De Rivais a Companheiros de Dança

Capítulo 13 — A Dança da Investigação

por Letícia Moreira

Capítulo 13 — A Dança da Investigação

A academia, antes um palco de rivalidades e ensaios solitários, transformou-se em um quartel-general secreto. Clara e Gabriel, agora unidos por uma aliança improvável, moviam-se com uma discrição que beirava a espionagem. Os outros dançarinos, alheios à revolução silenciosa que se desenrolava sob seus narizes, continuavam seus treinos, suas aspirações focadas apenas no próximo passo, na próxima apresentação.

Clara se sentia estranhamente revigorada. A incerteza sobre Gabriel havia sido substituída por um propósito compartilhado, e a energia que antes ela gastava em lutar contra ele, agora era canalizada para desvendar a teia de manipulação que envolvia a competição. Gabriel, por sua vez, parecia mais leve, como se um peso tivesse sido tirado de seus ombros. A culpa e a pressão haviam cedido lugar a uma determinação silenciosa.

"Precisamos de provas concretas", Clara sussurrou, enquanto observava Gabriel analisar alguns papéis que ele havia conseguido discretamente. "As fofocas de Sofia e as nossas suspeitas não são suficientes."

Gabriel ergueu os olhos, um brilho de inteligência no olhar. "Eu sei. Por isso tenho tentado acessar os registros da organização da competição. Parece que eles têm um sistema de votação digital que é bastante opaco. Se conseguirmos uma cópia desses registros, podemos analisar os padrões, ver se há alguma manipulação evidente."

"E como vamos conseguir isso?", Clara perguntou, a voz tingida de ceticismo. Aqueles homens misteriosos que Gabriel mencionara pareciam ter controle sobre tudo.

"Eu tenho um contato. Um antigo colega de trabalho que trabalha em segurança de sistemas. Ele me deve um favor. Talvez ele possa nos ajudar a acessar esses dados, ou pelo menos nos dar uma ideia de como funciona o sistema." Gabriel fechou a pasta com um estalo. "Enquanto isso, vamos observar. Vamos prestar atenção em quem interage com quem, em quais conversas eles têm. Sofia pode ser útil nesse aspecto, ela vê e ouve tudo."

Clara sorriu. A ideia de Sofia, a fofoqueira por excelência, se tornando uma informante secreta era divertida. "Ela adoraria se sentir importante. E eu acho que ela tem uma antipatia genuína por essas pessoas que parecem estar controlando tudo."

Nos dias que se seguiram, a academia se tornou um palco de observações disfarçadas. Durante os intervalos, Clara e Gabriel trocavam olhares codificados, gestos sutis que indicavam novas pistas. Sofia, com seu radar de fofocas apurado, fornecia relatórios frequentes, muitas vezes com um tom de indignação que Clara achava contagiante. Ela descrevia reuniões discretas em salas privadas, conversas sussurradas em corredores, a presença constante de rostos desconhecidos e imponentes que pareciam supervisionar tudo.

Uma noite, enquanto ensaiavam um trecho difícil de uma coreografia contemporânea, Gabriel parou de repente. "Clara, você se lembra daquela coreografia que você apresentou no ano passado? Aquela que você quase desistiu?"

Clara assentiu, um arrepio percorrendo sua espinha. "Sim. Por quê?"

"Eu me lembro de como um dos jurados, um homem chamado Sr. Almeida, fez uma crítica dura, mas justa. Ele disse que faltava um pouco de maturidade na sua performance. E eu sei que isso te abalou muito."

"O que isso tem a ver com tudo isso?", Clara perguntou, confusa.

"O Sr. Almeida", Gabriel continuou, sem tirar os olhos dela, "é um desses homens que andam por aqui. E ele parece ter uma influência desproporcional nas decisões dos outros jurados. Eu o vi conversando com o principal organizador da competição várias vezes. E as conversas pareciam intensas."

A informação atingiu Clara como um soco. O Sr. Almeida. Aquele que a criticara, que a fizera questionar seu próprio talento. E agora, ele era parte do esquema. A raiva ferveu em seu peito.

"Então não era apenas a minha performance que ele criticava", Clara disse, a voz carregada de ressentimento. "Ele estava apenas fazendo o seu papel no jogo deles."

Gabriel se aproximou, colocando as mãos em seus ombros. "Eu sei que é difícil de engolir. Mas agora temos um nome. Temos um alvo. E o meu contato conseguiu uma coisa. Ele não conseguiu acesso direto ao sistema de votação, mas conseguiu uma lista de todos os jurados e suas conexões. E o Sr. Almeida aparece com um histórico bastante... peculiar."

