A Rosa de Pernambuco

Capítulo 9 — A Sombra do Visconde e o Plano de Retaliação

por Vitor Monteiro

Capítulo 9 — A Sombra do Visconde e o Plano de Retaliação

O Visconde de Alvorada, figura imponente de poder e crueldade, sentia o ar vibrar com a frustração. Sua filha, Isabela, havia escapado de seu controle, um insulto que ele não podia e não queria tolerar. Sua busca por ela se tornara uma obsessão, um fogo que consumia seus dias e suas noites. Ele sabia que Miguel, seu filho rebelde, estava por trás de tudo, e a raiva que sentia por ambos era um veneno que corria em suas veias.

Seus espiões, espalhados por todo o território, traziam notícias fragmentadas, mas suficientes para alimentar sua fúria. Isabela estava viva, e aparentemente em segurança, sob a proteção de Miguel. A ideia de que seu filho ousasse desafiá-lo, e pior, que o fizesse ao lado de uma mulher que ele considerava um mero capricho, era um sacrilégio que exigia uma punição exemplar.

"Eles pensam que podem zombar de mim?", ele rosnou, a voz áspera como areia. Estava em sua luxuosa sala de jantar em Recife, rodeado por seus capangas mais leais. A mesa farta, com iguarias que fariam inveja a qualquer nobre, contrastava com a escuridão em seus olhos. "Um filho ingrato e uma florzinha insubmissa... vou arrancar as raízes de sua insolência."

Um dos homens, um sujeito corpulento e de feições brutas chamado Lázaro, ajoelhou-se diante dele. "Senhor, temos informações de que eles se dirigiram para o interior, possivelmente buscando refúgio nos arredores de Palmares."

O nome "Palmares" fez o sangue do visconde ferver. Aquele reduto de escravos rebeldes era uma afronta constante à sua autoridade e ao sistema que ele representava. A ideia de que Isabela e Miguel pudessem estar ali, misturando-se à escória, era repugnante.

"Palmares...", ele sibilou, os punhos cerrados sobre a mesa. "Então é lá que a pequena rosa decidiu florescer. Que assim seja. Se ela quer brincar de liberdade, vai aprender o preço dela."

O visconde elaborou um plano audacioso e cruel. Ele não iria atrás deles diretamente, pois isso poderia levá-los a se esconderem ainda mais. Em vez disso, ele atacaria um dos símbolos de sua aliança: os quilombolas. Se ele pudesse destruir um de seus redutos, mostrar a força de sua retaliação, talvez Miguel e Isabela se vissem forçados a sair de seu esconderijo, desesperados para ajudar seus novos aliados.

"Lázaro", o visconde ordenou, com um brilho sombrio nos olhos. "Reúna os homens mais leais e violentos que puder. Vamos mostrar a esses escravos o que significa desafiar a ordem. Vamos marchar para Palmares e dar uma lição que jamais esquecerão."

O objetivo não era conquistar Palmares, mas sim causar o máximo de dano possível, incitar o medo e a discórdia. Ele queria que Miguel e Isabela sentissem o peso de suas ações, que vissem as consequências de sua rebeldia nas vidas daqueles que ousavam defender.

Enquanto o visconde urdia seu plano em Recife, em Palmares, o clima era de relativa calma, mas não de complacência. Zumbi, com sua sagacidade apurada, sentia que a tranquilidade era apenas um prelúdio para uma tempestade. Seus batedores haviam relatado movimentações incomuns nas florestas próximas, sinais que indicavam a presença de homens armados, não os caçadores locais.

"O Visconde de Alvorada não descansará", Zumbi disse a Miguel e Isabela, enquanto examinavam um mapa rústico. "Seu ódio por mim e por meu povo é tão grande quanto seu desejo de controle. Ele não hesitará em usar qualquer meio para nos atingir."

Isabela sentiu um aperto no peito. Ela sabia que a crueldade de seu pai não tinha limites. "Ele está nos procurando, não está? Ele quer nos forçar a sair do refúgio."

Miguel assentiu, preocupado. "É exatamente isso. Ele quer usar Palmares como isca."

"Mas não vamos permitir", Zumbi declarou, com a voz firme e inabalável. "Se ele quer guerra, terá guerra. Palmares não se curva facilmente."

Nos dias seguintes, a tensão em Palmares aumentou. As notícias dos batedores se tornaram mais concretas: um grande contingente de homens armados, liderados por Lázaro, o cruel capanga do visconde, marchava em direção ao quilombo. O plano do visconde era claro: um ataque surpresa, brutal e devastador.

Miguel, com seu conhecimento da estratégia militar dos senhores de engenho, e Isabela, com sua intuição aguçada e a força que florescia em seu interior, trabalharam lado a lado com Zumbi. Eles ajudaram a organizar as defesas, a planejar emboscadas e a preparar o povo para o que viria. Isabela, que já havia cuidado de muitos feridos, agora se dedicava a organizar os postos de enfermagem, garantindo que os suprimentos medicinais estivessem à mão.

"Precisamos ser mais do que apenas um escudo, Zumbi", Miguel disse, com urgência. "Precisamos retaliar. Mostrar a ele que o preço da agressão é alto demais."

"A vingança cega, Miguel", Zumbi respondeu, com sabedoria. "Mas a luta pela liberdade exige bravura e estratégia. Vamos usar a selva a nosso favor. Cada árvore, cada raiz, será nossa aliada."

A noite anterior ao ataque foi tensa. O silêncio da mata parecia prenunciar o caos. Isabela, incapaz de dormir, caminhou até a beira da clareira, observando as estrelas que pontilhavam o céu escuro. Ela pensou em sua vida, nas provações que havia enfrentado, no amor que a impelia.

Miguel a encontrou ali, abraçando-a por trás. "Pensando em seu pai?", ele sussurrou em seu ouvido.

Isabela assentiu, o corpo tremendo levemente. "Tenho medo, Miguel. Medo do que ele pode fazer. Medo do que podemos perder."

"Eu também tenho medo", ele confessou, apertando-a. "Mas o medo não pode nos paralisar. Ele precisa nos impulsionar. Lutamos não apenas por nós, mas por todos que anseiam pela liberdade. E em você, Isa, eu vejo a esperança que precisamos. Você é a rosa que floresce mesmo na escuridão mais profunda."

Na manhã seguinte, o ataque começou. O som de tambores distantes e os gritos de guerra ecoaram pela mata. Os homens do visconde, confiantes em sua superioridade numérica e em sua crueldade, avançaram. Mas Palmares estava pronto.

A mata se tornou um campo de batalha. Os quilombolas, com sua agilidade e conhecimento do terreno, surgiam das sombras, desorientando o inimigo. Lanças e flechas choviam sobre os atacantes. Os homens do visconde, acostumados a uma guerra mais direta, se viam enredados em uma armadilha mortal.

Isabela, juntamente com outros curandeiros, se posicionou perto da linha de frente, prestando os primeiros socorros aos feridos. Ela via a bravura dos guerreiros quilombolas, a determinação em seus rostos, a fúria justa que os impulsionava. E, em meio ao caos, ela sentia uma força nova crescer dentro de si. A rosa de Pernambuco não era apenas uma donzela em perigo, mas uma guerreira, pronta para lutar pela liberdade, não importando o preço. O plano de retaliação do visconde estava se voltando contra ele, e a chama da resistência em Palmares ardia mais forte do que nunca.

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