Cap. 19 / 25

A Noiva do Barão

Capítulo 19 — A Aliança Inesperada

por Henrique Pinto

Capítulo 19 — A Aliança Inesperada

O sol da tarde banhava a fazenda Santa Cecília com uma luz melancólica, filtrando-se pelas persianas da sala de Dona Eulália e projetando sombras longas e dançantes no chão de madeira polida. A ausência de Mariana pairava no ar como um fantasma, uma inquietação que nem mesmo a rotina apressada dos serviçais conseguia dissipar. Dona Eulália, sentada em sua poltrona favorita, observava a paisagem através da janela, o olhar perdido em pensamentos. A carta roubada, a fuga de Mariana, o perigo iminente... tudo a consumia.

Ela sabia que sua sobrinha havia saído em busca de Elias, o homem misterioso que a havia tirado de um destino terrível. A confiança de Mariana em um desconhecido a assustava, mas ela também entendia a profundidade do desespero que a levara a tal ato. O Barão de Alencar era um homem com tentáculos que alcançavam todos os cantos da região, e Dona Eulália temia que, ao se envolver com Elias e a causa da carta, Mariana tivesse se tornado um alvo ainda maior.

De repente, um ruído discreto na porta da sala a fez sobressaltar. Não era o som habitual de um servo anunciando a chegada de alguém. Era um toque mais furtivo, um toque que ela, com seus anos de experiência em lidar com os segredos da fazenda, reconheceu como uma mensagem cifrada. Seu coração acelerou. Poderia ser Mariana? Ou alguém enviado por ela?

Ela se levantou com uma agilidade surpreendente para sua idade e se dirigiu à porta. Ao abri-la, encontrou não Mariana, mas um homem que ela nunca vira antes. Ele era alto, com uma barba cerrada e olhos escuros e penetrantes que pareciam carregar o peso de muitas batalhas. Vestia roupas simples, mas o porte era de alguém que conhecia a honra e o perigo.

"Senhora?", ele disse, a voz baixa e respeitosa. "Procuro por Mariana."

Dona Eulália o examinou com cuidado, tentando decifrar suas intenções. "Quem é o senhor? E como sabe de Mariana?"

"Meu nome é Samuel", o homem respondeu, sem desviar o olhar. "Eu conheço Elias. E Elias me enviou. Ele me disse que Mariana poderia estar correndo perigo. E que a senhora poderia ser a única pessoa a quem ela confiaria uma mensagem."

Dona Eulália sentiu um alívio momentâneo, mas a desconfiança ainda a dominava. "Elias? O homem que tirou minha sobrinha daqui?"

"Sim, senhora. Elias é um homem de honra. Ele se arriscou por Mariana. E agora, ele precisa de sua ajuda." Samuel aproximou-se um passo. "Ele me disse que a carta que Mariana buscava foi roubada. Que o Barão de Alencar está por trás disso. E que Mariana está em perigo."

A menção da carta e do Barão fez Dona Eulália entender a gravidade da situação. O Barão. Sempre o Barão. "Sim, o Barão está por trás disso", ela confirmou, a voz carregada de amargura. "Ele quer casar Mariana à força com um de seus homens, para se apoderar de sua herança e silenciar qualquer vestígio de verdade sobre a fortuna de seu pai. Mariana fugiu para não se casar com aquele homem."

Samuel assentiu, seus olhos escurecendo. "Elias me disse que a carta era a prova definitiva contra Alencar. A prova de que ele roubou a fortuna do pai de Mariana. E que ele se apoderou dela de forma indevida."

"Exatamente", Dona Eulália respondeu, sentindo-se mais confiante na presença daquele homem. "Meu sobrinho, o pai de Mariana, antes de falecer, confiou a Elias a tarefa de entregar essa carta a um amigo de confiança. A carta que desmascararia Alencar."

"Elias me disse que a carta foi roubada. E que ele suspeita de um traidor na comunidade da montanha. Ele me pediu para vir até aqui, pois sabe que Mariana pode ter deixado alguma instrução para a senhora. Ou talvez, para que a senhora possa nos dar alguma informação sobre os movimentos do Barão."

Dona Eulália pensou por um momento. Mariana havia partido em busca de Elias, e ele, por sua vez, enviara Samuel em busca dela. Era uma teia de comunicação arriscada, mas necessária. Ela sabia que precisava ajudar, não apenas por Mariana, mas por justiça.

"Mariana saiu em busca de Elias", Dona Eulália disse. "Ela estava preocupada com ele. E com a carta. Ela temia que o Barão a tivesse interceptado."

