Herdeira da Capitania

Capítulo 19 — A Desesperada Corrida contra o Tempo e o Confronto na Ponte

por Henrique Pinto

Capítulo 19 — A Desesperada Corrida contra o Tempo e o Confronto na Ponte

O som da perseguição ecoava nas ruas estreitas e escuras de Olinda, um eco de pânico que impulsionava Leonor e Sebastião para frente. O maço de papéis, o testamento original, estava firmemente seguro nas mãos de Leonor, um farol de esperança em meio à escuridão que se adensava. O beco que haviam tomado os levou a uma rua mais larga, e o clamor dos homens do Coronel Salvador se aproximava. Era a polícia, ou melhor, os capangas disfarçados de autoridade, enviados para silenciá-los de vez.

“Para o rio! Precisamos chegar à ponte!” Sebastião gritou, a voz rouca de esforço e adrenalina. “É o nosso único caminho para fora da cidade sem sermos encurralados!”

Leonor assentiu, o fôlego curto, os músculos queimando. A imagem do rosto apavorado de Manuel Almeida pairava em sua mente, um sacrifício que esperava não ter sido em vão. Eles haviam obtido a prova, mas agora precisavam escapar com ela, provar a fraude antes que o Coronel pudesse desmantelar qualquer rastro.

Chegaram à margem do rio, a ponte de madeira rangendo sob o vento noturno. A luz fraca das lamparinas da cidade projetava sombras longas e dançantes sobre a água escura, criando um cenário de fuga dramático. Do outro lado da ponte, a mata se estendia, prometendo um refúgio, um caminho de volta para as serras e para Elias.

Mas, como se a própria noite conspirasse contra eles, uma figura imponente emergiu da escuridão no meio da ponte. O Coronel Salvador. Ao seu lado, dezenas de homens armados, bloqueando o caminho de fuga. A voz do Coronel, fria e carregada de um ódio contido, ressoou no ar.

“Parados! Onde pensam que vão com o que roubaram?” Ele riu, um som seco e desagradável. “Acha mesmo que poderia enganar a mim, Leonor? Que esse guarda de quinta categoria poderia te proteger?”

Leonor sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O ódio nos olhos de seu tio era palpável, a cobiça que o movia era a mesma que o levou a destruir a memória de seu pai. Ela apertou o maço de papéis em suas mãos. “Eu não roubei nada, tio. Eu recuperei o que é meu por direito. A verdade que você tentou enterrar.”

Salvador deu um passo à frente, o rosto contorcido em raiva. “Verdade? A única verdade é que você é uma ingrata, uma usurpadora! Esse engenho, essa terra, tudo isso deveria ser meu!” Ele olhou para Sebastião com desprezo. “E você, um mero peão. Pensou que poderia se dar bem com a herdeira? Patético!”

“Ele é mais homem do que você jamais será, Coronel,” Sebastião retrucou, posicionando-se protetoramente à frente de Leonor. “Você é um ladrão, um manipulador! A lei, e Deus, um dia o julgarão!”

Salvador riu novamente. “Leis? Deuses? Eu sou o único deus aqui, meu caro. E minha lei é a que eu imponho!” Ele ergueu a mão. “Peguem-nos! E tragam a ela o que ela pensa que é tão valioso!”

Os homens do Coronel avançaram. Sebastião desembainhou sua espada, o aço reluzindo à luz das lamparinas. “Leonor, corra! Vá para a mata! Eu os deterei!”

“Não!” Leonor gritou, o pânico querendo dominá-la. Ela não podia deixá-lo. Ela não podia fugir sozinha. “Eu fico com você!”

Ela não era uma guerreira, mas a fúria e a injustiça a impulsionaram. Agarrou um pedaço de madeira caído na ponte e se posicionou ao lado de Sebastião, pronta para lutar. A coragem que ela encontrara nas serras agora se manifestava em sua resistência.

A luta na ponte era feroz. Sebastião, com sua habilidade e bravura, enfrentava vários homens ao mesmo tempo, um redemoinho de aço e determinação. Leonor, com golpes desajeitados mas enérgicos, tentava manter os outros à distância, protegendo o testamento com seu corpo.

Um dos homens de Salvador conseguiu passar por Sebastião e avançou em direção a Leonor. Ela gritou e brandiu o pedaço de madeira, mas o homem a agarrou pelo braço, tentando arrancar os papéis de suas mãos.

“Largue-os, garota insolente!” ele rosnou.

De repente, um grito irrompeu da escuridão que margeava o rio, do lado de fora da cidade. “Parem com isso! Em nome da lei!”

Um grupo de homens a cavalo surgiu, liderados por uma figura que Leonor reconheceu com um misto de surpresa e esperança: o Comandante da Guarda da cidade, Dom Rodrigo. Ele havia sido um amigo de seu pai e, embora tivesse pouca influência contra o poder do Coronel Salvador, ele representava a justiça oficial.

Salvador, furioso, virou-se para Dom Rodrigo. “Rodrigo! O que faz aqui? Isso não é da sua conta!”

“É sim, Salvador,” Dom Rodrigo respondeu, a voz firme e autoritária. “Recebi uma denúncia anônima sobre uma fraude no testamento de Dom Afonso e sobre a perseguição a sua filha. Estou aqui para garantir a ordem e a justiça.” Ele olhou para Leonor, para o testamento em suas mãos e para o ferimento no braço de Sebastião. Sua expressão endureceu. “E parece que encontrei a prova do que me disseram.”

Salvador, sentindo o chão desmoronar sob seus pés, tentou uma última cartada. “Essa garota é uma impostora! Ela roubou o testamento e está fugindo! Prenda-os, Rodrigo!”

“Eu que prenderei você, Salvador,” Dom Rodrigo retrucou, levantando sua espada. “Por fraude, por ameaça e por tentativa de homicídio. Tragam o Coronel Salvador e seus cúmplices!”

A luta cessou. Os homens de Salvador, vendo a maré virar, hesitaram. Alguns se renderam imediatamente, outros tentaram fugir. Sebastião, exausto mas vitorioso, abraçou Leonor, aliviado.

“Você está bem?” ele perguntou, a voz embargada.

Leonor assentiu, as lágrimas de alívio misturando-se com a sujeira e o suor. “Sim. Graças a você. E graças a Dom Rodrigo.”

Dom Rodrigo aproximou-se, o olhar firme. “Leonor, sinto muito por tudo que você passou. Seu pai era um homem justo. E você é sua digna herdeira. Este testamento será analisado, e eu garanto que a justiça será feita. O Coronel Salvador responderá por seus crimes.” Ele se virou para Sebastião. “E você, meu bom homem, demonstrou coragem e lealdade incomensuráveis. Seu nome será lembrado.”

Enquanto os homens de Dom Rodrigo levavam o Coronel Salvador, algemado e furioso, para ser interrogado, Leonor sentiu um peso imenso ser retirado de seus ombros. A luta havia sido dura, os perigos imensos, mas a verdade, por fim, havia prevalecido. A ponte, que antes representava uma barreira de desespero, agora se tornava o símbolo de sua vitória. A noite ainda era escura, mas as primeiras luzes do amanhecer começavam a despontar no horizonte, anunciando um novo dia para Leonor e para a Capitania de Pernambuco.

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