O Juramento do Bandeirante

Capítulo 6

por Caio Borges

Claro, com prazer! Preparado para mergulhar nas profundezas da história colonial brasileira, onde paixões, perigos e segredos se entrelaçam de forma avassaladora. Segure seu coração, pois as próximas páginas prometem ser tão turbulentas quanto as cachoeiras que guardam segredos ancestrais.

O Juramento do Bandeirante Autor: Caio Borges

---

Capítulo 6 — O Coração Ferido e a Fúria Indomável

A noite pairava sobre o acampamento com a densidade de um véu de luto. O crepitar das fogueiras, antes um som reconfortante, agora parecia um lamento solitário em meio à vastidão da mata. Helena, encolhida sob a pele de onça que a protegia do orvalho gelado, sentia um vazio dilacerante no peito. O corpo de Bartolomeu, recém-falecido em seus braços, pesava em sua memória, um fardo insuportável que a afogava em um mar de dor e desespero. Cada respiração era um espinho, cada batida do coração, um eco do último suspiro dele.

Os olhos azuis, antes cheios de vida e esperança, agora estavam fixos em um ponto distante, embaçados por lágrimas que se recusavam a cair. A força que a impulsionara nos últimos dias, a determinação em proteger o que Bartolomeu amava, parecia ter sido drenada com o último sopro de sua vida. Restava apenas a fragilidade de uma mulher que vira seu mundo desmoronar em um instante cruel.

Ao seu lado, o padre Inácio, com o rosto marcado pela compaixão e pela perplexidade, tentava oferecer conforto com palavras que soavam ocas para a alma atormentada de Helena.

"Helena, minha filha… o sofrimento é parte da jornada terrena. Bartolomeu cumpriu seu destino, e seu espírito agora repousa em paz.", disse o padre, a voz embargada.

Helena não respondeu. As palavras do padre eram como pedras jogadas em um abismo. Como poderia repousar em paz alguém que partira tão violentamente, deixando para trás um legado de mistério e uma promessa quebrada? A imagem do Xamã, Açu, com seu olhar penetrante e a promessa de vingança que emanava dele, voltava com força em sua mente. A fenda da verdade, o tesouro escondido… tudo parecia conspirar para a desgraça.

De repente, um grito rompeu o silêncio da noite. Era a voz de Mateus, o fiel escudeiro de Bartolomeu. Helena se levantou num sobressalto, o coração disparado. Uma sombra disforme se movia entre as árvores, acompanhada pelo uivar de cães selvagens.

"Invasores! Estão nos atacando!", gritou Mateus, empunhando sua espada.

O acampamento, ainda atordoado pela perda de Bartolomeu, foi pego de surpresa. Flechas silvaram no ar, e o som de espadas se chocando ecoou pela mata. Helena, apesar de seu luto, sentiu uma onda de adrenalina percorrer seu corpo. A dor foi substituída por uma fúria fria e calculista. Aquele que ousara ceifar a vida de Bartolomeu não escaparia impune.

O ataque era coordenado, brutal. Os agressores, homens vestidos com peles de animais e rostos pintados com urucum, avançavam com ferocidade. Eram indígenas, mas não os de Xilindre. Seus gritos e sua postura revelavam um ódio profundo, diferente de tudo que Helena já presenciara.

No centro da confusão, ela avistou Açu. O Xamã estava ali, comandando o ataque, seus olhos faiscavam como brasas na escuridão. Ao seu lado, um homem alto, de feições rudes e olhar cruel, empunhava uma machadinha enferrujada. Era um homem que Helena não reconhecia, mas que irradiava uma aura de perigo.

"Açu! Você prometeu!", gritou Helena, sua voz ecoando com uma força surpreendente. "Você jurou que não haveria mais sangue inocente!"

Açu virou-se para ela, um sorriso torto brincando em seus lábios. "O juramento foi para Bartolomeu, a quem eu respeitava. Mas você, mulher… você é apenas um eco de seu passado. E este homem…" Ele apontou para o desconhecido ao seu lado. "...este é o homem que trará o fim a tudo isso."

