam a florescer entre ela e Rafael.

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