O Juramento do Bandeirante

Capítulo 14 — O Sussurro do Rio e o Chamado da Selva

por Caio Borges

Capítulo 14 — O Sussurro do Rio e o Chamado da Selva

A fuga da caverna foi tensa, cada passo no túnel escuro ecoando o medo da descoberta. Mariana e Sebastião emergiram de volta à luz do sol, ofuscados e ofegantes, mas aliviados por terem deixado para trás a ameaça dos inquisidores. A selva, antes um refúgio, agora parecia mais densa, mais misteriosa, como se guardasse segredos ainda mais profundos.

“Eles estão atrás de nós”, disse Mariana, a voz embargada pela adrenalina. “Como eles nos encontraram?”

Sebastião olhou para o amuleto em seu pescoço, que agora parecia mais frio, como se absorvesse a energia da floresta. “Talvez Fernão os tenha alertado. Ou talvez a Inquisição tenha seus próprios métodos de rastreamento. Eles não toleram nenhuma forma de conhecimento que não esteja sob seu controle. E o que vimos naquela caverna… era poderoso demais para eles.”

Ele tirou o mapa da bolsa de Mariana, suas mãos traçando as linhas escuras com uma intensidade renovada. “As pinturas nos mostravam um caminho de fuga. Um rio que levava para longe das terras conhecidas. Precisamos encontrar esse rio.”

Eles se moveram com mais urgência, a sombra da Inquisição pairando sobre eles como um presságio. O silêncio da mata, antes reconfortante, agora parecia prenunciar perigo. Cada farfalhar de folhas, cada chamado de pássaro, era um alerta.

Enquanto caminhavam, Mariana sentiu uma familiar sensação de desorientação, como se a própria floresta estivesse mudando de formas, confundindo seus sentidos. Mas então, um som suave e constante começou a dominar o barulho da mata: o murmúrio de água corrente.

“O rio!”, exclamou Sebastião, apontando para uma clareira adiante.

Eles chegaram à margem de um rio de águas rápidas e escuras, cercado por uma vegetação exuberante. Era mais largo do que qualquer rio que haviam cruzado antes, e sua correnteza parecia forte.

“Este deve ser o rio das pinturas”, disse Mariana, comparando a paisagem com os desenhos que ainda estavam frescos em sua memória. “As figuras antigas estavam usando canoas feitas de troncos. Eles o usavam para viajar e para se proteger.”

Sebastião assentiu. “Precisamos de uma embarcação. E rápido. Não sabemos por quanto tempo eles nos darão tempo.”

Eles passaram as horas seguintes trabalhando freneticamente. Sebastião, com sua força e habilidade com ferramentas rudimentares, começou a trabalhar em um tronco caído de uma árvore maciça, usando sua espada como uma ferramenta improvisada para escavar o interior. Mariana ajudou a recolher cipós resistentes para amarrar e reforçar, enquanto procurava por frutas e raízes para repor suas energias.

O trabalho era árduo e a tensão era constante. A possibilidade de a Inquisição encontrá-los a qualquer momento os impulsionava. O sol começava a se pôr, pintando o céu com tons de laranja e roxo, quando finalmente a canoa rudimentar estava pronta. Era longa e estreita, mas parecia resistente o suficiente para levá-los rio abaixo.

Com a última luz do dia, eles empurraram a canoa para a água e se acomodaram. A correnteza os puxou suavemente para longe da margem, levando-os para o coração desconhecido da selva. O som da água correndo era um bálsamo para seus ouvidos, um som que prometia movimento e fuga.

Enquanto navegavam, a escuridão caiu completamente. A lua, parcialmente obscurecida por nuvens, lançava uma luz fantasmagórica sobre a água. Mariana sentiu uma estranha tranquilidade. Ali, navegando pelo rio, longe das perseguições, com Sebastião ao seu lado, ela sentia que estavam finalmente seguindo o caminho que os espíritos ancestrais haviam traçado.

