De Rivais a Companheiros de Dança

Capítulo 2 — O Desastre nos Bastidores

por Letícia Moreira

Capítulo 2 — O Desastre nos Bastidores

O clima nos bastidores do “Estrela Cadente” era uma mistura de alívio e ansiedade. Helena, ainda ofegante e com o corpo vibrando com a adrenalina da apresentação, recebia os parabéns de seus colegas e do mestre Silva. Havia uma satisfação discreta em seu rosto, uma sensação de dever cumprido que transcendia a mera disputa. Ela sentia que tinha entregue tudo o que tinha.

“Magnífica, Helena!”, exclamou o mestre Silva, seus olhos brilhando com orgulho. “Você colocou a alma naquela coreografia. Foi… sublime.” Ele a abraçou com mais força desta vez, um gesto que dizia mais do que mil palavras. “Lembre-se do que lhe disse. A dança é a expressão da alma. E a sua alma hoje cantou.”

Helena sorriu, sentindo um calor reconfortante. “Obrigada, mestre. Eu… eu me senti conectada à música de uma forma que nunca senti antes.”

Enquanto ela se recompunha, uma figura conhecida cruzou seu campo de visão. Rafael, vestindo um roupão de seda preto, a observava de longe, um sorriso enigmático nos lábios. Ele não parecia chateado com o sucesso dela; na verdade, parecia quase… divertido.

“Impressionante, Helena”, ele disse, sua voz casual, mas com um tom subjacente de algo que ela não conseguia decifrar. Ele se aproximou, parando perto dela, o perfume amadeirado que ele usava invadindo o espaço. “Você realmente sabe como emocionar a plateia. Quase me fez esquecer de que eu também estava competindo.”

Helena revirou os olhos, mas um pequeno sorriso escapou. “Não se preocupe, Rafael. Você terá a sua chance de brilhar. Ou de tropeçar, quem sabe.”

Ele riu, um som que a fez sentir um arrepio inesperado. “Oh, eu vou brilhar, Helena. Mas, para ser sincero, a sua apresentação me deu uma ideia.” Ele fez uma pausa, como se saboreasse o suspense. “Uma ideia… que pode mudar o rumo desta competição.”

Antes que Helena pudesse perguntar o que ele queria dizer, um alvoroço irrompeu próximo à saída dos competidores. Gritos, barulho de vidro se quebrando e uma comoção geral chamaram a atenção de todos. Uma das bailarinas do Conservatório Harmonia, Clara, uma jovem com um talento promissor, havia desmaiado ao tropeçar em um cabo de microfone mal posicionado, derrubando uma pilha de troféus e quebrando um espelho antigo.

O caos se instalou. Clara foi rapidamente amparada, e os organizadores corriam de um lado para o outro, tentando controlar a situação. O desmaio da jovem era um golpe baixo para o Conservatório Harmonia, que já estava sob pressão.

Helena sentiu uma pontada de preocupação genuína. Por mais que odiasse Rafael e a rivalidade entre suas academias, Clara era apenas uma colega bailarina, alguém que compartilhava a mesma paixão e os mesmos sacrifícios. Ela começou a se dirigir para onde Clara estava, mas foi detida por um braço forte.

“Deixe, Helena. Isso é problema deles.” Era Rafael.

Helena o encarou, surpresa com a frieza em sua voz. “Ela está machucada, Rafael! Não podemos simplesmente ignorar isso.”

Ele suspirou, seu semblante tornando-se repentinamente sério. “Você não entende, Helena. Este desmaio… não foi um acidente.”

Helena franziu a testa. “O quê? Do que você está falando?”

“Eu vi”, Rafael sussurrou, seus olhos azuis fixos nos dela, um brilho de fúria contida. “Eu vi um dos técnicos do ‘Estrela Cadente’ mexendo nos cabos pouco antes de Clara passar. Ele parecia… distraído, mas não acidental. Ele derrubou aquele microfone propositalmente. Alguém quer que a gente perca.”

O choque tomou conta de Helena. A ideia de sabotagem em uma competição de dança parecia absurda, mas a convicção nos olhos de Rafael era inegável. Ela sabia que o mestre Silva era um homem íntegro, mas o salão de dança era administrado por uma comissão, e havia sempre pessoas com interesses ocultos.

“Você… você tem certeza?” Helena perguntou, a voz quase um sussurro.

