A Lista de Tarefas do Coração

Capítulo 8 — O Encontro Inesperado com o Passado e a Dúvida Instalada

por Priscila Dias

Capítulo 8 — O Encontro Inesperado com o Passado e a Dúvida Instalada

O jantar à luz de velas no pequeno bistrô parisiense foi um turbilhão de sensações para Clara. Rafael, com sua atenção inabalável, sua conversa envolvente e os olhares que pareciam penetrar sua alma, a deixava em um estado de êxtase confuso. Cada toque acidental, cada sorriso trocado, cada confissão sussurrada aumentava a intensidade da conexão entre eles. Ela se sentia vista, desejada, compreendida de uma forma que nunca experimentara antes.

"Você está tão quieta hoje, Clara", Rafael observou, sua voz suave interrompendo o silêncio confortável que pairava entre eles. Ele estendeu a mão sobre a mesa e cobriu a dela. "Pensando em Lucas?"

A pergunta, embora direta, não a ofendeu. Havia uma honestidade em seu tom que dissipava qualquer ressentimento. Clara suspirou, sentindo o peso daquela decisão iminente.

"Não exatamente", ela respondeu, olhando para as mãos entrelaçadas. "Estou pensando em mim. Em quem eu sou quando estou com você. É diferente. Mais vibrante, mais... perigosa."

Rafael apertou a mão dela. "Perigosa pode ser excitante, Clara. E essa sua vibração… é contagiante." Ele inclinou-se para a frente, o olhar fixo nos dela. "Eu não quero ser o motivo do seu medo, Clara. Quero ser o motivo da sua coragem. De você se permitir viver algo novo, algo que te tire da sua zona de conforto."

"Mas e se eu não for corajosa o suficiente?", ela sussurrou, a voz embargada pela emoção. "E se eu acabar me machucando, ou pior, machucando Lucas?"

"Não há garantias na vida, Clara", Rafael disse, sua voz ganhando uma intensidade que a fez prender a respiração. "Mas há escolhas. E a escolha de se permitir ser feliz, de explorar o que o coração realmente deseja, é a mais importante de todas. E eu não te deixarei se machucar. Eu prometo."

A promessa, dita com tanta convicção, ecoou em sua alma. Mas, no fundo, uma sombra de dúvida persistia. Lucas era o homem que representava a segurança, a estabilidade, o amor que ela conhecia e confiava. Era o plano que ela havia traçado para sua vida. E Rafael? Rafael era a tempestade, a paixão avassaladora, o desconhecido tentador.

Enquanto Rafael se levantava para pedir mais uma taça de vinho, o sino da porta do bistrô tocou, anunciando a chegada de novos clientes. Clara, distraída, olhou para a entrada e seu coração deu um salto mortal. Seus olhos encontraram os de Lucas. Ele estava ali, em Paris, parado na porta, o rosto uma mistura de choque e mágoa ao vê-la sentada à mesa com outro homem.

O mundo de Clara parou. A atmosfera romântica do jantar se desfez em um instante, substituída por um pânico avassalador. Ela sentiu o sangue fugir de seu rosto. Rafael, percebendo a mudança em sua expressão, virou-se na direção que ela olhava. Seus olhos azuis encontraram os de Lucas, e uma centelha de reconhecimento, seguida por uma tensão palpável, surgiu entre os dois homens.

"Lucas?", Clara gaguejou, sentindo-se incapaz de se mover.

Lucas deu um passo à frente, o olhar fixo em Clara, como se não visse mais nada ao redor. "Clara? O que você está fazendo aqui? E quem é ele?" A voz dele era fria, carregada de uma dor que Clara nunca o tinha visto expressar.

Rafael se levantou, aproximando-se de Clara, mas mantendo uma distância respeitosa de Lucas. Havia uma aura de calma calculista nele, mas Clara podia sentir a tensão em seus ombros.

"Eu sou Rafael", ele disse, sua voz firme e confiante, estendendo a mão para Lucas. "E Clara está comigo."

