Um Carioca Apaixonado e um Plano Maluco

Capítulo 18 — A Emboscada em Arraial e o Golpe de Mestre

por Letícia Moreira

Capítulo 18 — A Emboscada em Arraial e o Golpe de Mestre

O sol de Arraial do Cabo, que momentos antes banhava a paisagem em um dourado acolhedor, agora parecia um holofote cruel, iluminando o perigo iminente. O carro preto, com seus vidros insondáveis, estacionou como um predador à espreita, e de suas entranhas surgiram duas figuras que emanavam uma aura de ameaça. O sorriso de Eduardo, antes um refúgio para Clara, agora carregava uma tensão palpável.

"Droga. Ele não perdeu tempo", Eduardo murmurou, seus olhos fixos nos homens que avançavam com passos calculados. Ele imediatamente se posicionou na frente de Clara, seu corpo um escudo contra a escuridão que se aproximava. O chamado de seu pai, a ruptura com a família, tudo culminou naquele exato momento, em uma cidade que deveria ser seu refúgio.

Os dois homens não perderam tempo. Vestiam ternos escuros, apesar do calor tropical, e seus rostos eram impassíveis, como esculturas de mármore. Eles não eram capangas comuns; havia uma frieza profissional em seus movimentos, uma precisão que Clara reconheceu com um arrepio. Eram homens que sabiam o que faziam, e que provavelmente não se importavam com as consequências.

"Eduardo, você sabe que isso não vai dar em nada. A senhorita Clara vai voltar para casa, onde pertence", disse um deles, sua voz grave e sem emoção. A formalidade era assustadora.

Eduardo riu, um som seco e sem humor. "Ela pertence onde ela quiser. E ela escolheu não pertencer mais a você, nem ao seu chefe."

O segundo homem deu um passo à frente, seus olhos se fixando em Clara. "É uma pena que você não entenda, senhorita. O seu pai tem… preocupações legítimas. E nós estamos aqui para garantir que essas preocupações sejam resolvidas."

Clara sentiu um nó na garganta. Ela sabia que seu pai era capaz de tudo, mas essa demonstração aberta de força, essa intimidação direta, era algo que a abalava. Ela olhou para Eduardo, buscando algum sinal, alguma resposta em seus olhos. Ele lhe deu um leve aceno de cabeça, quase imperceptível.

"Preocupações legítimas?", Eduardo retrucou, sua voz ganhando um tom desafiador. "Ou talvez apenas interesses escusos que você quer manter escondidos? Clara, querida, acho que é hora de revelar um pouco do nosso plano maluco."

Antes que os homens pudessem reagir, Eduardo puxou Clara para trás de um dos quiosques de artesanato, o barulho do mercado ajudando a mascarar seus movimentos. Ele tirou o celular do bolso, digitando rapidamente. "Marcelo, estamos com companhia. Precisamos da distração. Agora!"

Do outro lado da praça, um pequeno show de música ao vivo começou de repente, com um grupo de capoeiristas fazendo uma apresentação improvisada. O som vibrante dos berimbaus e os gritos dos praticantes atraíram a atenção de muitos turistas, incluindo os dois homens que agora se viravam, confusos.

"O que é isso?", perguntou um deles, visivelmente irritado.

"Parece que a festa em Arraial do Cabo começou mais cedo", Eduardo disse com um sorriso, aproveitando a distração para puxar Clara em direção a uma viela estreita.

Eles corriam por becos sinuosos, o som das batidas do berimbau ecoando atrás deles. O plano de Eduardo, que parecia ser apenas uma fuga desesperada, agora se desdobrava em uma coreografia perfeitamente orquestrada. Clara, apesar do medo, sentia uma faísca de adrenalina. Ela confiava em Eduardo. Ela confiava em seu plano maluco.

"Para onde estamos indo?", ela perguntou, ofegante.

"Para um encontro. Um encontro que o seu pai não programou", Eduardo respondeu, puxando-a para dentro de um pequeno barco de pesca atracado em uma enseada escondida. Marcelo estava lá, o motor já ligado, um sorriso vitorioso no rosto.

"Pegaram a carona?", Marcelo perguntou, enquanto Eduardo e Clara embarcavam.

"Quase pegaram", Eduardo disse, olhando para trás. Os dois homens haviam aparecido na entrada da viela, mas o show de capoeira os impedia de avançar rapidamente. "Marcelo, tem certeza que ele vai aparecer?"

"Ele disse que sim. E disse que estava ansioso para conhecer o 'engenheiro' que o tirou da aposentadoria forçada", Marcelo respondeu, acelerando o motor e afastando o barco da costa.

Clara olhou para Eduardo, confusa. "Quem? Quem vai aparecer?"

