A Culpa Foi do Pão de Queijo

Capítulo 13 — O Gosto Amargo da Traição

por Letícia Moreira

Capítulo 13 — O Gosto Amargo da Traição

A mansão dos Vasconcelos, antes um refúgio de opulência e tranquilidade, agora parecia sufocada por uma nuvem de tensão e desconfiança. Clara sentia o peso do olhar de sua mãe, um misto de preocupação e acusação velada, e a presença de Rafael, embora reconfortante, não dissipava completamente o medo que a assombrava. A notícia do roubo na joalheria e o envolvimento de Pedro a deixaram abalada. Como o homem que ela um dia pensou em amar poderia estar envolvido em algo tão sórdido?

Rafael, com sua calma habitual e sua mente afiada, já havia começado a analisar os documentos que Dona Helena havia disponibilizado. Ele se movia com uma agilidade impressionante, folheando papéis, anotando detalhes, formulando hipóteses. Clara o observava, admirada pela sua dedicação e competência. Era difícil acreditar que aquele homem, capaz de desvendar um mistério tão complexo, fosse o mesmo que ela havia conhecido em um encontro desastroso movido a pão de queijo.

"Rafael...", Clara começou, a voz baixa. "Você realmente acha que pode provar minha inocência?"

Ele ergueu os olhos, um leve sorriso brincando em seus lábios. "Tenho certeza, Clara. O que eu não tenho certeza é sobre o que exatamente aconteceu. Pedro é um ingrediente inesperado nessa receita, e não um dos bons." Ele voltou sua atenção para os papéis. "A Dona Helena mencionou transações suspeitas de Pedro que antecederam o roubo. Isso é um ponto crucial. Se conseguirmos ligar essas transações diretamente ao roubo, podemos começar a construir uma defesa sólida."

Dona Helena, que estava sentada em uma poltrona próxima, observava Rafael com um misto de ceticismo e esperança. Ela não gostava daquele advogado, mas a inteligência e a determinação dele eram inegáveis.

"As transações foram feitas através de uma conta offshore, difícil de rastrear", Dona Helena disse, a voz carregada de frustração. "Pedro sempre foi muito esperto em esconder seus rastros financeiros."

"Esperto, mas não infalível", Rafael retrucou, sem tirar os olhos dos documentos. "Ninguém é. E se ele estiver envolvido, ele cometeu erros. O segredo é encontrá-los."

Enquanto Rafael se aprofundava na investigação, Clara sentia a necessidade de confrontar Pedro. Ela precisava entender o que havia acontecido, como ele, o homem que ela pensava conhecer, poderia ter se tornado um criminoso. Decidiu ir até o apartamento dele, uma decisão impulsiva, mas que ela sentia ser necessária.

"Eu vou até lá", Clara disse a Rafael e Dona Helena, quando se preparava para sair.

"Sozinha?", Dona Helena perguntou, alarmada.

"Sim. Eu preciso falar com ele. Eu preciso de respostas", Clara insistiu.

Rafael se levantou. "Eu vou com você, Clara. Você não vai sozinha."

"Não, Rafael. Isso é algo que eu preciso fazer. Sozinha", Clara disse, olhando nos olhos dele. "Eu preciso ver a reação dele, preciso sentir se ele é realmente capaz disso. Por favor, confie em mim."

Relutantemente, Rafael concordou. "Tudo bem. Mas tome cuidado. E se algo acontecer, me ligue imediatamente."

Clara assentiu, o coração apertado. Ela pegou o carro e dirigiu até o luxuoso apartamento de Pedro, sentindo um nó na garganta a cada quilômetro percorrido. Ao chegar, apertou a campainha, o som ecoando no silêncio do corredor.

A porta se abriu e Pedro apareceu, impecavelmente vestido, com seu sorriso charmoso habitual. Mas, ao ver Clara, seu sorriso vacilou.

"Clara! Que surpresa. A que devo a honra?", ele disse, tentando disfarçar o espanto.

"Pedro, precisamos conversar", Clara disse, a voz firme, mas embargada pela emoção.

Ele a convidou a entrar, e Clara se sentou no sofá elegante, sentindo-se deslocada. O apartamento, antes um símbolo de seu futuro promissor, agora parecia um palco de mentiras.

"Pedro, o que aconteceu na joalheria? Você está envolvido?", Clara perguntou, sem rodeios.

Pedro riu, um riso forçado. "Clara, você acha mesmo que eu seria capaz de algo assim? Você me conhece. Eu amo você."

"Não, Pedro. Eu não te conheço mais. O que eu sei é que meu nome está sendo investigado, e o seu está ligado a transações suspeitas antes do roubo. Minha mãe está desesperada, e eu também", Clara disse, as lágrimas começando a brotar em seus olhos.

O rosto de Pedro mudou. O charme desapareceu, dando lugar a uma expressão sombria e fria. "Sua mãe sempre foi uma mulher difícil. Sempre te controlou, sempre te disse o que fazer. E você, como sempre, a obedeceu."

"Você está fugindo da pergunta, Pedro", Clara disse, a voz firme apesar das lágrimas.