O desconhecido riu, um som gutural e desagradável. "O ouro que Bartolomeu roubou será meu. E sua vida também, Helena. Ouvi falar de sua beleza, mas a beleza que não me serve, eu a destruo."

Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Não eram apenas os indígenas em busca de vingança. Havia algo mais, um interesse sombrio e ganancioso por trás daquele ataque. O ouro… seria aquele o tesouro que Bartolomeu mencionara?

"Você está enganado!", respondeu Helena, desabainhando a pequena adaga que trazia consigo. "Bartolomeu não roubou nada. Ele protegia."

"Protegia um tesouro que agora me pertence!", rosnou o desconhecido, avançando em sua direção.

Helena não era uma guerreira, mas a necessidade a transformava. Ela esquivou-se do golpe inicial, sentindo o vento da machadinha passar rente ao seu rosto. A dor em seu peito pulsava, mas não a paralisava. Pelo contrário, alimentava sua fúria. Ela lembrou-se dos ensinamentos de Bartolomeu, da sua força, da sua coragem. Ela não podia falhar.

Mateus, lutando bravamente ao lado do padre Inácio, que surpreendentemente manejara uma cruz de madeira como arma rudimentar, tentava proteger os homens restantes do acampamento. A batalha era desigual. Os atacantes eram mais numerosos e pareciam possuir uma ferocidade que ia além da simples disputa territorial.

Helena viu uma oportunidade. O desconhecido, confiante em sua força bruta, subestimava a agilidade e a determinação dela. Ela fingiu recuar, atraindo-o para perto de uma das fogueiras. No momento em que ele se desequilibrou, ela avançou, cravando a adaga em sua perna. Ele uivou de dor e surpresa, recuando.

Açu observava a cena, um brilho de admiração misturado à raiva em seus olhos. "Impressionante, mulher. Mas não o suficiente."

Ele fez um sinal, e mais guerreiros se voltaram para Helena. Ela sentiu o desespero crescer, mas recusou-se a ceder. Ela olhou para os rostos dos homens de Bartolomeu, para o padre Inácio lutando com a fé em seus olhos, e soube que não podia desistir.

No meio do caos, Helena percebeu que o desconhecido, apesar de ferido, não se rendia. Ele levantou sua machadinha novamente, seus olhos fixos nela com uma sede de sangue insaciável. Açu, vendo que o ataque não estava progredindo como planejado, proferiu uma série de palavras em sua língua ancestral, um encantamento que fez o ar vibrar.

Um rosnado profundo ecoou da mata, e de repente, uma onça-pintada, com seus olhos verdes como esmeraldas, emergiu das sombras, atacando o desconhecido. Ele gritou, tentando defender-se da fera, mas a onça era rápida e mortal. Em poucos instantes, ele foi dominado, seus gritos abafados pelo rugido da criatura.

Helena observou a cena com um misto de horror e fascínio. A natureza, sempre imprevisível, parecia ter seus próprios justiceiros. A onça, com um último rugido triunfante, desapareceu de volta na escuridão, deixando para trás um rastro de sangue e silêncio.

Os atacantes restantes, vendo a queda de seu líder e o poder da onça, hesitaram. Açu, com uma expressão de fúria contida, proferiu uma ordem em sua língua, e os indígenas começaram a recuar, desaparecendo tão rapidamente quanto surgiram.

O acampamento, embora ferido, resistira. Mas a noite, que começara com a dor da perda, terminava com o prenúncio de perigos ainda maiores. Helena, exausta e trêmula, ajoelhou-se ao lado de onde Bartolomeu havia tombado. A fúria que a impulsionara deu lugar a uma determinação renovada. Ela não sabia quem era aquele desconhecido, nem por que ele cobiçava o tesouro de Bartolomeu, mas sabia que a luta estava apenas começando. O juramento de Bartolomeu, o segredo da pedra, o Xamã sombrio… tudo estava interligado, e ela estava no centro de um turbilhão que ameaçava engoli-la por inteiro. A promessa de sangue era um fio que a ligava a um destino incerto, um destino que ela agora teria que desvendar sozinha.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%