"Elias confirmou que a carta foi interceptada. E ele tem certeza de que foi obra do Barão. Mas ele precisa saber para onde ela foi levada. E ele me pediu para verificar se o Barão está tramando algo contra a senhora, aqui na fazenda. Para garantir sua segurança."

Dona Eulália sorriu com amargura. "Minha segurança? O Barão sempre foi um fantasma nesta casa. Seus homens circulam pelas redondezas, mas nunca ousaram me confrontar diretamente. Ele sabe que eu sou a guardiã de Mariana, e que ela é a chave para seus planos. Ele não me faria mal... ainda."

"Mas ele pode tentar", Samuel insistiu. "Ele é um homem que não deixa pontas soltas. Se Mariana está em busca da carta, ela se tornou uma ameaça direta. E ele pode querer eliminar todas as suas conexões."

"Eu entendo o perigo", Dona Eulália respondeu, sua voz adquirindo um tom de aço. "Mas não posso ficar parada. Mariana está em perigo, e eu farei o que for preciso para ajudá-la. Ela me disse que precisava de algo... algo que ela guardava em seu quarto, em um lugar secreto."

Samuel a olhou com atenção. "E o que seria esse algo, senhora?"

"Um pequeno medalhão de prata, com um brasão peculiar. Ela disse que era uma pista importante, que seu pai lhe deixou. Ela o escondeu em um compartimento secreto em sua penteadeira."

Os olhos de Samuel se arregalaram ligeiramente. "Um medalhão com um brasão peculiar... Elias mencionou algo parecido. Ele disse que seu pai, antes de falecer, pediu que o medalhão fosse entregue a ele, caso algo acontecesse. Ele o considerava uma chave."

"Uma chave?", Dona Eulália repetiu, surpresa. "Uma chave para quê?"

"Para um esconderijo. Um lugar onde seu pai guardava documentos importantes. Documentos que poderiam provar a inocência dele e a culpa de Alencar. Elias acredita que a carta e esses documentos são um só. Ou que um leva ao outro."

Dona Eulália sentiu um misto de esperança e apreensão. A fuga de Mariana, a carta roubada, o medalhão... tudo se encaixava em um plano maior, um plano urdido por seu sobrinho antes de sua morte.

"Eu vou buscar o medalhão para você", Dona Eulália disse, sentindo uma nova força em suas veias. "Mas preciso que você me prometa algo, Samuel."

"Diga, senhora."

"Preciso que você diga a Elias para ser cuidadoso. Para não confiar em ninguém. E para que ele proteja minha sobrinha a todo custo. Ela é tudo o que me resta."

"Eu prometo, senhora. Elias é um homem corajoso e leal. Ele não decepcionará." Samuel fez uma reverência. "Agora, se me permite, vou ficar nos arredores da fazenda, observando. E retornarei com informações sobre os movimentos do Barão. Se a senhora puder me trazer o medalhão, será de grande ajuda."

Dona Eulália assentiu e se dirigiu para o quarto de Mariana. Cada passo que dava era impulsionado por uma nova determinação. Ela não era apenas uma tia preocupada, mas uma aliada na luta por justiça. Ao alcançar a penteadeira de Mariana, ela buscou o compartimento secreto, o coração acelerado. Lá estava, escondido em um pequeno nicho, o medalhão de prata. O brasão era delicado e incomum, um símbolo que ela não reconhecia, mas que Elias acreditava ser uma chave.

Ao retornar para a sala, Samuel esperava pacientemente. Dona Eulália entregou o medalhão a ele. Seus olhos se encontraram, uma aliança silenciosa formada entre os dois.

"Obrigado, senhora", Samuel disse, a voz carregada de gratidão. "Eu retornarei o mais breve possível com notícias."

Ele se retirou tão furtivamente quanto chegou, desaparecendo nas sombras do crepúsculo. Dona Eulália ficou na sala, o silêncio agora preenchido por uma nova esperança. Mariana estava em perigo, mas ela não estava sozinha. Elias e Samuel, homens de honra e coragem, estavam lutando ao lado dela. E ela, Dona Eulália, não ficaria parada. Ela era a guardiã da memória de seu sobrinho, e lutaria com todas as suas forças para proteger a última esperança de justiça de sua família. A sombra do Barão de Alencar ainda pairava, mas agora, uma luz de esperança começava a se acender, alimentada pela aliança inesperada entre uma tia dedicada e os homens que lutavam pela verdade.

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