O Amor Tem Um GPS quebrado

Capítulo 17 — O Labirinto da Culpa e o Sussurro da Esperança

por Amanda Nunes

Capítulo 17 — O Labirinto da Culpa e o Sussurro da Esperança

Os dias que se seguiram foram como navegar em águas turbulentas. Sofia sentia-se à deriva, o barco de sua felicidade à mercê das ondas revoltas da incerteza e da culpa. Helena estava no hospital, em observação, e a notícia se espalhara como fogo na pequena cidade litorânea. Gabriel, dividido entre a preocupação com a amiga e o amor que sentia por Sofia, alternava entre visitas à clínica e conversas telefônicas curtas e carregadas de emoção com a mulher que havia roubado seu coração.

Sofia passava horas na varanda de Dona Florinda, o olhar fixo no horizonte, as mãos entrelaçadas em um gesto de apreensão. Cada mensagem de Gabriel, cada breve atualização sobre o estado de Helena, parecia um prego a mais em seu coração já aflito. Ela se sentia fragmentada, dividida entre a compaixão pela situação de Helena e a esperança teimosa de que seu relacionamento com Gabriel pudesse, de alguma forma, sobreviver a essa nova provação.

"Ela está se recuperando fisicamente, graças a Deus", disse Gabriel em uma das raras ligações que fizeram pessoalmente. Sua voz soava exausta, marcada pela falta de sono e pela carga emocional. "Mas psicologicamente… ainda está muito abalada."

Sofia tentou disfarçar a pontada de alívio que sentiu ao saber da melhora física de Helena. "Eu fico feliz em saber que ela está melhor. Você tem conversado com ela?"

"O máximo que posso. Os pais dela estão lá o tempo todo. Eu me sinto… responsável, de certa forma." Havia um tom de resignação em sua voz.

Sofia sabia o que ele queria dizer. Helena sempre o amara, e a revelação do envolvimento dele com Sofia, somada à sua própria vulnerabilidade, poderia ter sido o estopim de seu desespero. "Você não tem culpa, Gabriel. Ninguém tem culpa pelas emoções dos outros. Helena precisa de ajuda profissional, e você está fazendo o que pode."

Um silêncio carregado de sentimentos não ditos pairou na linha. Sofia sentiu a saudade apertar, a necessidade de tocá-lo, de sentir o calor de seus braços, de se perder em seus olhos, mas sabia que aquele não era o momento.

"Eu queria estar aí com você, Sofia. Mais do que tudo." A voz de Gabriel era um lamento abafado.

"Eu também queria você aqui. Mas eu entendo. Cuide dela. E cuide de você." As palavras saíram com um nó na garganta, o desejo de ser forte para ele se chocando com a própria fragilidade.

No dia seguinte, Sofia decidiu que não podia mais se esconder em sua própria dor. Ela precisava agir, precisava encontrar um caminho para superar a culpa que a consumia. Foi até a casa de Helena, munida de um pequeno arranjo de flores silvestres colhidas no jardim de Dona Florinda e um desejo sincero de expressar suas condolências.

Ao chegar, foi recebida pelos pais de Helena, um casal visivelmente preocupado, mas grato pela visita. "Nossa filha está mais calma agora, querida. Agradecemos muito a sua preocupação", disse a Sra. Almeida, com um sorriso fraco.

Sofia foi até o quarto de Helena, que estava sentada na cama, pálida e frágil, mas com os olhos mais lúcidos do que ela esperava. O quarto, antes vibrante com a personalidade de Helena, agora parecia sombrio, desprovido de vida.

"Oi, Helena", disse Sofia, a voz suave. "Eu… eu senti muito quando soube o que aconteceu. Eu queria vir pessoalmente para te desejar uma rápida recuperação."

Helena a encarou por um longo momento, seus olhos verdes marejados de uma dor que Sofia conseguia sentir em sua própria alma. "Você não precisa vir. Eu sei que você está feliz com o Gabriel." A voz dela era um sussurro rouco, carregado de amargura.

"Helena, eu… eu entendo que você esteja chateada. E eu sinto muito por toda a dor que essa situação causou. Mas eu preciso que você saiba que eu jamais quis te machucar." As palavras de Sofia eram sinceras, um desabafo de sua própria angústia. "Eu também passei por momentos difíceis com o Gabriel, por mal-entendidos e por coisas que não saíram como planejado. Eu sei que o amor pode ser complicado, e eu sinto muito que você esteja passando por isso."

Um silêncio pesado se instalou entre elas. Sofia via nos olhos de Helena uma guerra interna, uma batalha entre a raiva, a tristeza e talvez, apenas talvez, um vislumbre de compreensão.

"Complicado?", Helena finalmente repetiu, um riso amargo escapando de seus lábios. "É um eufemismo. Ele sempre foi o meu destino, Sofia. E você… você apareceu e o roubou de mim."

"Helena, ele não é um objeto para ser roubado. E eu não o 'roubei'. As coisas aconteceram, e eu não posso apagar o passado. Mas eu acredito que o amor verdadeiro não se impõe, ele se constrói. E eu espero que você, um dia, encontre o seu próprio amor verdadeiro, alguém que te faça feliz de verdade." Sofia sentiu uma onda de empatia pela amiga, apesar de toda a dor que ela lhe causara.

Helena abaixou o olhar, as lágrimas agora rolando livremente por seu rosto. "Eu não sei se consigo, Sofia. Eu o amo há tanto tempo… é como se uma parte de mim tivesse morrido."

"Não diga isso, Helena. Você é uma mulher forte. E a vida continua, mesmo quando achamos que tudo acabou. Você vai se recuperar, vai encontrar um novo caminho. E eu… eu espero que um dia possamos ser amigas. Ou pelo menos, que possamos nos respeitar."

Ao sair do quarto de Helena, Sofia sentiu um alívio misturado com uma tristeza profunda. A conversa não havia resolvido todos os problemas, mas havia aberto uma fresta, um pequeno sussurro de esperança. Ela havia enfrentado a sua culpa, havia expressado seus sentimentos, e, de certa forma, havia oferecido um ombro de apoio.

Naquela noite, Gabriel ligou. Sua voz estava mais calma. "Sofia, eu acabei de sair do hospital. Helena está mais estável. Os pais dela me agradeceram pela minha presença. E… ela disse que queria te ver. Parece que ela quer conversar com você de novo amanhã."

Um misto de surpresa e esperança percorreu Sofia. Talvez, apenas talvez, o caminho tortuoso que o amor havia tomado estivesse começando a se endireitar. A tempestade não havia passado completamente, mas o céu já mostrava alguns sinais de clareza, um prenúncio de que o sol, teimoso e persistente, poderia, enfim, romper as nuvens. A culpa ainda pairava, mas o sussurro da esperança começava a se tornar mais audível, um lembrete de que, mesmo com um GPS quebrado, o coração, em sua sabedoria inata, sempre busca o caminho de volta para a luz.

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