Ele pegou o celular e mostrou um registro detalhado a Clara. "Ele tem sido jurado em todas as competições organizadas por esta empresa nos últimos dez anos. E em todas elas, os dançarinos que ele de alguma forma 'recomendou' sempre pontuaram alto. E, mais estranho ainda, os dançarinos que ele aparentemente não gostava, mesmo com boas performances, sempre ficavam para trás."

Clara sentiu um nó na garganta. Era tudo verdade. A ideia de ser julgada por alguém que tinha um interesse oculto era revoltante.

"E o que mais?", Clara perguntou, a voz tremendo de raiva contida.

"O meu contato também descobriu que o Sr. Almeida tem uma dívida antiga com a empresa organizadora. Uma dívida considerável. E parece que a sua participação como jurado, e a sua influência nas decisões, é a forma dele de 'pagar' essa dívida e, ao mesmo tempo, garantir que seus próprios interesses sejam atendidos."

A imagem de Sr. Almeida, com seu olhar severo e sua crítica incisiva, agora se transformava na de um homem corrupto, manipulador. Clara sentiu uma pontada de dó por si mesma, por ter se deixado abalar por suas palavras sem saber da verdade por trás delas. Mas essa dó logo foi substituída por uma fúria justa.

"Precisamos expor isso, Gabriel", Clara disse, os olhos brilhando de determinação. "Não podemos permitir que eles destruam os sonhos de tantas pessoas."

Gabriel assentiu. "Eu sei. E é por isso que vamos fazer algo. Precisamos de mais evidências. Precisamos pegar o Sr. Almeida em flagrante, ou pelo menos, ter uma prova irrefutável da manipulação."

A "dança da investigação" tomou um novo rumo. Clara e Gabriel começaram a planejar estratégias, a usar seus talentos para o bem maior. Gabriel, com sua habilidade de observação e sua rede de contatos, e Clara, com sua intuição aguçada e sua capacidade de ler as emoções nas pessoas.

Eles começaram a frequentar os bastidores da competição com mais frequência, disfarçados de assistentes de produção, de pessoal de apoio. Em uma ocasião, enquanto Gabriel fingia consertar um microfone perto da sala onde o Sr. Almeida e o organizador principal estavam reunidos, Clara, disfarçada de camareira, conseguiu entrar na sala quando eles saíram para um breve intervalo.

O coração de Clara disparou. A sala era luxuosa, com um aroma forte de charutos e um silêncio pesado. Em uma mesa de centro, havia uma pilha de papéis. Com as mãos trêmulas, Clara pegou um deles. Era um documento com o título "Pontuações Preliminares - Concorrência Final". Nele, havia uma lista de nomes de dançarinos, e ao lado de cada nome, uma série de números, com algumas anotações. E, ao lado de um dos nomes, ela viu a letra do Sr. Almeida, com uma observação: "Potencial para surpreender. Incentivar a ousadia. Garantir que a pontuação reflita o esforço." E ao lado de outro nome, um dançarino que Clara sabia que era incrivelmente talentoso, estava escrito: "Falta de carisma. Baixar a expectativa. Manter a pontuação abaixo do ideal."

O sangue de Clara gelou. Era a prova que precisavam. A manipulação era real, calculada, e estava em andamento. Ela rapidamente tirou uma foto do documento com seu celular e o guardou de volta, o mais rápido que pôde, antes de sair da sala, tentando parecer o mais natural possível.

Ao encontrar Gabriel do lado de fora, ela entregou o celular para ele, os olhos arregalados de choque e indignação. Gabriel analisou a foto, seu rosto se tornando sombrio.

"Isso é péssimo", ele murmurou. "Mas é exatamente o que precisávamos. Agora temos algo tangível."

"Eles estão destruindo tudo, Gabriel", Clara disse, a voz embargada. "Toda a paixão, todo o esforço, tudo reduzido a números manipulados."

Gabriel colocou um braço em volta dela, um gesto de conforto que agora parecia natural e reconfortante. "Mas nós vamos mudar isso. Vamos mostrar a todos que a verdade é mais forte do que qualquer jogo sujo. E que a dança, a verdadeira dança, sempre encontrará o seu caminho."

A dança da investigação estava apenas começando, e Clara e Gabriel estavam determinados a chegar ao final, não importa quão perigosa fosse a trilha. A competição, que antes era o foco de sua rivalidade, agora se tornava o campo de batalha para a justiça, e eles eram os dançarinos que iriam expor a verdade, um passo calculado de cada vez.

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