A Lista de Tarefas do Coração

Capítulo 5 — O Dilema do Coração: Entre Dois Amores?

por Priscila Dias

Capítulo 5 — O Dilema do Coração: Entre Dois Amores?

O aroma de café forte pairava no ar do pequeno bistrô em Saint-Germain-des-Prés, misturando-se ao perfume adocicado dos macarons que Lúcia havia insistido em trazer. A luz amarelada dos abajures criava uma atmosfera íntima, enquanto as conversas em francês murmuravam ao redor, criando um pano de fundo suave para a conversa que se desenrolava entre Lúcia e Miguel. A bouillabaisse, como prometido, era divina, e a companhia de Miguel, surpreendentemente confortável.

"Eu ainda não consigo acreditar que eu realmente fiz isso", Lúcia confessou, dando um gole em seu vinho. "Deixar tudo para trás, vir para Paris, e agora... estar jantando com um escritor português que conheci esbarrando em um parque."

Miguel riu, seu olhar verde intenso fixo nela. "Bem, se você não tivesse esbarrado em mim, teríamos perdido uma ótima bouillabaisse e uma conversa que parece ter sido escrita em nossos destinos."

Lúcia sorriu. Havia uma leveza na forma como ele falava, uma confiança que a atraía. Ele a fazia se sentir vista, compreendida, de uma maneira que ela não experimentava há muito tempo. Aquele encontro no Jardin du Luxembourg parecia ter desbloqueado uma nova Lúcia, uma versão mais ousada e confiante de si mesma.

"Você fala como se tudo fosse planejado", Lúcia provocou.

"Não planejado, mas guiado", Miguel corrigiu. "A vida nos apresenta oportunidades, Lúcia. Às vezes, a gente precisa ter a coragem de agarrá-las. Como você fez ao vir para Paris."

Ele sabia sobre a lista. Ele sabia sobre Rafael. E, estranhamente, ele não parecia julgar. Em vez disso, ele a incentivava. Era como se ele entendesse a necessidade de Lúcia de se reencontrar, de se arriscar.

"E o Rafael?", Miguel perguntou, com a delicadeza de quem não quer invadir, mas busca entender. "Você vai encontrá-lo?"

A menção de Rafael trouxe um misto de emoções para Lúcia. A paixão que sentia por ele era inegável, um turbilhão de sensações que a fazia sentir viva. A promessa dele de esperá-la em Paris ainda ressoava em sua mente, um farol em meio à incerteza.

"Eu pretendo", Lúcia respondeu, a voz um pouco mais baixa. "Ele me pediu para ir com ele, e eu disse que o esperaria. Mas... as coisas mudaram um pouco desde então."

"Você se descobriu um pouco", Miguel completou suavemente. "É normal. Paris tem esse poder."

Lúcia acenou com a cabeça. "É como se eu estivesse vivendo um livro diferente do que eu esperava. Um livro com um novo personagem."

Miguel sorriu, um sorriso que chegava aos seus olhos. "E quem sabe, talvez esse novo personagem traga uma nova perspectiva. Uma nova história para você escrever."

A conversa se estendeu por horas, regada a vinho e a uma crescente cumplicidade. Miguel contava sobre seus livros, sobre suas lutas com a inspiração, sobre sua busca por um amor que fosse tão profundo quanto a arte que ele criava. Lúcia se via compartilhando mais dela mesma do que jamais havia feito antes, sentindo que ali, naquele bistrô parisiense, ela podia ser verdadeiramente quem era.

Ao final da noite, quando caminhavam de volta para seus respectivos hotéis sob o céu estrelado de Paris, Miguel parou.

"Lúcia", ele disse, sua voz um pouco mais séria. "Eu não sou um homem de jogos. E eu gosto muito de você. Gosto dessa sua nova versão, a Lúcia que se permite sonhar e se arriscar. Se você estiver aberta, eu gostaria de continuar a conhecer você. E quem sabe, juntos, a gente escreva um capítulo ainda mais interessante."

