Um Carioca Apaixonado e um Plano Maluco

Capítulo 15 — O Confronto Inesperado e o Chamado de Eduardo

por Letícia Moreira

Capítulo 15 — O Confronto Inesperado e o Chamado de Eduardo

Os dias em Arraial do Cabo se transformaram em uma semana. Uma semana de paz, de descobertas, de cartas trocadas com Eduardo que alimentavam a chama da esperança em seu coração. Sofia se sentia revigorada, a pele bronzeada pelo sol, os olhos mais brilhantes, um sorriso genuíno que há muito não aparecia em seu rosto. A casa de pescador se tornara seu santuário, um lugar onde ela podia ser apenas Sofia, sem as amarras e expectativas de Rodrigo.

Certa manhã, enquanto descia até a praia para buscar a correspondência que um dos homens de Zé deixava discretamente em uma pedra escondida, Sofia notou uma figura parada na areia, observando o mar. Era um homem, de costas para ela, em silhueta contra o sol da manhã. A princípio, ela não deu importância, pensando ser um dos poucos turistas que se aventuravam por aquela praia mais isolada. Mas algo no jeito de ele se portar, na rigidez dos seus ombros, lhe pareceu familiar.

Quando ela se aproximou um pouco mais, o homem se virou. O coração de Sofia deu um salto mortal no peito. Era Carlos. O capanga de Rodrigo.

Um arrepio percorreu sua espinha. Como ele a encontrara? O pânico ameaçou dominá-la, mas a lembrança das cartas de Eduardo, da sua promessa de lutar por ela, a fez respirar fundo.

Carlos a encarou por um instante, um leve sorriso de superioridade despontando em seus lábios. "Senhorita Sofia. Que surpresa encontrá-la aqui. Rodrigo vai ficar muito feliz em saber que você está bem."

"O que você quer, Carlos?", Sofia perguntou, a voz firme, apesar do tremor interno. "Eu não vou voltar para ele."

Carlos deu um passo à frente, seus olhos percorrendo a praia deserta, como se estivesse calculando as chances de fuga. "Você não tem escolha. Rodrigo a quer de volta. E ele não aceita um não como resposta."

"Eu não sou a propriedade dele, Carlos!", Sofia retrucou, a raiva começando a superar o medo. "Eu escolhi ser livre."

"Liberdade é um conceito perigoso quando se tem o poder contra você", Carlos disse, com uma frieza que gelou Sofia. "Eu tenho ordens. Você vem comigo."

Ele avançou na direção dela. Sofia, com um grito de desespero, virou-se e correu. Correu pela areia, os pés afundando, a respiração ofegante. Ela sabia que não tinha chance contra Carlos em uma corrida, mas precisava ganhar tempo. Precisava chegar à casa, avisar alguém.

Ela correu em direção à trilha que levava à casa de pescador, mas Carlos era rápido e implacável. Ele a alcançou em poucos segundos, agarrando seu braço com força.

"Não resista, senhorita. Vai ser pior para você", ele disse, a voz sem emoção.

Sofia lutou, debatia-se, mas a força dele era esmagadora. Ela sentiu um nó na garganta, o desespero a consumindo. Estava prestes a ser levada de volta para o inferno.

Nesse exato momento, um grito ecoou pela praia.

"Carlos! Solta ela!"

Era Eduardo. Ele havia chegado mais cedo do que o previsto, com um pressentimento ruim. Vendo Carlos agarrado a Sofia, ele não pensou duas vezes. Largou o carro a alguns metros de distância e correu em direção a eles.

Carlos se virou, surpreso com a aparição repentina de Eduardo. A luta pela posse de Sofia se tornou um confronto direto.

"Ora, ora, o carioca de botequim", Carlos zombou, soltando Sofia, que cambaleou, mas se manteve de pé. "Não aprendeu a lição, não é?"

"Eu disse para não machucá-la!", Eduardo rosnou, os punhos cerrados.

"Eu não a machuquei. Apenas a trouxe de volta para onde ela pertence", Carlos rebateu, a arrogância em sua voz era insuportável.

A discussão se transformou em uma briga física. Eduardo, impulsionado pela raiva e pelo amor por Sofia, lutou com todas as suas forças. Ele não era um lutador profissional, mas a adrenalina e a necessidade de protegê-la o deram uma força inesperada. Trocaram socos, empurrões, os corpos se chocando na areia.

Sofia assistia a tudo, o coração apertado. Ela gritava para que parassem, mas eles estavam em uma fúria cega. A paz de Arraial do Cabo havia sido quebrada, substituída pela violência e pelo desespero.

Em meio à confusão, Carlos conseguiu derrubar Eduardo. Ele se preparava para dar o golpe final quando Sofia, com uma coragem que ela não sabia que possuía, pegou uma concha grande e pesada que estava ali perto e a jogou com força na cabeça de Carlos.

O impacto não foi forte o suficiente para derrubá-lo, mas o suficiente para atordoá-lo por um instante. Foi o tempo que Eduardo precisou. Ele se levantou rapidamente e, em um movimento rápido, desarmou Carlos e o derrubou na areia.

"Fique aí!", Eduardo ordenou, ofegante, o corpo dolorido. "Não se mexa!"

Carlos, derrotado e humilhado, grunhiu algo ininteligível.

Eduardo correu até Sofia, abraçando-a com força. "Você está bem? Ele te machucou?"

Sofia, tremendo, apenas assentiu, encostando a cabeça no peito dele. "Estou bem. Graças a você."

"Eu não ia deixar ele te levar. Nunca", Eduardo sussurrou em seu ouvido. "Eu te amo, Sofia. E vou te proteger, não importa o quê."

Enquanto os dois se abraçavam, um barco de pesca se aproximava da praia. Era um dos homens de Zé da Rua, que fora alertado por Sofia sobre a presença de Carlos. Ele vinha com reforços.

"Vão pegar ele, Zé?", Sofia perguntou, olhando para o barco.

"Pode deixar, senhorita. Ele não vai mais incomodar ninguém", o pescador respondeu, com um sorriso confiante. "E vocês dois, o que foi isso?"

Eduardo explicou a situação, a chegada de Carlos e a tentativa de sequestro. O pescador ouviu atentamente, assentindo.

"Rodrigo não vai desistir, pessoal. Esse cara é persistente", o pescador alertou. "Precisamos pensar em um plano mais seguro. Talvez levá-los para outro lugar. Longe daqui."

Eduardo olhou para Sofia, o amor e a preocupação estampados em seus olhos. Ele sabia que Arraial do Cabo não era mais seguro. A ameaça de Rodrigo era real e constante.

"Precisamos ir embora", Eduardo disse a Sofia, a voz firme. "Precisamos de um lugar onde ele não possa nos encontrar. Onde possamos finalmente ficar juntos, em paz."

Sofia assentiu, o medo ainda presente, mas agora combatido pela certeza do amor de Eduardo e pela coragem que ela descobriu em si mesma. A fuga de Arraial do Cabo era apenas o começo de uma nova jornada, uma jornada em busca de um futuro onde o amor fosse livre e a felicidade, a sua única lei. O plano maluco de Eduardo estava longe de acabar, mas agora, ele tinha Sofia ao seu lado, lutando com ele. E isso era tudo o que importava.

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