O Juramento do Bandeirante

Capítulo 18 — O Pacto da Aurora e os Olhos da Inquisição

por Caio Borges

Capítulo 18 — O Pacto da Aurora e os Olhos da Inquisição

O sol da manhã banhava o Vale Escondido com uma luz dourada e suave, pintando as cachoeiras com tons de âmbar e criando um espetáculo de tirar o fôlego. A noite, que havia sido carregada de emoções e descobertas, dera lugar a uma serenidade palpável. Bartolomeu, após uma noite de sono turbulento, observava o alvorecer com uma nova perspectiva. As visões da Pedra do Sol ainda ecoavam em sua mente, mas a urgência da vingança havia sido temperada por uma necessidade de compreensão e, quem sabe, de paz.

Ele se aproximou de Iara, que já se encontrava desperta, sentada à beira de um pequeno riacho, os dedos traçando desenhos na água. Os outros bandeirantes ainda dormiam, exaustos pela jornada e pelas revelações da noite anterior.

"Bom dia, cacica", disse Bartolomeu, sua voz calma.

Iara ergueu os olhos, um leve sorriso em seus lábios. "Bom dia, bandeirante. A aurora traz novas esperanças, mas também expõe as feridas da noite."

"Eu sei", respondeu Bartolomeu. "A pedra me mostrou o caminho para a verdade, mas também me mostrou a magnitude do meu inimigo. O Coronel Amaro é mais do que um homem. É um sistema."

"Um sistema que se alimenta da escuridão e do medo", completou Iara. "E vós, o que decidistes? Vossa alma clama por vingança, ou busca a redenção?"

Bartolomeu ponderou por um momento. A sede de vingança era um veneno que o corroía por dentro há anos. Mas agora, a imagem do medalhão, a prova tangível da culpa de Amaro, o impelia a agir de forma mais estratégica.

"Eu não busco mais a vingança cega", disse Bartolomeu, com firmeza. "Busco justiça. E para isso, preciso entender mais sobre o Coronel Amaro. Preciso de provas irrefutáveis, não apenas de minhas memórias, mas de algo que o mundo possa ver e acreditar."

Iara assentiu. "A pedra guarda memórias, mas também segredos. O Coronel Amaro, assim como a escuridão que o cerca, tem seus próprios segredos. E é provável que alguns deles estejam enterrados aqui, nas entranhas desta terra."

"Então, a pedra pode me mostrar mais?", perguntou Bartolomeu, a esperança renovada.

"A pedra responde a quem tem a alma preparada", disse Iara. "Ela não é um livro aberto, mas um espelho. O que vós buscais, ela refletirá. Mas é preciso paciência e sabedoria para interpretar o que é mostrado."

"Eu estou disposto a aprender", declarou Bartolomeu. Ele sabia que essa jornada seria longa e perigosa. O Coronel Amaro não seria facilmente derrubado. Ele era um homem influente, protegido pela coroa e, possivelmente, pela própria Inquisição, que Bartolomeu sabia que era uma força poderosa e implacável.

"Muito bem", disse Iara. "Mas antes de mergulharmos mais fundo nos segredos da pedra, há algo que devo vos advertir. Vós não sois os únicos que buscam. A influência do Coronel Amaro se estende longe, e nem todos que se aproximam deste vale vêm com boas intenções. Há outros, que servem a propósitos sombrios, que também cobiçam o poder que reside aqui."

Um arrepio percorreu Bartolomeu. Ele pensou nos rumores que ouvira sobre a Inquisição, sobre seus métodos cruéis e sua busca incessante por hereges e "almas perdidas". Seria possível que o Coronel Amaro tivesse envolvimento com eles? A ideia era aterradora.

"A Inquisição...", Bartolomeu murmurou, a palavra soando como um veneno em seus lábios. "Eles estão atrás de algo aqui?"

"Eles buscam o que consideram impuro, o que desvia da doutrina", explicou Iara. "E este vale, com suas tradições ancestrais e suas energias naturais, é visto por eles como um antro de bruxaria. O Coronel Amaro, com sua ambição, pode estar usando a Inquisição para consolidar seu poder, eliminando qualquer um que se oponha a ele, e usando a religião como escudo."

A revelação atingiu Bartolomeu com a força de um golpe. Ele lembrou-se das palavras que ouvira do Padre Inácio, da sua obsessão com a "pureza" e da sua visão distorcida da fé. Ele percebeu que sua busca por justiça não seria apenas contra o Coronel Amaro, mas também contra as forças obscuras que ele manipulava.

"Eles sabem que estamos aqui?", perguntou Bartolomeu, com apreensão.

"Acreditamos que não", respondeu Iara. "Mas eles sentem a energia deste lugar. E a sua chegada, com vossos homens armados, pode ter atraído sua atenção. O Coronel Amaro é astuto. Ele pode ter enviado seus próprios espiões, disfarçados, para observar."

Bartolomeu sentiu o peso da responsabilidade aumentar. Ele não podia colocar Iara e seu povo em perigo. Sua busca por vingança havia se tornado uma missão de proteção. Ele precisava ser mais cauteloso do que nunca.

"Precisamos ter cuidado", disse Bartolomeu. "Nossos movimentos devem ser discretos. E precisamos descobrir quem são esses espiões antes que eles descubram nossos planos."

Iara assentiu. "Os olhos da Inquisição são penetrantes, mas a força da natureza também tem seus próprios guardiões. Os espíritos deste vale podem nos alertar."

Enquanto conversavam, os outros bandeirantes começaram a despertar. Mateus se aproximou, o rosto marcado pela preocupação.

"Capitão, ouvimos algumas coisas", disse Mateus, em voz baixa. "Elias disse que viu movimentos estranhos na mata, perto da nossa entrada no vale. Pessoas que não pareciam ser daqui."

O coração de Bartolomeu disparou. "Quando foi isso?"

"Pouco antes do amanhecer", respondeu Mateus. "Elias acha que são... homens da Inquisição."

A confirmação era aterradora. A Inquisição já estava a postos. O Coronel Amaro não estava perdendo tempo. Bartolomeu sabia que precisava tomar uma decisão rápida.

"Precisamos nos mover", disse Bartolomeu para Iara. "Não podemos ficar aqui e esperar que eles nos encontrem. Precisamos encontrar um lugar mais seguro, longe dos olhares curiosos."

"Há um lugar", disse Iara, apontando para uma formação rochosa no fundo do vale, escondida por uma densa cortina de cipós. "É um antigo esconderijo de nossa tribo. Poucos conhecem o caminho, e a entrada é bem disfarçada."

"Então vamos", ordenou Bartolomeu. "Mateus, Elias, reúnam os homens. Precisamos fazer isso com o máximo de discrição possível."

Os bandeirantes, agora mais conscientes do perigo iminente, se prepararam em silêncio. Bartolomeu sentiu uma mistura de apreensão e determinação. Ele sabia que a descoberta do Coronel Amaro e da Inquisição mudava tudo. Sua busca por justiça se tornara uma corrida contra o tempo, uma batalha contra forças poderosas e implacáveis.

Enquanto se dirigiam para o esconderijo, Bartolomeu olhou para trás, para a Pedra do Sol. Ela continuava a brilhar, um farol de esperança em meio à escuridão que se aproximava. Ele sabia que o pacto que firmara com a aurora não era apenas para encontrar a verdade, mas para protegê-la, e para garantir que a justiça, finalmente, prevalecesse sobre a tirania e a opressão. A ameaça da Inquisição pairava no ar, mas Bartolomeu estava determinado a não se curvar.

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