Um Match Improvável no Carnaval

Capítulo 13 — A Trama dos Segredos e o Sussurro da Família

por Priscila Dias

Capítulo 13 — A Trama dos Segredos e o Sussurro da Família

O clima no Rio de Janeiro parecia ter mudado. O sol forte da manhã de Carnaval, que antes era um convite à alegria, agora trazia consigo uma umidade densa e abafada, que parecia refletir o peso no peito de Clara. Ela estava sentada em um café charmoso em Ipanema, observando o movimento das pessoas, mas sua mente estava longe dali, presa na encruzilhada de sua relação com Gabriel. A noite anterior, no meio da festa em Laranjeiras, havia sido um turbilhão de emoções contraditórias. A esperança de uma reconciliação havia sido sufocada pela insistência de Gabriel em "pensar".

"Pensar sobre o quê?", ela murmurava para si mesma, mexendo distraidamente o açúcar em seu café. "Sobre o quanto ele me quer? Sobre o quanto ele tem medo de me querer?" A frase dele, "eu tenho medo de te machucar", ecoava em sua mente, um lembrete constante da barreira invisível que os separava.

O celular vibrou. Era sua mãe, Dona Laura, ligando de São Paulo. Clara atendeu, a voz tentando soar animada. "Oi, mãe! Como você está?"

"Minha filha! Que bom te ouvir! E então, está aproveitando o Carnaval?", a voz de Dona Laura transbordava carinho.

"Estou sim, mãe. O Rio é lindo nessa época", respondeu Clara, sentindo um aperto no coração. Ela não havia contado a verdade sobre Gabriel, sobre a intensidade do que sentia, nem sobre a sua própria confusão.

"Fico feliz em saber. E aquele rapaz, o Gabriel… você o encontrou de novo?", Dona Laura perguntou, com um tom de curiosidade disfarçada. Clara sentiu um arrepio. Sua mãe sabia mais do que demonstrava?

"Encontrei, mãe. Mas… as coisas estão um pouco complicadas", Clara admitiu, a voz um pouco trêmula.

Houve um silêncio do outro lado da linha, um silêncio carregado de significados. "Complicadas como, minha filha? Você sabe que pode me contar tudo."

Clara hesitou por um momento. Contar a verdade para a mãe significava abrir uma porta para um passado que ela mesma ainda não entendia completamente. A história de Dona Laura e do pai de Gabriel, uma história de amor interrompida por tragédias, sempre foi contada de forma velada, com lacunas e com um véu de tristeza. E agora, ela se via no centro de um drama que parecia ecoar o passado.

"É… é sobre ele. Sobre o passado dele. Ele tem medo, mãe. Medo de se envolver, medo de me machucar. Ele diz que tem fantasmas", Clara desabafou, as palavras saindo em um fluxo rápido.

Dona Laura suspirou. "Ah, Clara… o fantasma da perda é um dos mais difíceis de se livrar. Eu sei disso. O Gabriel… ele sofreu muito com a morte da mãe. E você, minha filha, é uma força da natureza. Você tem o poder de iluminar até os cantos mais escuros."

"Mas e se não for o suficiente? E se ele não conseguir superar o passado, mãe? E se eu não conseguir ajudá-lo?", as lágrimas ameaçavam cair.

"Você precisa dar a ele espaço para pensar, Clara. Mas também precisa mostrar a ele que você está lá. Que você o ama, e que está disposta a construir um futuro com ele, fantasmas incluídos. E lembre-se, o amor verdadeiro tem a força de curar, mas às vezes, precisa de tempo e de muita compreensão." Dona Laura fez uma pausa. "E Clara… há algo que você precisa saber sobre a família dele. E sobre a minha própria história com o pai dele. Talvez seja hora de entenderem tudo isso juntos."

"O que você quer dizer, mãe?", Clara perguntou, a curiosidade aguçada.

"Seus pais, Gabriel e eu… tivemos um amor intenso. Mas o tempo e as circunstâncias nos separaram. O pai dele, um homem bom, mas atormentado, e eu… eu era jovem demais para lidar com tudo. A verdade sobre o que aconteceu… é mais complexa do que parece. Talvez seja hora de vocês dois conversarem com o meu tio, o Dr. Armando. Ele sabe de toda a história. E ele pode ajudar a esclarecer muitas coisas."

