Cap. 11 / 25

A Noiva do Barão

A Noiva do Barão

por Henrique Pinto

A Noiva do Barão

Autor: Henrique Pinto

---

Capítulo 11 — A Sombra do Passado

O ar da cabana rústica, encravada nas entranhas da serra, parecia mais denso, carregado do peso de segredos e do aroma terroso da mata. Helena, com o coração ainda em disparada pelas últimas horas de angústia e adrenalina, olhava pela pequena janela. A luz fraca do amanhecer tingia as montanhas de tons acinzentados e azulados, um espetáculo de beleza selvagem que contrastava violentamente com a turbulência em sua alma. Ao seu lado, Ricardo, o homem que se tornara seu refúgio e seu tormento, dormia um sono agitado, o rosto marcado pela tensão da fuga.

Cada raio de sol que ousava furar a densa folhagem trazia consigo a lembrança do castelo, do luxo sufocante, da promessa de um futuro que não a pertencia. O Barão de Alencar. O nome ecoava em sua mente como uma sentença. A imagem de seu rosto, antes melancólico e distante, agora se tornava sinistra, um presságio de vingança. Ele não a deixaria ir. A honra ferida, o orgulho de um homem poderoso, tudo isso o impulsionaria a uma perseguição implacável.

“Preciso pensar,” murmurou Helena para si mesma, a voz rouca pelo cansaço e pela emoção contida. Levantou-se com cuidado para não acordar Ricardo e foi até a lareira, onde as brasas ainda exalavam um calor reconfortante. Pegou um pedaço de lenha e o atiçou, observando as faíscas dançarem. A fuga fora audaciosa, quase suicida. As palavras de Ricardo, em meio ao caos da noite, ainda soavam em seus ouvidos: “Seu destino não está escrito em contratos, Helena. Está nas suas mãos.”

Ele acreditava nela. Mais do que ela mesma, em alguns momentos. A fé inabalável que ele demonstrava em seu potencial, em sua força, era um bálsamo para suas feridas. Mas a realidade era cruel. Ela era uma moça de família tradicional, prometida em casamento para selar alianças e consolidar fortunas. Um casamento que, mesmo sem amor, representava a estabilidade e a segurança de sua família. O que ela fizera? Desafiara tudo e todos.

Um movimento suave a fez se virar. Ricardo acordara, os olhos verdes ainda turvos de sono, mas já fixos nela com aquela intensidade que a desarmava. Ele se sentou na cama improvisada, esfregando o rosto.

“Bom dia,” disse ele, a voz grave. “Ou o que quer que seja esta hora da manhã na imensidão das montanhas.”

Helena sorriu, um sorriso fraco, melancólico. “Bom dia, Ricardo. Dormiu bem?”

“O suficiente para saber que esta não é uma noite qualquer. O perigo ainda nos cerca, não é?” Ele a olhou com atenção, percebendo a inquietação em seus olhos. “Você não consegue relaxar.”

“Como poderia? Pensar no Barão… nas consequências de tudo isso…”

Ricardo levantou-se e caminhou até ela, parando a poucos passos de distância. A proximidade era uma eletricidade sutil, um convite silencioso. “As consequências são o preço da liberdade, Helena. E você escolheu a liberdade.”

“Mas a que custo? Minha família… eles serão o alvo dele. Minha mãe… meu pai… eles não merecem o sofrimento que ele pode lhes causar.” A voz de Helena embargou. A culpa começava a corroê-la.

“Ele não ousaria machucar inocentes sem um motivo… e o motivo é você.” Ricardo pegou as mãos dela, frias apesar do calor da lareira. Seus dedos grandes e calejados a envolveram com uma delicadeza surpreendente. “Ele a quer de volta, Helena. E fará de tudo para isso. Mas nós seremos mais espertos. Vamos encontrar um jeito de protegê-los. E de protegê-la de si mesma, se for preciso.”

A determinação em seus olhos a acalmou um pouco. Havia uma força tranquila em Ricardo, uma convicção que a envolvia como um manto. Ele não era apenas um fugitivo, um forasteiro sem nome. Ele tinha um propósito, e ela, de alguma forma, se tornara parte dele.

“Como vamos fazer isso, Ricardo? Onde podemos ir que ele não nos encontre? Ele tem recursos ilimitados, homens leais a ele…”

“O conhecimento da terra é o nosso maior aliado. Ninguém conhece estas montanhas como eu. Há caminhos que só os animais e os homens que buscam o esquecimento conhecem. Lugares onde o Barão e seus homens jamais ousariam se aventurar.” Ele apertou suavemente as mãos dela. “E temos aliados inesperados. Pessoas que também foram vítimas da crueldade dele.”

Helena o olhou, curiosa e apreensiva. “Aliados? Quem?”

“Por enquanto, é melhor que você não saiba. A segurança de todos depende do sigilo.” Ricardo a conduziu até a janela novamente. O sol já estava mais alto, banhando a paisagem em uma luz dourada. “Ainda há muito a fazer. Precisamos nos mover. Permanecer aqui é arriscar sermos descobertos a qualquer momento.”

Ele a puxou para um abraço, e Helena se entregou, sentindo o calor do corpo dele, o cheiro de suor e mata que exalava dele. Era um abraço que prometia proteção, que falava de um futuro incerto, mas que era um porto seguro naquele momento de fragilidade.

“Confie em mim, Helena,” ele sussurrou em seu ouvido. “Nós vamos superar isso. Juntos.”

A palavra “juntos” ressoou em seu peito, aquecendo-a de uma forma que nem o fogo da lareira conseguia. A incerteza do futuro era um abismo, mas a mão de Ricardo segurando a sua parecia mais firme que qualquer rocha. Ela estava longe de casa, fugitiva de um destino cruel, e nos braços de um homem que mal conhecia, mas que, estranhamente, se tornara sua única esperança. A sombra do Barão pairava, mas a luz da alvorada, filtrada pelas montanhas, trazia um fio de esperança de que, talvez, eles pudessem realmente encontrar um novo amanhecer.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%