Lucas ignorou a mão estendida, seu olhar ainda fixo em Clara. "Com você? O que isso significa, Clara? Eu achei que você estava em Paris para resolver seus problemas, não para começar outros." A voz dele embargava. Ele havia viajado para Paris com a esperança de reconquistá-la, de convencê-la de que o amor deles era forte o suficiente para superar qualquer dúvida. E agora, a via ali, com outro homem, em um jantar romântico.

Clara sentiu uma onda de culpa inundá-la. Ela sabia que havia sido injusta com Lucas, que o havia enganado com a sua "fuga". Mas vê-lo ali, com o coração partido, era pior do que ela imaginava.

"Lucas, eu… eu posso explicar", Clara começou, a voz trêmula.

"Explicar o quê, Clara?", Lucas retrucou, a voz ganhando força. "Explicar que você fugiu para outro país, para os braços de outro homem, enquanto eu aqui me desdobrava para te dar o mundo?" Ele riu, um riso amargo e sem humor. "Parece que a sua lista de tarefas do coração tem mais prioridades do que eu imaginava."

Rafael deu um passo à frente, colocando-se ligeiramente entre Clara e Lucas. "Lucas, eu entendo a sua raiva. Mas você não pode culpar Clara por buscar algo que talvez não encontre em você."

Lucas virou-se para Rafael, seus olhos faiscando. "E quem é você para falar sobre o que Clara encontra em mim? Você é o homem que apareceu do nada, que desestabilizou a vida dela, que a fez duvidar de tudo. Eu sou o que ela sempre quis. A estabilidade, o futuro."

"O futuro que ela talvez não queira mais", Rafael rebateu, sem perder a calma. "Às vezes, Clara, as pessoas precisam de mais do que um futuro planejado. Precisam de paixão, de emoção. E isso, meu amigo, é algo que eu posso oferecer."

A tensão na sala era palpável. Clara sentiu-se presa entre os dois homens, entre dois mundos. A segurança de Lucas, que agora parecia uma prisão dourada, e a paixão avassaladora de Rafael, que prometia um futuro incerto, mas vibrante.

"Eu não quero uma disputa, senhores", Clara disse, a voz firme, tentando controlar o pânico. "Eu só quero entender o que está acontecendo."

Lucas a olhou com profunda decepção. "Eu achei que você me amava, Clara. Achei que éramos um time. Mas parece que você já tomou o seu lado."

"Não se trata de lados, Lucas", Clara insistiu, sentindo as lágrimas brotarem em seus olhos. "É sobre o que eu sinto. E eu estou confusa."

Rafael se aproximou de Clara, colocando uma mão reconfortante em seu ombro. "Clara, você não precisa se explicar para ele. Você não deve nada a ninguém. Apenas siga o seu coração."

Lucas olhou para a mão de Rafael no ombro de Clara, e um nó se formou em sua garganta. Ele sabia que havia perdido. A faísca que ele esperava reacender entre eles, Rafael a acendera com uma intensidade avassaladora.

"Eu vim para te trazer de volta, Clara", Lucas disse, a voz embargada. "Mas parece que você já encontrou um novo caminho. Um caminho que eu não posso trilhar com você." Ele se virou e saiu do bistrô, o som da porta se fechando ecoando como um golpe final.

Clara ficou paralisada, observando a porta por onde Lucas havia saído. Sentiu um aperto no peito, a culpa e a tristeza se misturando com um alívio estranho. Ela sabia que havia magoado Lucas profundamente, e isso a consumia. Mas, ao mesmo tempo, a presença de Rafael, o toque de sua mão em seu ombro, a ancorava.

Rafael a puxou gentilmente para um abraço. "Ele não te entende, Clara. Mas eu sim. E eu não vou te deixar ir." Ele a apertou contra si, e Clara, sentindo o calor de seu corpo, fechou os olhos. A dúvida ainda estava ali, mas algo havia mudado. A presença de Lucas, mesmo em sua dor, a forçou a confrontar seus sentimentos. E, naquele momento, a lista de tarefas do coração parecia ter se resumido a uma única tarefa: decidir para onde seu coração a levaria. A decisão, no entanto, ainda não estava totalmente tomada.

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