O coração de Clara disparou. O Dr. Armando era uma figura quase lendária em sua família, um patriarca distante que raramente aparecia, mas que guardava os segredos mais profundos. "O Dr. Armando? Mãe, eu mal o conheço."

"Ele é seu avô, meu amor. O pai do seu pai. E ele tem um carinho especial por você, mesmo sem demonstrar muito. Se Gabriel estiver disposto a ouvir, eu posso organizar um encontro. Um jantar, talvez. Para que ele conheça a verdade. E para que vocês dois possam começar a desatar esses nós do passado."

A ideia de um encontro com o Dr. Armando, um encontro que envolvia Gabriel e desvendava os segredos de suas famílias, era ao mesmo tempo assustadora e excitante. Era um passo ousado, um mergulho em águas desconhecidas, mas Clara sentia que era o que precisava ser feito.

"Eu… eu aceito, mãe. Se Gabriel estiver disposto."

"Ótimo! Eu vou falar com ele. E você, minha querida, aproveite o resto do Carnaval. Não deixe que os problemas te roubem a alegria. Lembre-se do seu espírito livre."

A ligação terminou, deixando Clara em um estado de expectativa misturada com apreensão. O plano de Dona Laura era audacioso, mas parecia ser a única saída para desvendar a trama de segredos que os cercava. Ela sentia que Gabriel, apesar de seu medo, também desejava a clareza.

Naquela tarde, enquanto explorava as ruas do Leblon, Clara avistou Gabriel novamente. Ele estava sentado em um banco, olhando o mar, a figura solitária em meio à multidão festiva. Ela hesitou por um momento, mas a determinação tomou conta. Aproximou-se dele, o coração batendo forte.

"Gabriel", ela disse suavemente.

Ele se virou, surpreso, mas um leve sorriso surgiu em seus lábios. "Clara. Que coincidência."

"Talvez não seja coincidência", ela respondeu, sentando-se ao lado dele. "Eu conversei com a minha mãe."

Ele a olhou, o corpo tensionando levemente. "E o que ela disse?"

"Ela disse que entende seus medos. E me contou sobre o passado dela com o seu pai. E sugeriu que… nós dois pudéssemos conversar com o Dr. Armando. O seu avô. Para que você entenda toda a história. E para que possamos, juntos, desatar esses nós."

Gabriel permaneceu em silêncio por um longo momento, seus olhos fixos no horizonte azul. Clara esperou, o coração na boca. A proposta era delicada, envolvia suas famílias e um passado doloroso.

Finalmente, ele suspirou. "O Dr. Armando… ele sabe de tudo?"

"Minha mãe diz que sim. Ela acha que ele pode nos ajudar a entender. E eu… eu quero entender, Gabriel. Quero entender você. E quero que você me entenda também. Não quero mais viver nessa incerteza."

Ele a olhou, e Clara viu algo diferente em seus olhos. Uma centelha de esperança, talvez. Ou talvez apenas a aceitação de que fugir não era mais uma opção. "Eu… eu também quero entender, Clara. Tenho medo, mas… se isso nos ajudar… eu topo. Quero saber a verdade."

Um sorriso radiante iluminou o rosto de Clara. Era um pequeno passo, mas um passo na direção certa. A promessa de um jantar com o Dr. Armando, o patriarca silencioso de suas famílias entrelaçadas, pairava no ar. Um jantar onde os segredos seriam revelados, onde as máscaras cairiam e onde, talvez, eles pudessem construir um futuro juntos, livres das sombras do passado.

"Minha mãe vai organizar tudo", Clara disse, pegando sua mão. "E eu prometo que estarei ao seu lado, Gabriel. Em cada passo."

Ele apertou a mão dela, um gesto de confiança e de entrega. O som das ondas quebrando na praia, o riso distante das pessoas, tudo parecia se fundir em uma trilha sonora de esperança. O Carnaval ainda não havia acabado, mas para Clara e Gabriel, uma nova jornada estava apenas começando. A jornada da verdade, da cura e, quem sabe, do amor.

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