Entre Dores e Delírios da Corte

Capítulo 19 — O Brilho da Verdade e o Som do Desespero

por Caio Borges

Capítulo 19 — O Brilho da Verdade e o Som do Desespero

O confronto na biblioteca de Alvarenga era um duelo de titãs, um embate de vontades e forças que ecoava pelos corredores opulentos do poder. Joaquim, com o corpo ainda dolorido, mas a mente ágil, erguia o pesado castiçal de bronze, um escudo improvisado contra a lâmina afiada de seu inimigo. Alvarenga, com a face vermelha de fúria descontrolada, avançava, seus olhos injetados de sangue refletindo o ódio que o consumia.

"Você é um tolo, Joaquim!", Alvarenga vociferou, desferindo um golpe rápido e certeiro. "Acha que pode desafiar a mim? Acha que pode roubar o que é meu por direito?"

Joaquim desviou do golpe, o som do aço raspando o bronze ressoando no cômodo. Ele sabia que não podia enfrentar Alvarenga em um duelo prolongado. A força física não estava ao seu lado, e seu braço ferido limitava seus movimentos. A única esperança era a distração, a chance de Elias e os outros conseguirem abrir o cofre.

"O que é seu por direito, Alvarenga?", Joaquim rebateu, sua voz firme apesar da tensão. "A traição? A corrupção? O roubo da terra e da dignidade dos outros? Você não tem direito a nada, a não ser ao seu próprio inferno!"

Alvarenga riu, um som gutural e cruel. "Palavras bonitas de um idealista tolo. Eu tenho o poder, Joaquim. E o poder dita o que é certo e o que é errado. E agora, o que é meu é a sua vida!"

Ele atacou novamente, uma saraivada de golpes que forçaram Joaquim a recuar em direção ao cofre. Elias, escondido atrás de uma estante de livros com os outros homens, trabalhava freneticamente na fechadura. O som metálico das ferramentas contra o metal era um contraponto ansioso à luta que se desenrolava.

"Quase lá!", Elias sussurrou, mas sua voz foi abafada por um grito de dor de Joaquim.

Alvarenga, com um movimento astuto, atingiu o braço ferido de Joaquim com o cabo de sua espada, fazendo-o soltar o castiçal com um gemido de dor. A lâmina de Alvarenga apontou diretamente para o peito de Joaquim.

"Acabou, Falcão", disse Alvarenga, um sorriso trocista em seus lábios. "Ninguém virá em seu socorro agora. E a 'Verdade' que você tanto busca... bem, ela permanecerá oculta. E você, um herói caído na escuridão."

Nesse exato momento, um estrondo ensurdecedor ecoou do exterior. A distração orquestrada por Arandu e seus homens havia sido eficaz. Gritos e o som de luta se aproximavam. Alvarenga vacilou, a atenção dividida.

"O que é isso?", ele rosnou, olhando em direção à porta.

"É o seu fim, Alvarenga!", gritou Elias, com um último esforço. A fechadura cedeu com um clique satisfatório. O cofre se abriu, revelando uma pilha de documentos.

Joaquim, com uma explosão de energia desesperada, empurrou Alvarenga para trás e correu para o cofre. Seus olhos varreram os papéis, procurando o documento principal. Lá estava ele, com o selo real em destaque. Ele o agarrou com avidez.

"A 'Verdade'!", ele exclamou, sentindo um triunfo avassalador.

Alvarenga, percebendo que sua chance de silenciar Joaquim estava escapando, soltou um rugido de fúria. Ele avançou novamente, desta vez com uma ferocidade ainda maior. Os homens de Elias saíram de seus esconderijos, tentando intervir, mas a fúria de Alvarenga era cega.

Foi nesse momento que Joaquim tomou uma decisão ousada. Ele entregou a "Verdade" para Elias. "Leve isto para fora! Para Arandu! É a nossa única chance!"

Elias, compreendendo a gravidade da situação, agarrou o documento e correu para a porta, seguido pelos outros homens que conseguiram se desvencilhar de Alvarenga. Joaquim, agora sozinho com seu inimigo, se preparou para a última e desesperada luta.