Eduardo pegou a mão dela, seus olhos brilhando com uma mistura de mistério e satisfação. "O nosso amigo. O amigo que vai ajudar a expor o seu pai. Ele é um lobo velho no mundo dos negócios, Clara. E ele tem um ressentimento pessoal contra o seu pai há anos. Um ressentimento que nós vamos usar a nosso favor."

Eles navegaram por alguns minutos, a costa de Arraial do Cabo diminuindo ao longe, até que avistaram outro barco, um iate luxuoso ancorado em águas mais calmas. Um homem de cabelos brancos, vestindo um blazer de linho, estava na proa, observando-os se aproximar.

"É ele?", Clara perguntou, sentindo uma mistura de apreensão e esperança.

"É ele", Eduardo confirmou. "Seu pai pode ser um tubarão, mas este aqui é o grande mestre do oceano."

Ao se aproximarem, o homem no iate sorriu. Seu sorriso era cortês, mas seus olhos transmitiam uma inteligência afiada. Ele era Arthur Drummond, um magnata da tecnologia que, segundo os boatos, havia sido traído e arruinado pelo pai de Clara décadas atrás.

"Eduardo, meu jovem. Sempre com os planos mais audaciosos", Arthur disse, sua voz ressoando com autoridade. Ele olhou para Clara com curiosidade. "E esta deve ser a bela Clara. Sua história é digna de um roteiro de cinema."

Eduardo apresentou Clara. "Arthur, esta é Clara. Clara, este é Arthur Drummond. Aquele que vai nos ajudar a dar ao seu pai a lição que ele merece."

Arthur estendeu a mão para Clara. "Senhorita Clara, é uma honra conhecê-la. Eduardo me contou tudo. E eu admiro sua coragem. Seu pai é um homem desonesto. E desonestos, com o tempo, sempre pagam por seus atos. Nós vamos garantir que o dele chegue mais cedo do que ele imagina."

Enquanto conversavam, Eduardo explicou os detalhes do plano. Arthur havia reunido informações sigilosas sobre as operações ilegais do pai de Clara, provas de corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Ele esperava apenas o momento certo para agir, e a fuga de Clara com Eduardo, e a subsequente perseguição de seu pai, havia criado a oportunidade perfeita.

"Vamos usar as provas que eu juntei", Arthur disse, com um brilho nos olhos. "Vamos expor o seu pai para o mundo todo. A imprensa, a polícia… todos vão saber quem ele realmente é."

"Mas como faremos isso sem que ele antecipe nossos movimentos?", Clara perguntou, ainda apreensiva.

Arthur sorriu. "Ah, minha querida Clara. Esse é o golpe de mestre. Seu pai pensa que você está fugindo. Ele pensa que está no controle. Ele não tem ideia de que você está trabalhando com o inimigo dele. E que este 'plano maluco' é, na verdade, uma armadilha muito bem elaborada."

Eduardo apertou a mão de Clara. "Ele acha que está nos caçando. Mas, na verdade, nós estamos preparando a caçada para ele."

Arthur Drummond convidou-os para subir a bordo de seu iate. A atmosfera a bordo era de luxo e sofisticação, mas a conversa era de estratégia e vingança. Arthur revelou um arquivo digital contendo todas as provas contra o pai de Clara.

"Temos tudo aqui. Contas secretas, transferências ilícitas, gravações de conversas comprometedoras. Vamos vazar tudo em um momento estratégico, quando ele menos esperar. Um evento de grande repercussão, talvez uma festa beneficente que ele mesmo está organizando no Rio. Ele vai ter que encarar o público e a lei ao mesmo tempo."

Clara sentiu um misto de euforia e medo. Era o fim do pesadelo, mas o início de uma nova jornada, cheia de incertezas. Ela olhou para Eduardo, seu herói improvável, e sentiu um amor profundo e avassalador.

"Obrigada, Eduardo", ela sussurrou. "Por tudo."

Ele sorriu, beijando sua testa. "Eu te amo, Clara. E sempre vou te proteger."

Enquanto o iate de Arthur Drummond navegava em direção ao Rio de Janeiro, levando consigo as provas para destruir a reputação do pai de Clara, os dois homens enviados para buscá-la ainda estavam em Arraial do Cabo, confusos e furiosos. Eles haviam sido enganados, humilhados por um plano que parecia simples, mas que se revelou um golpe de mestre. A tempestade que Clara tanto temia havia chegado, mas em vez de destruí-la, ela a impulsionava para a frente, em direção a um futuro incerto, mas finalmente livre. O plano maluco de Eduardo não era apenas uma fuga; era a chave para a sua redenção.

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