Cap. 18 / 25

A Noiva do Barão

Capítulo 18 — A Revelação do Ancião

por Henrique Pinto

Capítulo 18 — A Revelação do Ancião

O sol da manhã, tímido ainda, espreitava por entre as copas das árvores densas da Serra da Mantiqueira, lançando feixes de luz que dançavam sobre o caminho irregular. Mariana, montada no cavalo cedido por Dona Eulália, sentia os músculos doloridos e o corpo cansado, mas a adrenalina e a determinação a impulsionavam. Elias, cavalgando à sua frente, guiava-os por trilhas cada vez mais estreitas e sinuosas, um mestre em navegar pela mata fechada. A fazenda Santa Cecília, com suas cercas e convenções, parecia um mundo distante, um sonho perturbador que ela havia deixado para trás.

A comunidade da montanha, que Elias chamava de "O Refúgio", era um aglomerado rústico de casas de madeira e pedra, aninhado em um vale escondido, onde o som do rio que corria ali perto era a melodia constante. As pessoas que cruzavam seu caminho, poucas e esquivas, lançavam olhares curiosos e, por vezes, desconfiados, mas ninguém ousava se interpor em seu caminho. Eram rostos marcados pelo sol, mãos calejadas, olhares que guardavam histórias de luta e resistência.

Elias, com sua habitual discrição, apresentou Mariana ao líder da comunidade, um homem de cabelos brancos como a neve e olhos penetrantes, chamado Mestre Inácio. Ele era o ancião, o guardião das tradições e da sabedoria do Refúgio. Sentados em volta de uma fogueira crepitante, mesmo sob a luz do dia, o ancião ouviu atentamente a história de Mariana, seus olhos fixos no rosto da jovem, captando cada nuance de sua dor e de sua coragem.

"O Barão de Alencar", Mestre Inácio disse, a voz rouca como o vento nas rochas, após Mariana narrar a história da carta e da fuga. "Um nome que ecoa em nossa memória com amargura. Ele é um homem que pisoteia os fracos para ascender. Muitos que se refugiaram aqui um dia foram vítimas de sua ganância."

Mariana sentiu um arrepio. A confirmação de que o Barão era um inimigo comum, um opressor a ser temido por todos ali, solidificou sua decisão de confiar neles. Elias, ao lado dela, assentia com a cabeça, seus olhos demonstrando a mesma indignação que sentia em seu peito.

"Ele roubou minha família, Mestre Inácio", Mariana disse, a voz embargada. "Ele roubou meu pai, meu nome, minha honra. E agora, ele tenta roubar a verdade."

"A verdade é uma semente, minha jovem", o ancião respondeu, um leve sorriso surgindo em seus lábios finos. "Ela pode ser soterrada, mas nunca destruída. E Elias, ele é um homem que entende o valor da verdade. Por isso, ele buscou refúgio entre nós. E por isso, ele veio em sua defesa."

Elias tomou a palavra. "Mestre Inácio, você sabe que Alencar tem informantes em todos os lugares. Ele sabia que eu esperaria pela carta. Ele sabia que ela era a prova de suas traições."

"Sim, Elias. E isso significa que o traidor está entre nós. Alguém que vendeu informações valiosas ao Barão. Alguém que colocou a todos nós em perigo." O olhar de Mestre Inácio varreu o grupo de homens e mulheres que se reuniram para ouvir a conversa, buscando um sinal de culpa em seus rostos.

Mariana observava atentamente, buscando entender a dinâmica daquela comunidade. Elias parecia respeitado por todos, mas a desconfiança pairava no ar. Ela se sentia uma estranha, uma forasteira em um mundo regido por suas próprias leis e segredos.

"Eu preciso recuperar essa carta", Mariana declarou, com a voz firme. "Ela é a última esperança do meu pai. E a minha."

"E você a recuperará", Mestre Inácio assegurou. "Mas não será fácil. Alencar não desistirá facilmente. Ele é um homem implacável, com recursos que nós mal podemos imaginar." Ele olhou para Elias. "Você tem certeza de que a carta está em posse dele ou de seus homens?"

"Tenho. A emboscada foi bem planejada. Eles sabiam exatamente o que procurar. E eles me disseram, com um sorriso cruel, que levariam o 'tesouro' para o Barão." Elias apertou os punhos. "Precisamos encontrar quem foi o informante. Sem isso, ficaremos sempre um passo atrás dele."

Mestre Inácio assentiu com a cabeça, pensativo. "A lealdade é a base de nossa comunidade. A traição é o veneno que a corrói. Eu vou investigar. Cada um de vocês será interrogado. A verdade virá à tona." Ele se virou para Mariana. "Enquanto isso, minha jovem, você está segura aqui. Mas Alencar pode tentar chegar até você de outras formas. Ele é astuto e não hesitará em usar suas fraquezas."

