Desventura na Ilha do Governador

O Mistério da Caixa Metálica

por Caio Borges

Dona Clara, uma mulher de feições enrugadas pelo tempo e pela vida, mas com olhos que ainda guardavam um brilho de vivacidade, recebeu Lúcia na cozinha. O aroma de café fresco e bolo de fubá pairava no ar, um convite acolhedor que tentava dissipar a tensão que Lúcia sentia. "Que bom que você veio, minha filha", disse Dona Clara, abraçando-a com um abraço apertado, porém um tanto quanto apreensivo. "Sei que te tirei de sua rotina lá em São Paulo, mas realmente precisávamos conversar." Lúcia retribuiu o abraço, sentindo o calor familiar, mas a inquietação em seu peito não diminuía. "Tia Clara, o que está acontecendo? A senhora me disse que eram 'assuntos pendentes'. Fiquei preocupada." Dona Clara a conduziu até a mesa de madeira maciça, onde duas xícaras de café fumegavam. Ela hesitou por um momento, olhando para as próprias mãos que repousavam sobre a toalha de mesa bordada. "É sobre o seu avô, Lúcia. E sobre algo que ele deixou. Algo que ele me pediu para guardar, mas que agora… agora eu não sei mais o que fazer com isso." Lúcia sentiu um nó se formar em sua garganta. "O avô? O que ele deixou?" Dona Clara suspirou profundamente. "Ele me deu uma caixa. Uma caixa metálica, pequena, pesada. Disse para eu não abri-la, para não contar a ninguém sobre ela, e para entregá-la a você, somente se algo acontecesse comigo ou com ele, ou se eu sentisse que o momento era propício. E o momento, Lúcia, eu sinto que chegou." Dona Clara se levantou e dirigiu-se a um armário antigo, de onde retirou uma pequena chave ornamentada. Com passos lentos, ela a levou até um cômodo que Lúcia não reconhecia, um quartinho nos fundos da casa, geralmente usado para guardar objetos de pouco uso. O quarto estava escuro, com uma única janela coberta por uma cortina grossa. No chão, sob uma pilha de jornais antigos, Dona Clara apontou para um pequeno cofre embutido na parede, camuflado de forma quase imperceptível. "Foi aqui que seu avô a escondeu", disse ela, a voz embargada. "Eu a tirei de lá hoje de manhã. Senti que não podia mais esperar." Ela abriu o cofre com a chave, e dentro, repousando sobre um pano de veludo desbotado, estava a caixa metálica. Era exatamente como Lúcia a imaginara pela fotografia: escura, retangular, com um fecho antigo. Não havia nenhuma inscrição, nenhum símbolo visível que pudesse dar uma pista sobre seu conteúdo. Lúcia a pegou. Era mais pesada do que parecia. O metal era frio ao toque. O que seu avô, o Seu Arthur, o homem de poucas palavras e muitos olhares, teria guardado ali com tanto zelo e mistério? A mangueira velha, lá fora, parecia observar em silêncio, como se também aguardasse a revelação.

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