Um Carioca Apaixonado e um Plano Maluco

Capítulo 3 — O Encontro em Santa Teresa e as Pistas Desvendadas

por Letícia Moreira

Capítulo 3 — O Encontro em Santa Teresa e as Pistas Desvendadas

O clima em Santa Teresa, na tarde seguinte, era de uma beleza quase etérea. As ladeiras de paralelepípedos brilhavam sob o sol suave, os casarões coloniais exibiam suas fachadas coloridas e suas varandas floridas, e o ar carregava um perfume inebriante de jasmim e de história. Miguel se sentia transportado para outra época, para outro mundo, enquanto subia a rua, os olhos fixos em busca do café que Ana Clara havia indicado.

Ele amava o Rio de Janeiro com uma devoção quase religiosa, mas Santa Teresa sempre teve um lugar especial em seu coração. Era um refúgio artístico, um labirinto de histórias e de mistérios que o fascinavam. E agora, com a promessa de desvendar um enigma com Ana Clara, o bairro parecia ganhar uma aura ainda mais mágica.

Ele a avistou sentada em uma mesa na calçada de um charmoso café, com as pernas cruzadas e um sorriso que parecia iluminar a rua. Ana Clara, como sempre, emanava uma energia contagiante. Seus cabelos cor de mel estavam presos em um coque despojado, e seus olhos verdes brilhavam com uma expectativa maliciosa.

"Miguel! Chegou a tempo para o chá da tarde... e para a nossa aventura!", ela exclamou, dando um tapinha na cadeira vazia ao seu lado.

Miguel sentou-se, sentindo uma familiar onda de nervosismo e excitação. "Cheguei. E confesso que estou cada vez mais curioso sobre esse mapa misterioso."

Ana Clara colocou sobre a mesa uma cópia do mapa, que ela havia digitalizado e impresso. Ao lado, um pequeno caderno com suas anotações e teorias. "Eu o estudei a noite inteira. E acho que já tenho algumas pistas. Veja isto."

Ela apontou para um ponto no mapa, onde um desenho rústico de uma fonte aparecia. "Aqui. Parece ser a antiga Fonte da Saudade, no Cosme Velho, mas o mapa a desenha de uma forma diferente, mais antiga, com umas esculturas que eu não reconheço. E a anotação ao lado diz: 'Onde a saudade encontra o eterno repouso'."

Miguel franziu a testa, analisando o desenho. Como arquiteto, ele tinha um olho para detalhes e proporções. "Sim, a forma é diferente. As esculturas parecem mais elaboradas, mais... clássicas. E a frase 'o eterno repouso'... isso pode se referir a um cemitério, ou a um local de descanso final."

Ana Clara assentiu, animada. "Exato! E eu me lembro de ter lido em algum lugar sobre um antigo cemitério que existia perto da Fonte da Saudade, que foi desativado e transferido. Talvez o mapa se refira a esse lugar perdido."

Eles passaram as horas seguintes imersos na decifração do mapa. Cada rabisco, cada símbolo, era um pequeno desafio a ser vencido. Ana Clara, com sua intuição aguçada e sua paixão por histórias, e Miguel, com sua lógica e seu conhecimento de história e arquitetura, formavam uma dupla perfeita.

"E aqui!", Ana Clara exclamou, apontando para outra parte do mapa. "Este desenho parece ser uma igreja antiga, com uma torre alta e um campanário peculiar. A anotação diz: 'Onde o tempo repousa no olhar do anjo caído'."

Miguel estudou o desenho com atenção. "A torre é bem característica. Lembro de ter visto algo parecido em um livro sobre igrejas antigas do Rio. Talvez seja a Igreja de São Francisco da Penitência, no Centro. Mas o 'olhar do anjo caído'...? Isso é intrigante."

Ana Clara sorriu. "Eu também achei! E se pensarmos em 'anjo caído', podemos pensar em algo que perdeu sua posição, algo que caiu do céu. E se o anjo for, na verdade, uma estátua? Uma estátua de anjo que caiu ou foi quebrada?"

A hipótese fez sentido. Miguel sentiu a emoção da caçada aumentar. A cada pista desvendada, o enigma se tornava mais complexo e fascinante. Ele percebeu que, apesar de sua tristeza recente, estava completamente imerso na aventura. A presença de Ana Clara, sua energia e seu entusiasmo, eram contagiantes. Ele se sentia leve, animado, como não se sentia há muito tempo.

"Olha, isso aqui", Miguel apontou para um trecho do mapa com um desenho de uma escadaria sinuosa. "Parece ser a famosa Escadaria Selarón, mas desenhada de forma diferente, com mais detalhes nas curvas e nas cores. E a frase é: 'O caminho que sobe para o céu, mas com degraus de paixão'."

Ana Clara arregalou os olhos. "Escadaria Selarón! Faz todo sentido! É um dos cartões postais do Rio. Mas a frase... 'degraus de paixão'. Será que tem algo a ver com a história do Jorge Selarón? Ou talvez com as histórias de amor que aconteceram ali?"

A cada nova descoberta, a conexão entre eles se tornava mais forte. A cumplicidade nas trocas de ideias, a alegria nas conquistas. Miguel se sentia atraído pela inteligência e pela vivacidade de Ana Clara, mas também pela forma como ela o fazia se sentir. Ele se sentia visto, compreendido, e, de certa forma, curado.

O sol já começava a se pôr, pintando o céu de Santa Teresa com tons de laranja e roxo, quando Ana Clara apontou para o 'X' no mapa. "Aqui. O lugar marcado no mapa. Fica em Santa Teresa mesmo, em uma área mais afastada, perto de uma mata. A anotação diz: 'Onde a terra esconde o último segredo do guardião'."

Miguel olhou para o local marcado no mapa. Era uma área verde, densa, que ele não conhecia. "O guardião... E o 'último segredo'. Isso é tudo muito misterioso."

Ana Clara sorriu, um sorriso que misturava excitação e um toque de mistério. "E agora, o que você acha, Miguel? O plano maluco está ganhando forma. Vamos até esse lugar amanhã? Vamos desvendar o último segredo do guardião?"

Miguel olhou para o mapa, para o 'X' que prometia um segredo, e para Ana Clara, cujos olhos verdes brilhavam com a promessa de aventura. Ele sentiu um nó na garganta, mas não era de tristeza, era de antecipação. A vida, que ele pensava ter se tornado previsível e sem cor, de repente, se transformou em um enigma fascinante.

"Vamos", ele respondeu, com um sorriso que ele não sentia há muito tempo. "Vamos desvendar o último segredo do guardião."

Enquanto caminhavam de volta pelas ladeiras de Santa Teresa, o ar fresco da noite acariciando seus rostos, Miguel percebeu que algo havia mudado. A tristeza que o assombrava parecia ter diminuído, substituída por uma sensação de esperança e excitação. A aventura com Ana Clara não era apenas uma fuga; era uma jornada de redescoberta. E ele estava mais do que pronto para embarcar nela.

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