Cap. 15 / 25

A Noiva do Barão

Capítulo 15 — A Carta Roubada

por Henrique Pinto

Capítulo 15 — A Carta Roubada

O plano era arriscado, audacioso, mas parecia a única opção. O Barão, em sua arrogância, certamente não esperava que Helena, a noiva obediente, ousasse desafiá-lo diretamente. E era essa expectativa que eles explorariam.

“A carta,” Aurora disse, com os olhos brilhando de astúcia, “é a chave. O Barão guarda documentos importantes em seu escritório, na ala mais restrita do castelo. Se Helena puder entrar lá e roubar a carta que prova seus desfalques e suas negociações ilícitas, teremos a prova que precisamos para expô-lo.”

Helena sentiu um frio na espinha, mas também uma onda de determinação. A ideia de retornar ao castelo, àquele lugar que representava sua prisão, era assustadora. Mas a possibilidade de trazer justiça para todos aqueles que o Barão prejudicou, incluindo sua própria família, a impulsionava.

“Como eu faria isso? O castelo está guardado,” Helena questionou, a voz baixa.

“Por isso você precisa de mim,” Ricardo interveio, o olhar focado. “Eu conheço os caminhos secretos do castelo. Antigos túneis, passagens esquecidas. Fui criado ali, lembra? Antes de me tornar o forasteiro que sou hoje.”

Matias concordou. “Ricardo nos guiará. Aurora e eu prepararemos uma distração, algo para chamar a atenção dos guardas para o lado oposto do castelo. E Helena, com sua familiaridade com os aposentos, poderá se mover com mais discrição.”

A operação foi planejada meticulosamente. Ricardo, usando seu conhecimento da arquitetura do castelo, traçou uma rota que levaria Helena do ponto de encontro mais próximo, escondido na mata, até a ala restrita, sem ser vista. Matias e Aurora, com um pequeno grupo do Povo da Montanha, criariam uma confusão na periferia do castelo, atraindo a maior parte dos guardas para longe do objetivo principal.

“O Barão costuma trabalhar até tarde da noite,” Aurora informou. “É o momento ideal. A ala restrita é bem guardada, mas os guardas daquela área são mais leais à sua rotina do que à sua vigilância. Eles esperam um ataque frontal, não uma infiltração silenciosa.”

Helena, sob a orientação de Aurora, começou a praticar os movimentos, a se acostumar com a escuridão, a desenvolver a agilidade necessária. Ela se sentia transformada. A jovem que outrora se encolhia diante de qualquer desafio, agora se preparava para uma missão perigosa.

Na noite marcada, a lua estava escondida pelas nuvens, mergulhando a paisagem em uma escuridão quase total. A tensão era palpável. Helena, vestida com um traje escuro e discreto, despediu-se de Ricardo com um abraço apertado.

“Tenha cuidado,” ele sussurrou em seu ouvido. “Eu estarei esperando por você. E se algo der errado… use o sinal que combinamos.”

Ela assentiu, o coração batendo forte. “Eu voltarei com a carta, Ricardo. Por todos nós.”

O caminho até o castelo foi percorrido em silêncio, sob a orientação de Ricardo. Ele a conduziu por trilhas que nem mesmo Helena imaginava existirem, contornando riachos e subindo encostas íngremes. Ao chegarem perto da muralha, um brilho fraco no céu indicava que a distração de Matias e Aurora já havia começado.

Ricardo a deixou em um ponto estratégico, perto de uma antiga passagem de serviço que levava aos porões. “Daqui, você segue os meus passos mentalmente. Lembre-se do que te ensinei. A ala restrita fica à esquerda do grande salão. O escritório do Barão é a última porta à direita do corredor. A carta deve estar em sua escrivaninha, em um compartimento secreto.”

“Como saberei qual é a carta?”

“Procure por um envelope com o selo da Ordem da Cruz Negra. É assim que ele identifica as correspondências mais sensíveis.”

Helena assentiu, a determinação endurecendo seu olhar. Ela se despediu de Ricardo e, com um último suspiro, adentrou a escuridão do túnel.

O castelo, antes um lugar de opulência e desespero, agora parecia um labirinto de sombras e perigos. Helena se movia com cautela, cada passo medido, cada som amplificado pela quietude da noite. Ela sentia a presença dos guardas, a vigilância em cada canto, mas se lembrava dos ensinamentos de Aurora e da confiança de Ricardo.

Chegou ao grande salão, um espaço imponente, mas agora deserto. A luz fraca de algumas tochas criava sombras fantasmagóricas nas paredes. Ela se dirigiu ao corredor da ala restrita, o coração acelerado. Os guardas ali eram poucos, mas pareciam mais alerta. Ela se escondeu em um nicho, observando a ronda de um deles. Quando ele se afastou, Helena correu até a porta indicada por Ricardo.

A porta estava destrancada, um detalhe que a surpreendeu. O Barão, em sua arrogância, acreditava que ninguém ousaria. Ela entrou no escritório, um ambiente luxuoso, mas sombrio. A escrivaninha maciça dominava o centro do cômodo. Com as mãos trêmulas, Helena começou a procurar. Revirou papéis, abriu gavetas. O tempo parecia correr contra ela.

De repente, seus dedos tocaram em uma pequena alavanca disfarçada na lateral da escrivaninha. Ela a puxou. Um pequeno compartimento se abriu, revelando um único envelope. O selo da Ordem da Cruz Negra estava ali, inconfundível. Era a carta.

No exato momento em que Helena pegava o envelope, ouviu passos se aproximando do corredor. Um dos guardas havia retornado. O pânico a atingiu. Ela não podia ser pega. Rapdamente, escondeu a carta em seu traje e, em um impulso, se jogou atrás de uma pesada cortina que cobria uma das janelas.

O guarda entrou no escritório, a luz de sua tocha dançando pelas paredes. Ele olhou ao redor, desconfiado. Seus olhos percorreram a escrivaninha, as gavetas abertas. Helena prendeu a respiração, o corpo tenso, os músculos em alerta. O guarda fez uma varredura rápida, parecendo não perceber nada fora do lugar. Parecia que a desordem das gavetas não o alertou.

Com um grunhido de frustração, ele saiu do escritório, deixando Helena sozinha novamente. Ela esperou alguns minutos, o coração ainda martelando, antes de sair de seu esconderijo. A missão fora um sucesso. Ela tinha a carta.

Ao sair do castelo, pelo mesmo caminho secreto, encontrou Ricardo em seu ponto de encontro. Ele a esperava ansiosamente. Ao ver o envelope que ela trazia, um sorriso de alívio e orgulho tomou conta de seu rosto.

“Você conseguiu, Helena,” ele disse, a voz cheia de admiração. “Você conseguiu.”

Helena olhou para a carta em sua mão, o peso dela em seu destino. A noite de perigo e audácia havia terminado, mas a luta pela liberdade estava apenas começando. A carta roubada era a arma que eles precisavam, a prova que desmascararia o Barão de Alencar e traria justiça para todos.

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