A Lista de Tarefas do Coração

Capítulo 4 — A Fuga para Paris e um Encontro Inesperado

por Priscila Dias

Capítulo 4 — A Fuga para Paris e um Encontro Inesperado

A decisão foi tomada em um lampejo de coragem que surpreendeu a própria Lúcia. Deixar a Toca das Letras, seu refúgio seguro, seu legado, era como arrancar um pedaço de si mesma. Mas a ideia de Rafael partindo para longe, de uma vida sem o seu sorriso, sem o calor de suas mãos em sua cintura, era um vazio ainda maior. A lista de tarefas do coração, antes um guia brincalhão, tornara-se o seu mapa para a coragem. Riscar o item 4 – escrever o conto – foi um alívio, mas riscar o item 2 – viajar para a cidade dos seus sonhos – era o próximo passo ousado. Paris.

Ela passou os dias seguintes em um turbilhão de preparativos, com uma mistura de excitação e apreensão que a deixava sem fôlego. Contratou uma agência para gerenciar a livraria temporariamente, fez as malas com uma leveza que a surpreendeu, e, o mais importante, ensaiou mentalmente as palavras que precisava dizer a Rafael. Aquele convite para ir com ele, tão repentino e intenso, havia acendido uma chama que ela não podia mais apagar.

Rafael, alheio ao seu plano de fuga, continuou com seu trabalho, o barulho da obra diminuindo gradualmente à medida que os acabamentos finais eram realizados. A interação deles se tornara mais íntima, mais repleta de olhares cúmplices e conversas sussurradas. Lúcia se pegava sorrindo ao pensar em como ele havia transformado sua rotina pacata em algo cheio de vida e ritmo.

Na véspera de sua partida, Lúcia decidiu que precisava vê-lo. Não podia ir embora sem pelo menos tentar. Ela foi até o canteiro de obras, o coração martelando no peito. O sol da tarde banhava o local com uma luz dourada, quase poética. Rafael estava lá, supervisionando os últimos detalhes, sua figura confiante em meio aos trabalhadores.

Ele a viu e um sorriso iluminou seu rosto. "Lúcia! Que surpresa agradável. Veio se despedir do barulho?"

Lúcia riu, um som genuíno e livre. "De certa forma, sim. E também... de você."

Rafael se aproximou, a expressão ficando mais séria. "Já? Tão rápido?"

"Eu preciso ir, Rafael", ela disse, reunindo toda a sua coragem. "Tenho... uma lista de coisas a fazer. E Paris é uma delas."

Ele a olhou, seus olhos azuis tentando decifrar suas palavras. "Paris? Você vai para Paris?"

Lúcia assentiu. "E eu queria te perguntar algo." Ela respirou fundo, sentindo o peso daquele momento. "Você disse que queria que a gente vivesse algo avassalador. Que eu fosse com você. Eu... eu estou indo para Paris, Rafael. Se você ainda quiser, se a oferta ainda estiver de pé... eu adoraria ir com você. Ou esperar por você lá."

Rafael ficou em silêncio por um momento, uma mistura de surpresa e algo mais profundo em seus olhos. Então, um sorriso lento e radiante se espalhou por seu rosto.

"Lúcia...", ele sussurrou, pegando suas mãos. "Você não imagina o quanto eu queria ouvir isso. Eu não posso ir com você agora, meu trabalho aqui ainda não acabou. Mas eu te esperarei em Paris. Prometo. Assim que eu terminar aqui, eu vou."

Ele a puxou para um abraço apertado, e Lúcia sentiu uma paz avassaladora. Era o início de algo. Era o item 6 da lista cumprido de uma forma inesperada.

A viagem para Paris foi um sonho acordado. A cidade luz a recebeu com seus encantos, a Torre Eiffel imponente contra o céu azul, o Rio Sena serpenteando com seus barcos charmosos, os cafés convidando para momentos de pausa e contemplação. Lúcia se sentia diferente. A timidez parecia ter se dissipado, substituída por uma curiosidade e uma vontade de explorar que a impulsionavam.