"Minhas fraquezas?", Mariana perguntou, confusa.

"Seus laços com a fazenda, com sua tia. Ele pode tentar usá-las para te atrair para uma armadilha. Você precisa estar preparada para isso." Mestre Inácio ergueu um dedo. "Elias, você mencionou que a carta era uma prova de que o pai de Mariana desconfiava de Alencar. Mas há mais. Seu pai, antes de falecer, fez um último pedido a Alencar, um pedido que, se cumprido, revelaria a verdade sobre a fortuna e o nome da família. Alencar se recusou, claro."

Mariana sentiu um nó na garganta. "Um pedido? Que pedido?"

"Ele pediu que Alencar garantisse que a fortuna de seu pai fosse usada para o bem do povo, para a educação e o sustento dos mais necessitados. Em vez de entregá-la a um herdeiro, que, segundo seu pai, seria facilmente manipulado. Mas Alencar, em sua ganância, ignorou o último desejo de seu amigo." Mestre Inácio suspirou. "A carta continha a comprovação desse desejo, e a prova de que Alencar desviou os fundos para seus próprios fins. Era mais do que uma acusação, era a revelação de um roubo."

A revelação atingiu Mariana com a força de um golpe. Seu pai não a via como frágil ou manipulável. Ele a amava, e confiava nela, tanto que confiou a ela a tarefa de encontrar a verdade. E Alencar, em sua crueldade, não apenas a despojou de seu nome, mas de sua própria identidade, distorcendo as intenções de seu pai para alimentar sua própria ambição.

"Meu pai confiou em mim", Mariana disse, a voz embargada pela emoção. "Ele me amava. Ele não me considerava fraca. Ele só... ele se preocupava com Alencar."

"E ele estava certo em se preocupar", Mestre Inácio acrescentou. "A carta que Elias buscava era a prova definitiva. A prova de que Alencar não apenas traiu a confiança de seu amigo, mas roubou o futuro de muitos que dependiam dessa fortuna. E essa carta, Mariana, é a chave para restaurar a honra de seu pai e, quem sabe, para trazer justiça a todos que foram oprimidos por Alencar."

Mariana olhou para Elias, seus olhos cheios de uma nova determinação. "Elias, me diga o que preciso fazer. Eu não sou mais a noiva indefesa que fugiu da fazenda. Eu sou a filha de meu pai. E eu vou lutar por sua memória."

Elias segurou a mão dela, seu olhar encontrando o dela com uma promessa silenciosa. "Você fará o que for preciso. E eu estarei ao seu lado. Primeiro, precisamos descobrir quem é o traidor. E então, precisamos traçar um plano para recuperar a carta. Alencar pode ter levado para sua fazenda. Ou ele pode tê-la escondido em um lugar seguro."

"A fazenda dele é um labirinto de segredos", Mestre Inácio alertou. "Mas se a carta está lá, é em um lugar de confiança para ele. Talvez em seu escritório, em um cofre. Ou em suas dependências pessoais."

"Precisamos de um plano", Mariana insistiu. "Não podemos simplesmente invadir a fazenda. Precisamos ser inteligentes. Precisamos de informações."

Elias assentiu. "Informações são nossa maior arma. E eu conheço alguém que pode nos ajudar. Um velho amigo meu, que ainda tem contatos dentro da fazenda de Alencar. Ele pode nos dizer para onde a carta foi levada e como podemos acessá-la."

"Quem é esse amigo?", Mariana perguntou, a esperança crescendo em seu peito.

"Um homem chamado Samuel. Ele foi um dos meus homens de confiança na montanha, mas teve que se afastar por motivos familiares. Ele é leal e discreto. Se alguém pode nos dar a informação que precisamos, é ele."

Mestre Inácio olhou para Elias com aprovação. "Confio em seu julgamento, Elias. Samuel é um homem de honra. Vá. Encontre-o. E Mariana, enquanto isso, você ficará aqui. Treine. Aprenda a se defender. O caminho à frente será árduo, mas a verdade sempre encontra seu caminho."

Mariana sentiu uma onda de força percorrer seu corpo. Ela não estava mais sozinha. A comunidade da montanha, antes um lugar de incerteza, agora se tornava seu refúgio, seu exército. A sombra do Barão de Alencar ainda pairava, mas a luz da verdade, alimentada pela memória de seu pai e pela coragem de Elias, começava a brilhar mais forte. A semente da justiça, plantada por Mestre Inácio, começava a germinar em seu coração.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%