O Amor Tem Um GPS quebrado

O Amor Tem um GPS Quebrado

por Amanda Nunes

O Amor Tem um GPS Quebrado

Por Amanda Nunes

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Capítulo 11 — O Despertar da Fênix e a Sombra do Passado

O sol da manhã, teimoso, espreitava por entre as frestas da persiana gasta do quarto de hotel, pintando listras douradas sobre o edredom amarrotado. Clara, de olhos ainda marejados e a alma pesada como chumbo, abriu os seus lentamente, sentindo cada músculo protestar contra o movimento. A noite fora um borrão de lágrimas, de lembranças que a assombravam como fantasmas famintos, e de uma dor que parecia ter se alojado permanentemente em seu peito. O eco das palavras de Rodrigo, tão cruéis quanto definitivas, ainda ressoava em sua mente, um zumbido constante que a impedia de encontrar qualquer vestígio de paz.

Ela se sentou na cama, o tecido fino do pijama deslizando sobre sua pele fria. A cidade lá fora acordava, um burburinho distante de buzinas e vozes abafadas, mas para Clara, o mundo parecia ter parado. A decepção era um nó apertado em sua garganta, sufocando qualquer esperança que ousasse brotar. Rodrigo. Aquele homem que, em tão pouco tempo, havia conseguido reabrir feridas antigas, remexer em suas inseguranças mais profundas, e depois, com uma frieza que a chocou, jogá-la de volta ao abismo.

Levantou-se, cambaleante, e caminhou até a janela. As luzes da cidade, antes um convite para a vida e a aventura, agora pareciam zombar dela, um espetáculo de indiferença. Ela se encostou no vidro frio, observando as pessoas apressadas lá embaixo, cada uma imersa em sua própria jornada, sem fazer ideia da tempestade que assolava o seu interior.

Por que? Por que ele tinha que ser assim? Por que, depois de tudo o que pareciam ter construído, ele conseguira se transformar naquela versão cruel de si mesmo? A imagem do rosto de Rodrigo, distorcido pela raiva e pela mágoa, era um pesadelo que ela não conseguia afastar. E as palavras… as palavras eram flechas envenenadas, cravadas em sua alma: "Você é um erro, Clara. Uma distração que eu não preciso mais."

Um soluço escapou de seus lábios, abafado pela mão que ela levou à boca. A dor era física, um aperto que parecia esmagar suas costelas. Sentiu-se como uma fênix renascida das cinzas de um passado doloroso, apenas para ser cruelmente atirada de volta ao fogo. Mas, desta vez, o fogo parecia mais voraz, mais implacável.

O telefone vibrou em cima da mesinha de cabeceira. Clara hesitou. Sabia quem era. O coração disparou em seu peito, uma mistura de pânico e um resquício inútil de esperança. Seria Rodrigo? Viria se desculpar? Implorar por perdão? A ideia era ridícula, mas seu coração teimoso ainda se agarrava a ela como um náufrago a um destroço.

Com os dedos trêmulos, pegou o aparelho. A tela exibia o nome de Mariana. Um alívio misturado com uma pontada de decepção a percorreu. Pelo menos, não era Rodrigo.

"Alô?", sua voz soou rouca, quase inaudível.

"Clara? Graças a Deus!", a voz de Mariana transbordava preocupação. "Eu estava tentando te ligar a noite toda. Onde você se meteu? E o Rodrigo? O que aconteceu?"

As perguntas de Mariana foram como um gatilho. As lágrimas voltaram a correr em abundância, e Clara não conseguiu conter os soluços. Ela tentou falar, tentou explicar, mas as palavras se embolavam em sua garganta, transformando-se em um lamento sufocado.

"Calma, calma, minha amiga. Respira fundo", Mariana instruiu, sua voz suave e acolhedora. "Me conta tudo. O que o Rodrigo fez?"

Entre soluços e pausas dolorosas, Clara desabafou. Contou sobre a briga, sobre as acusações, sobre as palavras cruéis que ele lhe dirigiu. Cada palavra dita era como arrancar um pedaço de si mesma, mas ela precisava. Precisava que alguém a ouvisse, que alguém a ajudasse a juntar os cacos.

Mariana escutou em silêncio, apenas murmurando palavras de conforto de tempos em tempos. Quando Clara terminou, um longo silêncio se instalou entre elas.

"Eu sinto muito, Clara. De verdade. Eu nunca imaginei que ele pudesse ser capaz de algo assim", disse Mariana, sua voz carregada de indignação. "Ele não te merece. Você é uma mulher incrível, forte, e ele, com essa atitude, só mostra o quão pequeno ele é."

"Mas ele disse que eu era um erro, Mari… um erro", Clara sussurrou, a voz embargada. A palavra ecoava em sua mente, um selo de condenação.

"E você acredita nisso?", Mariana retrucou, firme. "Clara, você já passou por tanta coisa. Já lutou tanto para se reerguer. Não vai ser uma declaração patética de um homem que não sabe o que quer que vai te derrubar agora. Você é mais forte que isso."

As palavras de Mariana eram um bálsamo para a alma ferida de Clara. Um raio de luz em meio à escuridão. Ela sabia que a amiga tinha razão. Ela não podia se deixar abater por causa de Rodrigo. Ela era uma fênix, e fênix renascem.

"Eu… eu não sei", Clara admitiu, a voz ainda frágil. "É que dói tanto. Parece que tudo o que eu construí foi desmoronado."

"Eu sei que dói. Mas você vai superar isso. E quando você superar, vai ser mais forte do que nunca. E ele? Ele vai se arrepender. Vai se arrepender amargamente de ter te machucado e de ter te deixado ir."

Clara respirou fundo. Pela primeira vez naquela manhã, sentiu um fio tênue de esperança se formar. Talvez Mariana estivesse certa. Talvez ela pudesse, de fato, se reerguer.

"Obrigada, Mari. Por tudo", disse Clara, sentindo um pouco da tensão se dissipar de seus ombros. "Eu preciso pensar."

"Pense o quanto precisar, amiga. Mas saiba que eu estou aqui. E juntas, a gente vai encarar qualquer coisa. Agora, descanse um pouco. E depois, vamos pensar no que fazer a seguir. Vamos traçar um novo plano."

Após desligar o telefone, Clara se sentou na poltrona empoeirada do quarto. Olhou para seu reflexo no espelho e, pela primeira vez, não viu apenas a dor e a decepção. Viu também uma centelha de resiliência nos seus olhos. O passado tentara selar seu destino com a marca da fragilidade, mas o presente, por mais doloroso que fosse, lhe oferecia uma nova oportunidade de reafirmar sua força. A sombra do passado de Rodrigo pairava, sim, mas a fênix dentro dela começava a despertar, alimentada pela amizade leal e pela promessa silenciosa de um novo amanhecer.

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