O coração de Lúcia deu um salto. Era a tentação, o charme, a inteligência de Miguel. Era um amor diferente, mais cerebral, mais sereno, mas não menos intenso. Era o item 6 da lista, "Viver um romance intenso e avassalador", se manifestando de uma forma totalmente inesperada, e em duplicidade.

"Miguel...", Lúcia começou, a voz embargada. A confusão tomava conta dela. Ela amava a ideia de Rafael, a paixão avassaladora que ele despertava. Mas a conexão com Miguel era real, genuína, e a fazia sentir-se em casa.

"Eu sei que você tem o Rafael", Miguel disse, percebendo sua hesitação. "E eu não quero ser o motivo de nenhum conflito. Mas eu também não quero que você deixe de explorar algo que pode ser importante. O amor, Lúcia, se manifesta de muitas formas."

Ele a olhou com uma ternura que a desarmou. Lúcia sabia que ele tinha razão. Ela estava dividida. Uma parte dela ansiava pela intensidade avassaladora de Rafael, pela promessa de um amor que a consumisse. Outra parte dela se sentia atraída pela calma, pela cumplicidade e pela inteligência de Miguel, um amor que a nutrisse e a inspirasse.

"Eu preciso de um tempo para pensar", Lúcia sussurrou, sentindo o peso da decisão.

"Claro", Miguel respondeu, com um sorriso compreensivo. "E se você decidir que quer continuar a explorar isso comigo, me procure. Ou eu a procurarei. Paris é um lugar pequeno para corações que se encontram."

Ele a beijou suavemente na testa, um gesto de carinho e respeito, e se afastou, deixando Lúcia sozinha na rua iluminada, com a cabeça girando e o coração em um dilema.

Na manhã seguinte, Lúcia estava sentada em seu pequeno café favorito em Montmartre, com uma xícara de café e seu caderno aberto. Ela releu a lista. "Declarar-se ao homem que faz seu coração bater mais rápido." Ela já havia feito isso com Rafael. "Aprender a dançar salsa." Feito. "Viajar para a cidade onde você sempre sonhou ir." Feito. "Escrever aquele conto." Feito.

Restavam: "Perdoar quem te magoou" e "Viver um romance intenso e avassalador." E agora, um novo dilema se apresentava, um que a lista original não previa: o dilema de dois amores.

Ela pegou o celular. Havia uma mensagem de Rafael.

"Bom dia, meu amor. Contando os dias para você vir para cá. A obra terminou. Estou te esperando. Te amo."

Lúcia sentiu um aperto no peito. Amor. Era uma palavra forte. Ela amava Rafael, mas o que ela sentia por Miguel era algo diferente, algo que a fazia querer ser uma escritora melhor, uma mulher melhor.

Ela começou a escrever em seu caderno, não mais sobre Paris, mas sobre os sentimentos que a assolavam. Ela escreveu sobre a intensidade do primeiro amor, sobre a descoberta de novas conexões, sobre a complexidade do coração humano.

Enquanto escrevia, uma ideia começou a se formar. Talvez, a lista não fosse um roteiro rígido, mas um ponto de partida. Talvez, a vida fosse mais sobre as escolhas que a gente faz ao longo do caminho, sobre as novas aventuras que a gente se permite viver.

Ela olhou para a lista novamente. "Perdoar quem te magoou." Havia uma pessoa em sua vida que a havia magoado profundamente, uma pessoa que ela precisava deixar ir para poder seguir em frente. Era um item que ela vinha adiando, com medo da dor que ele poderia trazer.

Lúcia fechou o caderno com um suspiro. A decisão sobre Rafael e Miguel ainda pairava no ar, uma nuvem de incerteza. Mas ela sabia que, antes de tudo, precisava se perdoar, e perdoar aqueles que a haviam ferido. Era o passo final para se libertar completamente. E talvez, só então, ela pudesse entender o que realmente seu coração desejava. A aventura em Paris estava apenas começando, e Lúcia sentia que os capítulos mais emocionantes ainda estavam por vir.

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