“Tenho certeza de que não fui eu quem derrubou o troféu e quebrou o espelho, Helena. E tenho certeza de que aquele técnico não estava apenas ajeitando um cabo. Ele queria que Clara se machucasse. E, se ela não puder continuar, nós perdemos um dos nossos melhores bailarinos. Isso te dá alguma vantagem, não é?” A ironia em sua voz era amarga.

A raiva tomou conta de Helena. A ideia de que alguém pudesse usar a maldade para prejudicar outros, para ganhar vantagem em uma arte tão pura, a revoltava. Ela olhou para Clara, pálida e cercada por uma equipe médica. A competição, que momentos antes parecia tão importante, agora parecia insignificante.

“Isso é repugnante”, ela disse, sua voz firme. “Precisamos descobrir quem fez isso.”

Rafael assentiu, e por um instante, a rivalidade entre eles pareceu desaparecer, substituída por um objetivo comum. “Exatamente. E você sabe o que mais me incomoda? Que eles pensam que podem nos intimidar. Que podem usar a trapaça para nos derrotar.” Ele deu um sorriso de canto, um sorriso perigoso. “Mas eles subestimaram a nossa paixão. E a nossa capacidade de nos unirmos quando o circo pega fogo.”

“Nos unirmos?” Helena ergueu uma sobrancelha. “Você está sugerindo que trabalhemos juntos?”

“Estamos em lados opostos em uma competição, sim. Mas não somos inimigos. Somos artistas. E ninguém mexe com a arte desta forma sem ter que lidar com as consequências.” Ele estendeu a mão. “Você acredita no que eu vi?”

Helena hesitou por um momento, encarando a mão dele. A desconfiança era um muro alto entre eles, construído com anos de rivalidade. Mas, naquele momento, a verdade em seus olhos e a injustiça da situação eram mais fortes. Ela apertou a mão dele, sentindo um choque elétrico percorrer seu corpo.

“Eu acredito em você, Rafael.”

Ele apertou a mão dela com mais força, um sinal de aliança inesperada. “Ótimo. Porque eu tenho um plano. Um plano que vai expor quem está por trás disso. E vai fazer com que todos percebam que a dança é sobre talento, não sobre trapaça.”

“Que plano?” Helena perguntou, a curiosidade misturada com uma apreensão crescente.

“Bom”, Rafael começou, um brilho perigoso nos olhos, “você viu como eu me apresentei? A minha coreografia é sobre paixão, sobre a busca pela liberdade. E se… e se eu pudesse adicionar um elemento extra? Um elemento que mostrasse a força da união, a beleza da colaboração?”

“O que você quer dizer com ‘elemento extra’?”

“Eu quero dizer que você e eu, Helena… vamos dançar juntos.”

Helena arregalou os olhos, incrédula. “O quê? Isso é loucura! Somos rivais! O mestre Silva jamais permitiria!”

“O mestre Silva confia em você, e o meu professor confia em mim. E, em uma situação como essa, regras podem ser… flexibilizadas. Pense nisso, Helena. Uma apresentação surpresa. Eu e você. Mostrando ao mundo que a rivalidade pode ser um trampolim para algo maior. E, de quebra, vamos expor quem é o verdadeiro vilão aqui.”

Helena ficou sem palavras, o cérebro girando com a audácia da proposta. Dançar com Rafael? Seu arqui-inimigo? Era impensável. Mas a ideia de ver o sabotador ser exposto, de usar a sua arte para combater a injustiça, era tentadora. E, por mais que ela o negasse a si mesma, havia uma faísca de curiosidade em experimentar a dança ao lado dele, de sentir a sua energia no palco, em uma sintonia que não fosse de competição.

“Eu não sei, Rafael…”

“Pense bem, Helena. É a nossa chance de mostrar a força da dança. E de fazer justiça.” Ele sorriu, um sorriso que era mais um desafio do que uma provocação. “E, quem sabe, talvez você descubra que dançar comigo não é tão ruim assim. Pode até ser… divertido.”

Ele se virou e se afastou, deixando Helena imersa em um turbilhão de emoções. A rivalidade, a injustiça, a proposta louca. O salão de dança “Estrela Cadente”, que antes era palco de uma competição acirrada, agora parecia o cenário de um drama muito maior, onde ela e Rafael, os rivais de sempre, estavam prestes a se tornar aliados inesperados. O que viria a seguir era incerto, mas uma coisa era clara: a competição nunca mais seria a mesma. E, talvez, nem eles.

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