A Professora e o Artista de Rua

Capítulo 10 — A Tempestade Perfeita e o Abraço Que Salva

por Amanda Nunes

Capítulo 10 — A Tempestade Perfeita e o Abraço Que Salva

O céu de São Paulo, que nas últimas semanas havia se mostrado um azul promissor, agora se cobria de nuvens densas e ameaçadoras. Uma tempestade se formava, e com ela, uma sombra que pairava sobre Clara e Léo. O convite para a exposição de Léo na galeria de arte mais prestigiada da cidade havia chegado, uma conquista monumental para o artista de rua que, até pouco tempo atrás, expunha suas obras apenas para os transeuntes da Praça da Sé. Era um sonho realizado, mas para Clara, era também um gatilho para seus medos mais profundos.

"Não acredito que você conseguiu, Léo!", Clara exclamou, abraçando-o com força. A alegria em sua voz era genuína, mas um receio silencioso se instalava em seu peito.

Léo a beijou com paixão. "Conseguimos, Clara. Juntos." Ele a segurou pelos ombros, seus olhos transmitindo uma determinação feroz. "Essa exposição é a nossa chance de mostrar ao mundo que a arte não tem limites, que o talento pode vir de qualquer lugar."

Nos dias que antecederam a exposição, a casa deles, antes um refúgio de cores e amor, se transformou em um turbilhão de preparativos. Léo estava eufórico, mas também ansioso. Clara, por outro lado, sentia uma angústia crescente. Ela sabia que a exposição atrairia não apenas admiradores, mas também pessoas do passado de Léo, pessoas que poderiam trazer à tona fantasmas que ela ainda não estava pronta para enfrentar.

Na noite da abertura, a galeria estava lotada. O burburinho das conversas, o brilho das obras de Léo expostas sob a luz focada, tudo era um espetáculo. Clara, vestida com um elegante vestido azul que Léo escolhera para ela, sentia-se como uma estrangeira naquele ambiente sofisticado. Ela sorria, posava para as fotos ao lado de Léo, mas por dentro, o medo a consumia.

Então, ela o viu. Uma mulher, deslumbrante em um vestido vermelho, se aproximava de Léo com um sorriso que não alcançava os olhos. Havia uma familiaridade perturbadora em sua postura, em seu olhar. Léo, por um instante, pareceu congelar.

"Léo, querido!", a mulher exclamou, com uma voz carregada de falsa doçura. "Você realmente se superou. Que bom te ver tão… bem-sucedido."

O rosto de Clara se contraiu. Ela sabia quem era aquela mulher. Era Sofia, a ex-namorada de Léo, uma socialite que, segundo ele, fazia parte de um capítulo passado que ele havia deixado para trás. Mas ali, na frente de todos, Sofia parecia decidida a reabrir esse capítulo.

"Sofia", Léo respondeu, a voz tensa. "Que surpresa. Quero te apresentar Clara, a mulher que me inspira."

Sofia lançou um olhar de desprezo para Clara, como se a avaliasse e a descartasse em um segundo. "Clara? Oh, Léo… você sempre teve um gosto peculiar. Mas, diga-me, você contou para ela sobre… todas as suas dívidas? Sobre as festas que você dava e que eu sempre pagava?"

As palavras de Sofia atingiram Clara como um raio. Dívidas? Festas pagas por ela? A imagem de Léo, o artista puro e apaixonado, começou a se distorcer em sua mente. Ela se sentiu traída, exposta, humilhada.

"O quê?", Clara gaguejou, o corpo tremendo. "Léo, isso é verdade?"

Léo a olhou, o desespero estampado em seu rosto. "Clara, não é nada disso. Sofia está mentindo. Ela está tentando me prejudicar."

"Mentindo? Querido, eu tenho as provas. As contas bancárias, as notas fiscais…", Sofia continuou, um sorriso cruel em seus lábios. "Você não é o artista puro e inocente que ela pensa que é. Você é um aproveitador, Léo."

A multidão ao redor começou a cochichar, os olhares fixos em Clara e Léo. Clara sentiu o chão sumir sob seus pés. As cores vibrantes da galeria se tornaram embaçadas, e a música, que antes parecia tão alegre, agora soava como um prenúncio de desgraça.

"Eu… eu não posso acreditar", Clara sussurrou, a voz embargada pelas lágrimas. Ela se virou e correu para fora da galeria, o vestido azul esvoaçando atrás dela.

Léo tentou alcançá-la, mas Sofia o segurou pelo braço. "Deixe-a ir, Léo. Ela não é para você. Você sabe disso. Você é um artista, não um homem de família."

Enquanto Clara corria pela rua molhada pela chuva que finalmente caíra, as palavras de Sofia ecoavam em sua mente. As cores vibrantes de Léo se misturavam às sombras do passado, e ela se sentia perdida, como se tivesse sido pintada em uma tela em branco e agora alguém estivesse riscando tudo.

De repente, um carro buzina ruidosamente. Clara parou, paralisada. Era o carro de Léo. Ele havia conseguido se livrar de Sofia e a encontrara. Ele saiu do carro, a chuva caindo sobre ele, o cabelo grudado em sua testa.

"Clara, por favor, me escute!", ele implorou, a voz embargada pela emoção. "Tudo o que Sofia disse é mentira. Sim, eu tive dificuldades financeiras no passado. Eu cometi erros. Mas eu nunca menti para você. Eu jamais faria isso."

Ele se aproximou dela, e Clara sentiu a vontade de se afastar, de fugir dele, mas ao mesmo tempo, a necessidade de confiar nele era avassaladora.

"Sofia é uma pessoa amargurada, Clara. Ela não aceita que eu tenha seguido em frente, que eu tenha encontrado a felicidade. Ela quer me ver sofrer, e ela está tentando te usar para isso."

Clara o olhou nos olhos. A chuva lavava seu rosto, mas as lágrimas ainda escorriam. Ela viu a dor, a sinceridade, o amor em seus olhos. E algo dentro dela se acalmou.

"Eu… eu não sei no que acreditar, Léo", ela sussurrou.

"Acredite em mim, Clara", ele disse, a voz rouca. "Acredite no nosso amor. Acredite na nossa história. Eu nunca menti para você. Tudo o que construímos juntos é real."

Ele a abraçou, um abraço forte, protetor, que a envolveu em um refúgio seguro. Clara se entregou a ele, sentindo o calor de seu corpo, o cheiro de tinta e chuva que agora era o perfume de seu amor. A tempestade perfeita havia chegado, mas ali, nos braços de Léo, Clara sentiu que havia encontrado o abraço que a salvava, o abraço que a trazia de volta às cores, de volta à vida. A arte, a paixão e o amor haviam enfrentado a tempestade, e juntos, eles encontraram a força para renascerem, mais fortes e mais vibrantes do que antes.

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