A Lista de Tarefas do Coração

Claro, aqui estão os capítulos 11 a 15 de "A Lista de Tarefas do Coração", escritos no estilo solicitado:

por Priscila Dias

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Capítulo 11 — O Beijo Roubado e a Tempestade que se Forma

O ar em São Paulo parecia ter mudado. Não era apenas a umidade típica do fim de tarde que pairava sobre a cidade, prometendo uma chuva torrencial, mas algo mais sutil, carregado de uma eletricidade que apenas os corações apaixonados conseguiam sentir. Helena, com os olhos fixos em Miguel, sentiu a familiar vertigem em seu estômago. As palavras dele, ditas em meio ao burburinho do café, ainda ecoavam em sua mente. "Eu nunca te esqueci, Helena." A frase, tão simples, carregava um peso que a desarmou.

Ela se lembrava de cada detalhe daquele dia. O cheiro de café fresco, a música suave tocando ao fundo, a maneira como a luz do sol filtrava pelas janelas, iluminando o pó que dançava no ar. Era um cenário tão cotidiano, mas para eles, um palco para o reencontro que parecia ter sido escrito nas estrelas. Miguel, com o rosto marcado pelo tempo, mas com os mesmos olhos azuis intensos de antes, parecia um fantasma de seu passado, um fantasma que ela, de alguma forma, sempre esperara reencontrar.

"Miguel...", a voz dela saiu embargada, mal audível. O nome dele, pronunciado depois de tantos anos de silêncio, parecia ter um gosto novo em sua boca. Um gosto agridoce, uma mistura de saudade e um medo persistente.

Ele deu um passo à frente, o espaço entre eles diminuindo com uma velocidade que parecia desafiar as leis da física. As mãos dele, outrora tão familiares, agora pareciam estranhas e ao mesmo tempo incrivelmente desejadas. "Eu sei que você deve ter muitas perguntas, Helena. E eu tenho tantas respostas que nem sei por onde começar."

Helena balançou a cabeça, um leve tremor percorrendo seus lábios. "Perguntas? Tenho tantas que elas se perderam em algum lugar no meio do caminho. O que importa agora é... o que você está fazendo aqui?" A pergunta era direta, mas o tom dela denunciava a confusão e a esperança que borbulhavam dentro dela.

Miguel sorriu, um sorriso cansado, mas genuíno. "Eu voltei. Voltei para ficar. E não poderia ter voltado sem vir atrás de você." Ele olhou para ela, e naquele olhar, Helena viu o reflexo de todos os sonhos que ela havia enterrado, de todas as esperanças que havia deixado para trás. Era um olhar de redenção, de um homem que havia percorrido um longo caminho para chegar ali.

A chuva começou a cair lá fora, um prenúncio da tempestade que se formava em seus corações. O vento uivava, açoitando as janelas do café, e as gotas grossas batiam no vidro com uma urgência que espelhava a urgência que ela sentia. Ela olhou para Miguel, e naquele momento, o mundo ao redor deles desapareceu. Havia apenas os dois, o passado que os assombrava e o presente que se apresentava de forma tão inesperada.

"Você se lembra daquele dia no parque, Miguel? O dia em que prometemos um ao outro que nunca nos separaríamos?" As palavras de Helena saíram como um suspiro, carregadas de uma melancolia que ela tentava, em vão, disfarçar.

Miguel assentiu, seus olhos fixos nos dela, como se estivesse revivendo cada segundo. "Eu me lembro. Lembro de cada promessa, de cada beijo, de cada risada. E me lembro do dia em que fui embora. Do dia em que quebrei todas elas." Um nó se formou em sua garganta, e ele lutou para não deixar as lágrimas escaparem. Ele sabia que o perdão seria difícil, talvez impossível, mas ele precisava tentar.

"Por que você foi, Miguel?", ela perguntou, a voz agora firme, carregada de anos de dor reprimida. "Por que você simplesmente desapareceu da minha vida sem uma palavra?"

Miguel respirou fundo, buscando as palavras certas. "Não foi uma decisão fácil, Helena. Foi a coisa mais difícil que eu já fiz. Naquela época, eu era jovem, impulsivo, assustado. Tive medo de não ser bom o suficiente para você, de não poder te dar o futuro que você merecia. A proposta de trabalho no exterior parecia uma oportunidade única, uma forma de me provar, de construir algo para nós." Ele fez uma pausa, a dor em sua voz palpável. "Mas eu fui burro. Eu não pensei em como minha partida te afetaria. Pensei apenas em mim."

As lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Helena, mas ela não as enxugou. Elas eram a liberação de anos de sofrimento, de noites em claro, de corações partidos. Miguel estendeu a mão, hesitantemente, e tocou seu rosto, enxugando uma lágrima com o polegar. O toque dele era suave, um bálsamo para a ferida que ele mesmo havia causado.

"Eu te amava, Helena. Eu te amo até hoje. E o arrependimento me consumiu por todos esses anos." Ele olhou para ela, a esperança renascendo em seus olhos. "Eu sei que não posso apagar o passado, mas eu quero tentar construir um futuro com você. Se você me der uma chance."

O barulho da chuva lá fora aumentou, as gotas batendo no vidro com uma força crescente. O vento uivava como um lobo solitário, e o café, que antes parecia um refúgio seguro, agora se tornava um palco para a tempestade que se formava em seus corações. Helena olhou para Miguel, para o homem que ela amou e que a fez sofrer, para o homem que, de alguma forma, ainda ocupava um espaço imenso em sua alma.

Um raio cortou o céu, iluminando o rosto de Miguel por um instante, e Helena viu nele a mesma paixão que a havia consumido anos atrás. Ela pensou em Lucas, no homem que a amou com uma serenidade que ela nunca experimentara antes, no homem que a ajudou a reconstruir sua vida depois que Miguel a deixou. Ela pensou em sua lista de tarefas, em seus objetivos, em sua nova vida.

Mas ali, diante dela, estava Miguel. E com ele, a promessa de um amor que se recusava a morrer.

Ele se inclinou para ela, devagar, como se temesse assustá-la. Os olhos dele eram um convite, uma súplica. Helena sentiu seu coração acelerar, um tambor frenético em seu peito. Ela fechou os olhos, permitindo que a memória daquele beijo, daquela paixão avassaladora, a invadisse novamente.

E então, no meio da tempestade que rugia lá fora, Miguel a beijou. Um beijo roubado, desesperado, carregado de anos de saudade, de arrependimento e de uma paixão que se recusava a ser esquecida. Foi um beijo que quebrou todas as barreiras, que desfez o tempo, que os transportou de volta para um passado que parecia tão presente. Helena se entregou àquele beijo, sentindo o calor dos lábios dele nos seus, o gosto de um amor que, apesar de tudo, ainda pulsava forte. A chuva lá fora intensificou-se, batendo nas janelas com fúria, como se a própria natureza estivesse testemunhando aquele reencontro explosivo. A tempestade havia chegado, e ela não era apenas externa, mas interna, agitando as águas calmas que Helena havia construído cuidadosamente.

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