A Lista de Tarefas do Coração

A Lista de Tarefas do Coração

por Priscila Dias

A Lista de Tarefas do Coração

Por Priscila Dias

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Capítulo 6 — A Farsa de Paris e o Gosto Amargo do Ciúme

O aroma de croissants recém-assados e café forte pairava no ar, uma sinfonia olfativa que, em outras circunstâncias, teria embalado Clara em um êxtase de prazer parisiense. Mas, naquele momento, cada voluta de vapor parecia carregada de um peso insuportável. Sentada em um bistrô charmoso, com a Torre Eiffel vislumbrando ao fundo através da janela embaçada pela garoa fina, ela sentia o estômago embrulhar não pela saudade de casa, mas pela presença perturbadora de quem estava à sua frente.

Rafael, com seu sorriso calculista que ela agora conhecia tão bem, parecia intocado pela tensão que emanava dela. Ele brincava com a borda da xícara de café, os olhos azuis penetrantes fixos nos dela, como se lesse cada pensamento que a atormentava. A "fuga" para Paris, que ela havia idealizado como um refúgio para clarear as ideias e, quem sabe, reavaliar os sentimentos por ele, transformara-se em um labirinto de armadilhas.

"Então, Clara," ele começou, a voz suave, mas com um tom de quem sabia exatamente onde pisava. "Você fugiu. Achou que um oceano de distância resolveria seus dilemas?"

Clara sentiu um rubor subir pelo pescoço. Ela odiava a forma como ele a expunha, como se desvendasse as camadas mais íntimas de sua confusão. "Eu precisava de espaço, Rafael. E Paris sempre foi um sonho."

"Um sonho que convenientemente se alinhou com a minha presença?" Ele ergueu uma sobrancelha, um sorriso de escárnio brincando nos lábios. "Ou seria um plano cuidadosamente arquitetado para me manter por perto enquanto você decide quem é o homem da sua vida?"

A acusação, embora cruel, acertou em cheio. Era exatamente isso, em essência, o que a assombrava. A confusão entre a segurança e o afeto de Lucas e a paixão avassaladora e imprevisível de Rafael. E agora, ali, em Paris, onde a linha entre fantasia e realidade parecia se dissolver, ela estava presa entre os dois, sem saber para onde correr.

"Não seja ridículo, Rafael. Eu não planejei nada disso." A voz de Clara vacilou. Ela sabia que mentia para si mesma, e, pior ainda, para ele. A verdade era que, desde que ele apareceu em sua vida, com sua energia vibrante e seu jeito de desafiar todas as suas certezas, a vida dela havia se tornado uma montanha-russa. E ela, por mais que tentasse resistir, estava gostando da adrenalina.

Rafael inclinou-se para a frente, o olhar fixo e intenso. "Sério? Porque, para mim, parece que você está jogando um jogo perigoso, Clara. Um jogo em que você usa os sentimentos dos outros como peões."

"Eu não estou usando ninguém!", a voz de Clara subiu um tom, atraindo olhares curiosos de outras mesas. Ela baixou a voz, sentindo-se acuada. "Eu estou tão confusa quanto você pensa que estou confusa. Lucas é... Lucas é tudo que eu sempre quis. Ele é estável, gentil, o futuro que a minha família sempre sonhou para mim. E você..."

Ela hesitou, buscando as palavras certas para descrever o furacão que ele representava. "Você é... um incêndio. Algo que me consome e me fascina ao mesmo tempo. E eu não sei se devo me aproximar do fogo ou fugir antes que ele me queime por completo."

Rafael riu, um som rouco que fez um arrepio percorrer a espinha de Clara. "E você acha que fugir para Paris me impediria de te alcançar? Você subestima o meu interesse, meu bem." Ele estendeu a mão sobre a mesa e acariciou o dorso da mão dela com um dedo. O toque, leve como uma brisa, mas carregado de eletricidade, fez o coração de Clara disparar. "Eu vim para Paris por você, Clara. Para ter certeza de que você não faria nenhuma besteira."

O sangue de Clara gelou. "Você veio por mim? Você está brincando comigo!"

"Não estou brincando", ele disse, o olhar sério. "Você é importante para mim. Mais importante do que eu gostaria de admitir." Ele suspirou, e pela primeira vez, Clara viu uma sombra de vulnerabilidade em seus olhos. "Talvez eu seja um incêndio, Clara. Mas você, você é a minha faísca. A faísca que acende tudo em mim."

As palavras dele a desarmaram. A fachada de indiferença e arrogância que ele tantas vezes exibia desmoronou, revelando um homem que, apesar de sua complexidade, parecia genuinamente afetado por ela. E isso, em Paris, sob o olhar cúmplice da Torre Eiffel, era perigoso.

"Mas e Lucas?", Clara sussurrou, a voz embargada. "Ele não merece isso. Ele é um bom homem, Rafael. Ele me ama."

"E você o ama?", Rafael perguntou, a pergunta pairando no ar como uma sentença. "Ama de verdade, Clara? Aquele amor que te faz sentir segura, mas que também te impede de voar? Ou você ama a ideia de um amor seguro, porque tem medo do desconhecido?"

As palavras dele eram como agulhas, perfurando suas inseguranças mais profundas. Ela amava Lucas? Sim, ela o amava. Mas seria o amor que sustentaria uma vida inteira? Ou seria apenas o conforto de uma rotina familiar? A paixão por Rafael era avassaladora, um turbilhão de emoções que a deixava sem ar, mas também a assustava. E agora, presa em Paris com o homem que desencadeava essa tempestade, ela sentia o peso de suas escolhas, a iminência de uma decisão que mudaria o curso de sua vida.

O silêncio se instalou entre eles, um silêncio carregado de expectativas não ditas e de medos profundos. Clara sentiu o ciúme corroer suas entranhas. O ciúme de Lucas, o homem que representava a estabilidade que ela temia perder. O ciúme de si mesma, por não conseguir decidir o que realmente queria. E, em um canto sombrio de sua mente, um fio de ciúme de Rafael. Ciúme por quê? Talvez pelo fato de ele, com tanta facilidade, parecer navegar pelas complexidades da vida e do amor, enquanto ela se afogava em um mar de incertezas.

Rafael, percebendo a turbulência em seu rosto, estendeu a mão novamente, dessa vez segurando a mão dela com mais firmeza. "Olha, Clara. Eu não vim aqui para te pressionar. Vim porque não podia te deixar ir sem que você soubesse que o que sentimos é real. É complicado, é caótico, mas é real." Ele apertou a mão dela. "E eu quero explorar isso com você. Aqui, longe de tudo e de todos. Vamos dar uma chance a nós dois, longe das expectativas e das listas de tarefas do coração."

Clara olhou para as mãos entrelaçadas, a pele de Rafael quente contra a sua. Ela se sentia dividida. De um lado, a segurança do porto seguro que Lucas representava. Do outro, a promessa de um amor ardente e inesquecível, mas perigoso, que Rafael oferecia. Paris, com toda a sua magia, de repente parecia apenas um palco para o drama que se desenrolava em seu peito. Ela fechou os olhos, tentando absorver o aroma do café, o som da chuva, a presença avassaladora de Rafael. A lista de tarefas do coração estava cada vez mais confusa. E a decisão, cada vez mais urgente.

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