Um Carioca Apaixonado e um Plano Maluco

Capítulo 24 — A Perseguição Noturna e o Sacrifício Inesperado

por Letícia Moreira

Capítulo 24 — A Perseguição Noturna e o Sacrifício Inesperado

O beco escuro e úmido de Botafogo parecia ter se transformado em um palco de pesadelo. As sirenes da polícia se aproximavam, uma cacofonia de luzes azuis e vermelhas banhando o concreto sujo. No centro desse caos iminente, Miguel e Isabella se viam encurralados, a caixa de memórias de seu pai e os cruciais documentos do fundo fiduciário em mãos, encarando Ricardo Faria, que irradiava uma aura de perigo calculado.

“Entreguem os documentos, seus tolos”, Ricardo sibilou, seus olhos brilhando com uma mistura de ganância e triunfo. A confiança em sua voz era perturbadora. Ele sabia que a polícia estava a caminho, e ele estava jogando com o tempo.

Miguel puxou Isabella para trás de si, protegendo-a com o corpo. “Você não vai ter nada, Ricardo. Tudo o que meu pai planejou é nosso.”

“Planejou? Ele planejou a sua ruína! Você é um imbecil, Miguel. Sempre foi. Achar que podia competir comigo. Achar que podia honrar o nome da família. Você nunca serviu para nada, exceto para ser um obstáculo.” Ricardo deu um passo à frente, e Miguel sentiu o cheiro acre de álcool e suor emanando dele. Ele estava claramente sob o efeito de alguma substância.

“Deixe-nos em paz, Ricardo”, Isabella implorou, a voz firme, mas com um tremor de medo. “Você já causou dor suficiente.”

Ricardo riu, um som áspero e sem humor. “Dor? Isso é apenas o começo, minha querida Isabella. Vocês pensaram que poderiam me roubar, desmascarar. Agora, vocês vão pagar. E a polícia será a minha aliada involuntária.”

De repente, o som de tiros ecoou pelo beco. Não eram tiros da polícia, mas disparos vindos de um ponto mais alto, em direção a eles. Miguel e Isabella se jogaram no chão, buscando abrigo atrás de latas de lixo. Ricardo também se abaixou, o olhar de triunfo substituído por uma expressão de surpresa e raiva.

“Quem é o idiota agora?”, Ricardo rosnou, olhando para cima.

Miguel percebeu. Não era apenas a polícia que estava ali. Alguém mais estava intervindo. Mas quem? E por quê?

“Precisamos sair daqui!”, Miguel gritou para Isabella, enquanto os tiros continuavam a cair, agora mais próximos.

Eles se arrastaram pelo beco, buscando um ponto cego. Ricardo, percebendo que sua vantagem estava diminuindo, decidiu se retirar por enquanto, sabendo que a chegada da polícia o impediria de qualquer ação imediata.

“Isso não acabou!”, ele gritou para Miguel e Isabella, antes de desaparecer na escuridão.

Miguel e Isabella continuaram a se mover, o som da polícia se intensificando. Eles finalmente alcançaram o fim do beco, onde uma viela estreita se abria para uma rua paralela. Para sua surpresa, um carro antigo e confiável os aguardava, com o motor ligado. Era João, o amigo de Miguel.

“Rapidamente! Entrem!”, João gritou, o rosto pálido, mas determinado. Ele estava ali para cumprir sua promessa.

Eles entraram no carro, e João acelerou, saindo dali segundos antes de as primeiras viaturas policiais chegarem ao beco, com as luzes varrendo a cena de onde Miguel e Isabella haviam acabado de escapar.

“Quem estava atirando?”, Miguel perguntou para João, ofegante.

“Não sei. Alguém em um prédio próximo. Parecia ter a intenção de nos acertar. Mas o objetivo era claro: impedir que vocês fossem pegos pela polícia. Pelo menos por enquanto.” João olhou para o retrovisor, a rua já repleta de sirenes. “Isso foi por pouco.”

Enquanto o carro de João se afastava rapidamente, as luzes da polícia iluminavam o apartamento de onde os tiros haviam partido. A cena era um tanto confusa. Havia um homem caído, e uma figura se movendo com agilidade.

De volta ao carro, Miguel segurava os documentos do fundo fiduciário, com Isabella ao seu lado. A adrenalina ainda corria em suas veias, mas a clareza começava a retornar.

“Precisamos ir para o interior, Miguel. Para um lugar onde possamos nos organizar, onde Ricardo não possa nos encontrar tão facilmente”, Isabella disse, a voz firme. “Precisamos de tempo para provar a verdade.”

“Você tem razão. Mas onde?”, Miguel questionou, sentindo o peso da responsabilidade.

“Um lugar que meu tio tem. Uma fazenda antiga no interior de Minas Gerais. Ele é recluso, não se envolve com os negócios da família há anos. Ricardo nem sequer sabe que ele existe. É o lugar perfeito para nos escondermos e planejar nossos próximos passos.”

A ideia era arriscada, mas era a única que tinham. Fugir para o desconhecido, com a polícia em seu encalço e Ricardo Faria determinado a recuperá-los.

Enquanto isso, na cidade, a confusão na cena dos disparos continuava. A polícia encontrou o homem que havia atirado, morto no chão do apartamento. Ao lado dele, estava uma figura que ninguém esperava ver ali, desarmada e visivelmente abalada: Sofia.

Sofia, a antiga secretária de Ricardo, que havia sido expulsa e humilhada por ele, estava ali, cercada por policiais. Sua face estava arranhada, suas roupas rasgadas, mas seus olhos, antes cheios de medo, agora emanavam uma determinação feroz.

“Eu… eu preciso falar com alguém. Eu sei onde Ricardo Faria está escondido. Eu sei tudo o que ele fez”, Sofia disse aos policiais, sua voz rouca, mas firme.

Um dos oficiais, mais experiente, se aproximou dela com cautela. “Senhora, você está ferida. Precisamos cuidar de você. Depois, você pode nos contar o que sabe.”

Sofia assentiu, lágrimas começando a rolar por seu rosto. “Ele… ele me usou. Ele me descartou como lixo. Mas ele não vai vencer. Não desta vez. Eu vou ajudá-los a pegá-lo. E eu vou ajudar Miguel e Isabella.”

Sofia, em um ato de coragem e desespero, havia decidido virar o jogo contra Ricardo. Ela havia sido a testemunha silenciosa de muitos de seus crimes, e agora, estava pronta para falar. Ela se tornou a peça chave que eles não esperavam, um sacrifício inesperado que poderia mudar o rumo da batalha.

Miguel e Isabella estavam viajando em direção a Minas Gerais, a caixa de memórias e os documentos seguros em seu poder. Eles não sabiam da reviravolta que acabara de acontecer na cidade, nem que Sofia estava agora do lado deles. A noite ainda era longa, e o caminho para a verdade e a justiça, tortuoso. Mas pela primeira vez em muito tempo, havia uma fagulha de esperança em seus corações. A esperança de que, juntos, eles poderiam vencer Ricardo e reconstruir suas vidas. A fuga noturna, embora perigosa, havia os levado para mais perto da liberdade.

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