"Eu não fugi de nada, Clara. Apenas estou dizendo a verdade", ele retrucou, o tom de voz cada vez mais agressivo. "E a verdade é que você está sendo usada. Usada por sua mãe, usada pelo seu novo amigo advogado. Eles querem a joalheria. E você é apenas uma peça no jogo deles."

"Não diga isso, Pedro. Você está inventando desculpas. Você não faria isso comigo. Você não faria isso com a minha família."

"Ah, Clara, você ainda é tão ingênua", Pedro zombou, levantando-se e andando pela sala. "Acha que eu não sei que você rejeitou meu pedido de casamento? Acha que eu não vi você com aquele advogado barato? Você me humilhou, Clara. E agora, você quer me culpar por algo que nem aconteceu?"

A acusação de Pedro atingiu Clara como um raio. Ele estava virando o jogo contra ela? Ele estava tentando fazê-la parecer a culpada?

"Você está mentindo, Pedro!", Clara gritou, levantando-se. "Eu não te humilhei. Eu apenas segui meu coração. E meu coração não está mais com você."

"Seu coração está com ele, não é? Com o advogadozinho que se acha o salvador da pátria", Pedro disse, com um sorriso cruel. "Mas eu garanto, Clara, que ele não vai te salvar de nada. Ele não tem poder. Ele não tem influência. E ele não vai conseguir provar sua inocência."

"Você não sabe do que está falando!", Clara retrucou, a raiva substituindo a tristeza.

"Eu sei de tudo, Clara. E sei de uma coisa: você cometeu um erro ao me rejeitar. Um erro que você vai pagar caro." Pedro se aproximou dela, o olhar fixo e ameaçador. "Eu posso te colocar na cadeia, Clara. Com um pouco de esforço, posso fazer com que todos acreditem que você planejou tudo isso. Você e sua mãezinha."

O medo tomou conta de Clara. A crueldade nos olhos de Pedro era real. Ele era capaz de tudo. Ela deu um passo para trás, sentindo-se encurralada.

"Você é um monstro, Pedro", ela sussurrou.

"Talvez. Mas você me fez assim, Clara. Você e sua família. E agora, é hora de pagar a conta", ele disse, rindo de forma sinistra.

Nesse momento, o celular de Clara tocou. Era Rafael.

"Clara, você está bem?", ele perguntou, a voz tensa. "Eu senti algo estranho. Você está em perigo?"

"Rafael!", Clara gritou, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. "Ele... ele está me ameaçando! Ele disse que vai me incriminar!"

Sem pensar duas vezes, Pedro agarrou o celular de Clara. "Quem está falando aí?", ele rosnou.

"Rafael! Me ajude!", Clara implorou.

Pedro atirou o celular no chão, quebrando-o. "Você não vai a lugar nenhum, minha querida", ele disse, com um sorriso sádico.

Clara sabia que precisava agir rápido. Ela se lembrou de algo que Rafael havia dito sobre a importância de encontrar os "erros" de Pedro. Talvez houvesse algo naquele apartamento que pudesse provar sua culpa. Ela olhou ao redor, seus olhos encontrando um escritório fechado.

"Preciso ir ao banheiro", Clara disse, tentando parecer calma.

Pedro a observou com desconfiança, mas assentiu. "Rápido. E não pense em fugir."

Clara entrou no escritório, trancando a porta. Era pequeno e organizado, com um computador e diversos papéis espalhados sobre a mesa. Ela abriu as gavetas, procurando algo que pudesse incriminá-lo. Em uma delas, encontrou uma pasta com o título "Joalheria Vasconcelos - Plano B". O coração disparou.

Ela abriu a pasta e viu documentos que detalhavam o roubo, incluindo datas, horários e o nome de um cúmplice. Havia também anotações sobre como desviar a culpa para Clara e sua mãe. Pedro realmente havia planejado tudo.

De repente, ouviu batidas fortes na porta. "Clara! Abra a porta agora!" Era Pedro, furioso.

Clara sabia que não tinha tempo a perder. Pegou a pasta e correu para a janela. Era um andar alto, mas ela sabia que Rafael estaria procurando por ela. Ela abriu a janela e começou a gritar por ajuda, jogando alguns papéis pela janela, na esperança de que caíssem em algum lugar visível.

"Socorro! Pedro Vasconcelos me sequestrou! Ele planejou o roubo da joalheria!", Clara gritava, a voz embargada pelo desespero.

Pedro arrombou a porta do escritório. Ao ver Clara na janela, seu rosto se contorceu de raiva.

"Sua...!", ele gritou, correndo em direção a ela.

Mas, naquele exato momento, Clara ouviu o som de sirenes se aproximando. A polícia, alertada por Rafael, havia chegado. Pedro, percebendo que estava encurralado, hesitou por um instante, e Clara aproveitou a oportunidade para pular para o lado, evitando seu alcance.

Os policiais entraram no apartamento e rapidamente renderam Pedro. Clara, tremendo, mas aliviada, se agarrou à pasta com as provas. A verdade havia vindo à tona, mas o gosto amargo da traição de Pedro deixaria cicatrizes profundas em seu coração.

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