Alvarenga, com a lâmina em punho, avançou sobre Joaquim. A luta foi brutal e rápida. Joaquim, usando sua agilidade e o conhecimento do terreno, desviava dos golpes mais mortais, mas a dor em seu braço e as costelas machucadas o debilitavam a cada segundo. Ele sabia que não conseguiria vencer em combate direto.

Em um movimento calculado, ele atraiu Alvarenga para perto de uma mesa pesada, onde estavam espalhados mapas e instrumentos de navegação. Com um esforço supremo, Joaquim empurrou a mesa contra Alvarenga, desequilibrando-o. No mesmo instante, ele agarrou um tinteiro pesado e o arremessou contra o rosto de Alvarenga.

A tinta preta espirrou, cegando temporariamente o tenente. Joaquim aproveitou a oportunidade, agarrou uma adaga de mesa e, com toda a força que lhe restava, cravou-a no ombro de Alvarenga.

Alvarenga gritou de dor, soltando a espada. Ele cambaleou para trás, a mão cobrindo o ferimento sangrento. Joaquim, ofegante, o observava, o coração batendo descompassado. Ele não o mataria. A justiça, ele sabia, precisava seguir seu curso.

"Você está acabado, Alvarenga", disse Joaquim, a voz rouca. "A 'Verdade' está livre. E a corte saberá de seus crimes."

Nesse momento, Arandu e seus homens irromperam no escritório, alertados pelo som da luta. Eles encontraram Joaquim, ferido, mas vitorioso, e Alvarenga, derrotado e humilhado.

"O documento está seguro", disse Arandu, entregando a "Verdade" para um de seus homens. "A hora da justiça chegou."

Alvarenga, vendo a derrota inevitável, soltou um grunhido de desespero. Ele sabia que não tinha mais escapatória. Seu poder, construído sobre mentiras e violência, desmoronava como um castelo de areia.

Joaquim, sentindo as forças o abandonarem, foi amparado por Arandu. A adrenalina que o mantivera em pé começava a ceder, revelando a extensão de seus ferimentos.

"Precisamos sair daqui", disse Arandu, com urgência. "Os guardas do palácio logo chegarão. E eles não serão tão compreensivos quanto nós."

Eles levaram Joaquim ferido para fora do palácio, desaparecendo nas sombras da noite, enquanto os gritos de desespero de Alvarenga ecoavam atrás deles. A "Verdade" estava livre, mas a luta de Joaquim estava longe de terminar. Ele precisava se recuperar, e Isabela precisava ser informada da vitória, e da sua própria situação familiar. O preço da descoberta havia sido alto, mas a esperança de um futuro mais justo havia sido acesa.

Enquanto fugiam pela cidade, Joaquim pensou em Isabela. Ele a esperava ansiosamente, ansiava por contar a ela sobre a vitória, e sobre a sua família. Ele sabia que a situação dela era delicada, e que a sua ausência poderia ter criado problemas.

"Arandu", disse Joaquim, a voz fraca. "Preciso saber como Isabela está. Preciso ir até ela. E preciso saber sobre a família dela."

Arandu assentiu. "Os nossos homens na capital estão de olho. Eles me informaram que a irmã dela, Beatriz, tem tentado influenciar o Conde de Valença. Ela fala mal de você, Joaquim. Diz que você é um perigo para a família."

O coração de Joaquim apertou. "Beatriz... Eu sabia que ela não seria confiável. E meu pai? E a minha mãe?"

"Seu pai está bem, Joaquim. Mas preocupado com você. Sua mãe está forte, como sempre. Ela está ajudando a proteger seu pai. Quanto a você, meu amigo, o caminho para a recuperação será longo. Mas você lutou bravamente. E a verdade, como a água, sempre encontra seu caminho."

Enquanto eram levados de volta para o refúgio na floresta, Joaquim sentiu uma pontada de angústia pela situação de Isabela, mas também um profundo alívio pela vitória conquistada. A "Verdade" estava em boas mãos, e a queda de Alvarenga era iminente. Mas a batalha pela justiça estava apenas começando, e ele precisava se fortalecer para a próxima fase, para proteger Isabela e para garantir que a verdade triunfasse sobre as trevas.

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