Ela se hospedou em um pequeno hotel charmoso em Montmartre, com vista para os telhados cinzentos e as pichações artísticas que coloriam as paredes. Passava os dias caminhando, visitando museus, saboreando croissants e café com leite em bistrôs, e o mais importante, escrevendo. Escrevia em seu caderno, registrando cada nova experiência, cada sentimento, como se estivesse escrevendo o último capítulo de sua vida, ou talvez, o primeiro de uma nova.

Uma tarde, enquanto passeava pelo Jardin du Luxembourg, completamente absorta em seus pensamentos, ela esbarrou em alguém. Livros e um pequeno pacote de macarons voaram para o chão.

"Oh, desculpe!", exclamou Lúcia, apressada.

"Não se preocupe, eu também estava distraída", disse uma voz masculina, com um sotaque que Lúcia não reconheceu de imediato.

Ela se abaixou para pegar os livros, e quando levantou o olhar, congelou. Diante dela estava um homem. Alto, com cabelos castanhos levemente ondulados, olhos de um verde intenso, quase esmeralda, e um sorriso cativante. Ele parecia familiar, de alguma forma.

"Você é brasileira, não é?", ele perguntou, um sorriso brincando em seus lábios. "Notei a forma como você disse 'desculpe'."

Lúcia assentiu, ainda um pouco atordoada. "Sim, sou. E você?"

"Português", ele respondeu, estendendo a mão. "Sou Miguel. Sou escritor."

Escritor. A palavra ecoou na mente de Lúcia. Ela pegou a mão dele, sentindo um leve arrepio. "Prazer, Miguel. Eu sou Lúcia. E eu também escrevo... ou tento."

Miguel sorriu, pegando o pacote de macarons que havia caído perto dele. "Macarons! Um dos meus vícios. Aposto que você também adora."

Lúcia riu. "São deliciosos. Paris é um paraíso para os amantes de coisas boas."

Eles se sentaram em um banco, e a conversa fluiu com uma facilidade surpreendente. Miguel falava sobre sua paixão pela escrita, sobre a dificuldade de encontrar inspiração, sobre a beleza da vida em Paris. Lúcia se sentiu à vontade para compartilhar seus próprios sentimentos, sobre a lista de tarefas do coração, sobre a coragem que precisou para vir até ali.

"Sabe, Lúcia", Miguel disse, enquanto observava as crianças brincando na fonte, "eu sempre acreditei que a vida é uma coleção de momentos. E quanto mais momentos intensos e verdadeiros a gente coleciona, mais rica ela se torna."

Ele a olhou nos olhos, e Lúcia sentiu uma faísca. Era diferente de como ela se sentia com Rafael. Com Rafael, era paixão, era intensidade. Com Miguel, era uma conexão mais sutil, uma cumplicidade que parecia transcender as palavras.

"É como se a gente estivesse escrevendo um livro", Lúcia continuou, sentindo-se inspirada. "E cada experiência é um capítulo."

"Exatamente!", Miguel exclamou, animado. "E às vezes, um encontro inesperado pode ser o início de um capítulo que a gente nunca imaginou."

Eles passaram horas conversando, compartilhando histórias, sonhos, medos. Lúcia sentiu que havia encontrado não apenas um amigo, mas alguém que a compreendia em um nível profundo. A lista de tarefas do coração ainda estava lá, em sua bolsa, mas agora, parecia um pouco menos urgente. Talvez, a vida tivesse um jeito de te surpreender, de te apresentar pessoas que te ajudam a reescrever seus próprios planos.

Ao se despedirem, Miguel a convidou para jantar. "Há um pequeno bistrô aqui perto, com a melhor bouillabaisse de Paris. Topa?"

Lúcia hesitou por um instante. Rafael. A promessa. Mas naquele momento, sentiu que precisava explorar essa nova conexão. "Eu adoraria", ela disse, com um sorriso.

Enquanto caminhava de volta para o hotel, sob a luz suave dos lampiões parisienses, Lúcia sentiu uma onda de emoções conflitantes. Rafael a esperava, e ela o amava. Mas aquele encontro com Miguel havia despertado algo novo, algo que ela não conseguia explicar. A vida, ela percebeu, era realmente uma aventura cheia de reviravoltas inesperadas. E quem sabe, talvez o destino tivesse um plano ainda mais interessante para ela.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%