O Amor Tem Um GPS quebrado

O Amor Tem um GPS Quebrado

por Amanda Nunes

O Amor Tem um GPS Quebrado

Capítulo 16 — A Tempestade Que Se Avizinha e o Porto Seguro

A brisa que acariciava o rosto de Sofia trazia consigo o aroma salgado do mar, misturado com o perfume inebriante das flores de jasmim que teimavam em desabrochar no jardim da casa de sua avó, Dona Florinda. Era um aroma familiar, reconfortante, que sempre a trazia de volta às suas raízes, um contraponto suave à turbulência que se instalara em seu coração. Sentada na varanda, com uma xícara de café esfriando nas mãos, ela observava as ondas que beijavam a areia dourada, cada uma delas um murmúrio de esperança e um eco de incertezas.

Desde que Gabriel retornara à sua vida, tudo parecia ter ganhado um novo contorno. Aquele reencontro inesperado, em meio à confusão da vindima, fora como um raio de sol rompendo as nuvens mais densas. A atração que sempre existiu entre eles, adormecida por anos de distância e mal-entendidos, ressurgiu com uma força avassaladora. Cada olhar trocado, cada toque acidental, cada conversa que se estendia pela madrugada, parecia reafirmar a conexão que os unia.

Mas o passado, como uma sombra persistente, não tardou a lançar sua escuridão sobre a promissora aurora. As revelações sobre a verdadeira natureza do relacionamento de Gabriel com Helena, a amiga de infância que sempre nutriu sentimentos não correspondidos por ele, haviam deixado um rastro de mágoa e desconfiança. Sofia sabia que ele não tinha culpa direta, mas a forma como as coisas se desenrolaram, a omissão, o jogo de aparências, tudo isso pesava em sua consciência.

Dona Florinda, com sua sabedoria ancestral e um olhar que parecia enxergar além das aparências, aproximou-se da neta, colocando uma mão enrugada em seu ombro. "O mar, minha querida, às vezes parece calmo, mas nunca sabemos quando uma tempestade pode se formar no horizonte."

Sofia suspirou, virando-se para a avó. "É exatamente assim que me sinto, vovó. Uma calma aparente, mas com a sensação de que algo grande está prestes a desabar."

"Gabriel é um bom homem, Sofia. E ele a ama. Isso é o que importa. O resto são… nuvens de poeira. Passam."

"Mas e Helena? Ela está sofrendo, vovó. E eu… eu me sinto culpada por estar feliz com ele, mesmo sabendo que ela ainda o ama." As palavras saíram em um sussurro carregado de angústia.

Dona Florinda sorriu, um sorriso gentil que amenizou as rugas ao redor de seus olhos. "O amor não é uma competição, Sofia. E não se trata de quem sofre mais. Trata-se de encontrar o seu próprio lugar, o seu próprio porto seguro. Helena terá que encontrar o dela, assim como você encontrou o seu. E, talvez, o seu porto seguro seja Gabriel."

Sofia ponderou as palavras da avó. Era verdade. Ela não podia controlar os sentimentos de Helena, nem as escolhas que Gabriel havia feito no passado. O que ela podia controlar era a sua própria felicidade, o seu próprio caminho. E, naquele momento, seu caminho parecia inegavelmente entrelaçado com o de Gabriel.

Mais tarde naquele dia, o telefone tocou, interrompendo a quietude da tarde. Era Gabriel. Sua voz, geralmente vibrante e cheia de vida, soava tensa.

"Sofia, precisamos conversar."

O coração de Sofia deu um salto. Aquele tom de voz era o prenúncio de algo sério. "Aconteceu alguma coisa?"

"Sim. É sobre Helena. Ela… ela teve um colapso. Os pais dela me ligaram. Ela está no hospital. Parece que ela tentou… bem, ela não está bem."

Um arrepio percorreu a espinha de Sofia. As nuvens de poeira que Dona Florinda mencionara estavam se transformando em uma tempestade real. Ela sabia que Helena, apesar de tudo, era uma pessoa vulnerável e que a dor da rejeição, somada à culpa que Sofia sentia, poderia ter tido um impacto devastador.

"Oh, meu Deus, Gabriel! Eu sinto muito!" A preocupação genuína transpareceu em sua voz.

"Eu preciso ir até lá. Mas… eu queria que você soubesse. E queria que soubesse que, apesar de tudo, meu coração está com você. Eu jamais te trocaria." As palavras dele eram um bálsamo, mas o peso da situação era imenso.

"Eu entendo. Vá. Eu ficarei bem. E… me diga se precisar de alguma coisa." Sofia sentiu um misto de apreensão e solidariedade. Ela sabia que aquele era um momento delicado para Gabriel.

Após desligar o telefone, Sofia sentiu um nó na garganta. A fragilidade da vida, a complexidade dos relacionamentos humanos, tudo se manifestava de forma avassaladora. Ela se levantou, decidida. Não podia ficar parada, esperando a tempestade passar. Precisava agir.

Dirigiu até a casa de Dona Florinda, o coração ainda acelerado. Contou à avó o que havia acontecido com Helena. Dona Florinda ouviu com atenção, a serenidade em seu rosto inabalável.

"Isso é uma prova de que o amor pode machucar, Sofia. Mas também pode curar. Agora, você precisa ser forte. Pelo Gabriel e por você mesma."

"Eu não sei como, vovó. Sinto-me perdida."

"Você nunca esteve sozinha, querida. E nunca estará. O amor verdadeiro, mesmo com um GPS quebrado, sempre encontra o caminho de volta. Às vezes, o caminho é tortuoso, cheio de desvios e imprevistos. Mas a bússola interna, aquela que nos guia para o que é certo, essa nunca falha."

Sofia abraçou a avó com força. As palavras dela eram um bálsamo para sua alma turbulenta. Ela sabia que a tempestade estava apenas começando, mas agora sentia que tinha um porto seguro em Dona Florinda, em suas raízes, e, mais importante, em si mesma. O caminho à frente seria desafiador, mas Sofia estava determinada a não se deixar abalar. Ela se recusava a deixar que as sombras do passado roubassem o brilho do seu futuro, um futuro que, ela esperava, ainda poderia ser compartilhado com Gabriel. A fragilidade de Helena, por mais trágica que fosse, servia como um lembrete cruel de que as decisões tomadas tinham consequências, e que o perdão, para si mesma e para os outros, seria um passo crucial para seguir em frente.

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