“Você acha que eles nos seguirão pelo rio?”, perguntou Mariana, a voz baixa para não ser levada pelo vento.

“Eles tentarão”, respondeu Sebastião. “Mas o rio é traiçoeiro. E eles não têm uma canoa. Precisarão de tempo para construir uma. Tempo que nós temos.”

Ele parou de remar por um instante, olhando para as estrelas que começavam a surgir no céu. “As pinturas mostravam que este rio leva a uma região de cachoeiras. Diziam que era uma barreira natural que protegia um vale escondido. É para lá que vamos.”

Mariana sentiu um arrepio de expectativa. Um vale escondido. Um lugar de refúgio. Talvez ali pudessem finalmente descansar, estudar o mapa com calma, entender o verdadeiro significado do juramento que estavam cumprindo.

De repente, um som diferente quebrou a monotonia do rio. Um chamado profundo e gutural que parecia vir da densa floresta à margem. Era um som selvagem, poderoso, que fez os cabelos da nuca de Mariana se arrepiarem.

“O que foi isso?”, ela perguntou, apertando o braço de Sebastião.

“Um jaguar?”, especulou ele, mas sua voz soava incerta. “Parecia algo… maior. Mais poderoso.”

Então, outro chamado ecoou, mais perto desta vez, e eles viram. Na margem da floresta, emergindo das sombras, havia uma criatura que desafiava a imaginação. Era um animal enorme, com a forma de um macaco gigante, mas com uma pelagem escura e olhos que brilhavam com uma inteligência sinistra. Emitia um rosnado baixo e ameaçador.

“Pelo amor de Deus… o que é isso?”, sussurrou Mariana, o pavor tomando conta de si.

Sebastião, apesar do medo, manteve a calma. Ele sabia que aquela criatura não era um animal comum. Era um dos seres que as pinturas antigas haviam retratado como guardiões da selva, protetores dos lugares sagrados.

“É um guardião”, disse ele, com reverência. “Os espíritos ancestrais nos alertaram. Eles nos testam. Precisamos mostrar que somos dignos.”

A criatura deu um passo à frente, seus olhos fixos neles. O chamado que ela emitia parecia uma pergunta, um desafio.

Sebastião pegou o amuleto em seu pescoço. Ele sentiu um calor familiar emanar dele, uma energia que parecia responder ao chamado da criatura. Ele ergueu o amuleto em direção ao ser, e com uma voz clara e firme, disse:

“Nós honramos a terra. Nós respeitamos seus segredos. Não buscamos a destruição, mas o conhecimento. Que os espíritos ancestrais nos guiem e nos protejam.”

Por um momento, o silêncio pairou no ar. A criatura os observou com uma intensidade penetrante. Então, gradualmente, o rosnado em sua garganta diminuiu. Ela emitiu um último chamado, mais suave desta vez, quase um reconhecimento. E então, com a mesma rapidez com que apareceu, desapareceu de volta nas profundezas da selva.

Mariana soltou o ar que prendia em seus pulmões. O perigo havia passado, mas a experiência a deixara abalada e maravilhada. A selva não era apenas um lugar de perigo, mas também de mistério e de seres que guardavam um conhecimento antigo.

“Eles nos deixaram passar”, disse Sebastião, um sorriso de alívio surgindo em seus lábios. “Nosso juramento… eles o reconheceram.”

Eles continuaram a navegar rio abaixo, a canoa deslizando suavemente pelas águas escuras. A paisagem à margem mudava, as árvores se tornavam mais antigas, as formações rochosas mais imponentes. A promessa de um vale escondido, um refúgio para o conhecimento e a paz, parecia cada vez mais real. A sombra da Inquisição ainda os perseguia, mas agora, eles tinham a proteção da selva, a guia dos espíritos ancestrais, e um juramento renovado que os impulsionava para frente, em busca de um destino que era mais do que ouro, era a própria alma do Brasil.

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